Pela primeira vez, uma mulher parece ter sido curada do HIV. Seu caso foi apresentado por pesquisadores americanos durante a Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Denver, nesta terça-feira (15).

A paciente foi diagnosticada com HIV em 2013. Quatro anos depois, descobriu uma leucemia mieloide aguda (LMA) –um câncer agressivo que atinge o sangue. Foi então que seu processo até a remissão do vírus teve início. 

A paciente de Nova York, denominada assim devido ao local em que fez seu tratamento, deu início às quimioterapias ainda em 2017. Dessa forma, todas as suas células imunológicas cancerígenas foram eliminadas.  

Após esse processo, ela passou por um transplante de células-tronco como forma de repor suas células sanguíneas imunológicas, já que todo o sistema foi destruído no tratamento. Aqui entra a peça principal. 

Alguns indivíduos possuem uma mutação genética específica que parece impedir a entrada do vírus HIV. Logo, este grupo de pessoas seria o ideal para fazer a doação. 

Mas existem dois problemas: conseguir doadores compatíveis de medula óssea já é difícil, quem dirá com a mutação específica. No caso da paciente de Nova York, os médicos utilizaram células-tronco do sangue de um cordão umbilical, que não necessariamente era compatível com o receptor, mas parece ser mais maleável. 

Como as células infantis podem levar até seis semanas para serem enxertadas, a mulher também recebeu doação de um parente adulto saudável como reforço. As células compatíveis vindas de um adulto sustentam o sistema imunológico até que as células do cordão umbilical se tornem dominantes, evitando possíveis infecções. 

Anteriormente, outros dois homens haviam alcançado a remissão do vírus a partir do transplante de células-tronco. Foram eles o “paciente de Berlim”, que permaneceu com o vírus indetectável durante 12 anos, até morrer de leucemia em 2020, e o “paciente de Londres”, em remissão há mais de 30 meses. 

Porém, este foi o primeiro procedimento feito utilizando um cordão umbilical, além de ser o único envolvendo uma paciente mulher. Ela está agora há 14 meses sem sinais do HIV no organismo.