O ano de 2020 foi desafiador em diversos sentidos, principalmente no campo das ciências. Tivemos pesquisas importantes, muitas delas com foco na pandemia de COVID-19. Seja para desenvolver uma vacina, aprimorar os kits de testes ou se articular politicamente para garantir a segurança da população, várias personalidades exerceram um papel fundamental para controlar a situação e evitar que ela piorasse. Para reconhecer essas figuras que conduziram trabalhos cruciais neste ano, a Nature fez uma lista com as 10 pessoas que ajudaram a moldar a ciência em 2020.

Tedros Adhanom Ghebreyesus

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros entrou para a lista devido à sua diplomacia e empatia, que foram cruciais em meio às disputas políticas que poderiam afetar as respostas à pandemia de COVID-19.

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, acusá-lo de falta de transparência e problemas de gerenciamento, Tedros respondeu dizendo que os EUA são um “amigo generoso” e enfatizou o desejo da agência de saúde em atender todos os países.

O diretor-geral da OMS ainda foi criticado por não ter adotado uma abordagem mais rigorosa com a China sobre o compartilhamento de informações relacionadas aos casos de COVID-19, o que poderia ter resultado em uma resposta mais rápida à doença. No entanto, outros pesquisadores argumentam que, mesmo após o alerta de emergência da OMS, muitos países se mantiveram relutantes e demoraram a adotar as medidas de saúde necessárias.

Além disso, a China poderia ter agido de forma negativa caso Tedros optasse por uma abordagem menos diplomática, o que pioraria a situação.

Jacinda Ardern

A Nova Zelândia foi reconhecida internacionalmente como um caso de sucesso no controle da pandemia de COVID-19. Isso se deve em grande parte à primeira-ministra Jacinda Ardern, que estabeleceu uma série de medidas após seis pessoas testarem positivo para a doença em março deste ano. Atualmente, o número de casos na ilha é de cerca de apenas 2 mil, com 25 mortes.

Apesar das justificativas de o país ser uma ilha e com uma população pequena, poucas nações agiram com a rapidez e determinação de Ardern. Ela também certificou-se de entender os detalhes científicos sobre a doença, o que permitiu que ela se comunicasse de forma transparente e clara com a população. A primeira-ministra ainda é reconhecida pelos seus esforços em relação à crise climática. No ano passado, ela aprovou uma lei que busca zerar as emissões de carbono no país até 2050.

Anthony Fauci

Fauci é chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID). Ele já aconselhou seis presidentes durante surtos de Ebola, HIV e Zika. Neste ano, seu desafio foi orientar a população sobre COVID-19 enquanto entrava em conflito com Donald Trump. O presidente norte-americano se mostrou relutante em controlar a pandemia às custas da economia, mas Fauci reforçava a necessidade de implementar medidas rigorosas para desacelerar a disseminação da doença.

Com tantas ameaças vindo inclusive do próprio governo, Fauci agora conta com guardas federais supervisionando sua segurança. Prestes a completar 80 anos, ele afirma que não tem planos de se aposentar e que vai permanecer no NIAID para aconselhar o novo presidente, Joe Biden.

Verena Mohaupt

Como coordenadora de logística da maior expedição de pesquisa no Ártico já feita, Mohaupt foi reconhecida pela Nature por sua habilidade em proteger os cientistas de uma série de adversidades durante o projeto.

Gonzalo Moratorio

Considerado um dos maiores responsáveis por conter rapidamente a disseminação de COVID-19 no Uruguai, Moratorio é um virologista do Instituto Pasteur e da Universidade da República, ambos em Montevidéu.

Adi Utarini

Pesquisadora de saúde pública, conduziu um teste pioneiro de uma tecnologia que poderia ajudar a eliminar a dengue.

Kathrin Jansen

Chefe de pesquisa e desenvolvimento de vacinas da empresa farmacêutica norte-americana Pfizer. Sua equipe conseguiu desenvolver uma vacina eficaz contra COVID-19 em um tempo recorde de 210 dias.

Zhang Yongzhen

Virologista do Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai. Foi o primeiro a compartilhar online o genoma do vírus causador de COVID-19, o que foi crucial para a identificação da doença em outros países.

Chanda Prescod-Weinstein

Cosmóloga e professora na Universidade de New Hampshire em Durham, ajudou a organizar o Strike for Black Lives, uma campanha online para exigir que as instituições enfrentassem o racismo na ciência e na sociedade. Com base em suas experiências como física mulher e negra, Prescod-Weinstein se dedica à luta contra o racismo e machismo na ciência.

Li Lanjuan

Epidemiologista da Universidade Zhejiang em Hangzhou. Ao ser enviada em Wuhan para avaliar o surto de COVID-19, a cientista de 73 anos pediu que a cidade de 11 milhões de habitantes entrasse em lockdown imediatamente.

[Nature]