Dois pescadores sortudos da Irlanda do Norte puxaram um crânio com enormes chifres, medindo 1,82 m de largura. O espécime extraordinário pertenceu ao extinto alce-gigante (ou alce-irlandês), que não é visto na Irlanda há mais de dez mil anos, conforme noticia o Belfast Live.

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Raymond McElroy e Charlie Coyle estavam pescando polan (um peixe-branco nativo da Irlanda) no Lago Neagh, um lago de água doce na Irlanda do Norte. Eles pescavam em uma área chamada de “Thorns” quando se depararam com os notáveis crânio e chifres, que ficaram presos em sua rede de pesca, de acordo com o Belfast Live.

“Ele veio na rede do lado do barco. Achei que fosse um pedaço de carvalho negro inicialmente”, McElroy contou ao jornal local. “Fiquei chocado a princípio, quando trouxe para perto e vi o crânio e os chifres. É muito bom.”

É, bem legal. Eu escolheria outra forma de adjetivar isso, algo que prefiro não reproduzir aqui, mas esses chifres são completamente incríveis, especialmente considerando quanto tempo eles ficaram no fundo de um lago. McElroy e Coyle fizeram a descoberta na última quarta-feira (5).

Imagem: Ardboe Gallery

Os restos, tirados de uma profundidade de seis metros, pertenciam a uma espécie extinta conhecida como alce-gigante (Megaloceros giganteus), às vezes chamada de alce-irlandês. O crânio quase intacto, com seus chifres ainda presos, mede 1,8 metro de largura, segundo o LiveScience. O crânio e os chifres ainda não foram datados, mas esse animal majestoso — a maior espécie de cervo que já existiu — desapareceu da Irlanda entre 10,5 mil a 11 mil anos atrás. O alce-gigante também existiu na Eurásia, com o último desaparecendo da Sibéria entre oito mil e seis mil anos atrás.

Versão de um artista para o alce-gigante. Imagem: Pavel Riha/Wikimedia

Há quatro anos, um osso da mandíbula inferior de um alce-gigante foi puxado do Lough Neagh basicamente no mesmo ponto, levando McElroy a suspeitar que ele pertencesse ao mesmo animal dono desse crânio e desses chifres. Os restos desses animais, a maioria dos quais foi encontrada na Irlanda, são muitas vezes localizados em pântanos e lagos.

Alces-gigantes eram realmente incríveis, medindo dois metros de altura, com os machos tendo chifres de até 3,04 m de largura. Esses chifres provavelmente eram o resultado de seleção sexual, já que não eram apropriados para o combate entre machos. Em termos de propósito, os chifres possivelmente intimidavam rivais e atraíam as fêmeas, segundo o Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia. Os chifres enormes representavam um fardo considerável para os alces-gigantes machos; em cima de suas cabeças, eles pesavam entre 28 e 40 quilos.

Em entrevista ao Belfast Live, o cientista Mike Simms, do Museu Ulster, disse que mudanças ambientais provavelmente causaram a extinção dessa espécie. No fim do Pleitosceno, as pradarias da Irlanda, onde o alce-gigante prosperou por milhares de anos, se transformaram em florestas. Isso foi um choque para o animal, que não conseguiu se adaptar. Um estudo de 2008 conduzido por pesquisadores da Universidade da Flórida concluiu que essas mudanças ambientais diminuíram a reprodução dos alces-gigantes pela metade.

Raymond McElroy com os chifres e o crânio de um alce-gigante. Imagem: Ardboe Gallery

O crânio e os chifres estão atualmente armazenados na garagem de McElroy até que as autoridades locais decidam o que fazer com eles. Esperamos que eles coloquem o espécime em exibição em um museu local para que todos possam vê-lo.

[Belfast Live via LiveScience]