A pesquisa TIC Domicílios de 2019 revelou que 58% dos brasileiros que acessam a internet usam exclusivamente o celular. O País conta com 134 milhões de usuários da rede, o que representa 74% da população com 10 anos de idade ou mais. Mesmo assim, ainda há um número muito grande de desconectados: cerca de 47 milhões.

O número de conectados cresceu na área rural: 53% da população diz ser usuária da internet. Pela primeira vez, a maioria dessa parte da população tem acesso à rede. O número também cresceu entre membros da classe DE: são 57%; em 2015, eram apenas 30%.



O aparelho celular aparece como um grande fator de inclusão. Na classe DE, 85% da população que acessa a internet o faz exclusivamente por esse tipo de dispositivo móvel. O celular também é a única forma de conectar-se à rede entre 65% da população preta e 61% da população parda que têm acesso à internet — entre os brancos, o número cai para 51%.

A dependência exclusiva do celular também é maior entre analfabetos e quem só fez até o ensino infantil: 90% dos que disseram acessar a internet usam apenas o aparelho móvel. Entre quem tem ensino superior, este número é de apenas 19%.

Quanto a faixa etária, os internautas adolescentes e idosos são os que mais usam exclusivamente o celular, com 65%. Entre essas duas faixas, o uso exclusivo do aparelho móvel é de 56%.

Por outro lado, o computador é mais frequente nas casas de renda mais alta. 95% dos domicílios da classe A têm computadores — na classe C, o número cai para apenas 44%, e na classe DE, somente 14%. No geral, 39% das casas brasileiras têm computador. O número vem caindo: em 2016, eram 50%.

Limitações

Essa inclusão é benéfica, mas ter acesso à internet apenas pelo smartphone acaba limitando as possibilidades de uso.

O acesso a serviços do governo pelo celular, por exemplo, é um dos problemas. Os órgãos públicos precisam investir em sistemas que funcionem nesses aparelhos para que eles sejam acessíveis a essa parcela da população.

Em declaração à Agência Brasil, Alexandre Barbosa, coordenador do Cetic.br, órgão responsável pela pesquisa, o patamar de uso de governo eletrônico entre quem só acessa a internet pelo celular é 30% menor do que entre quem usa também o computador.

Outra questão é que, ao usar o celular para acessar a rede, a dependência de planos de internet móvel pode aumentar. O pesquisador Rafael Evangelista, na mesma reportagem, diz que esse tipo de uso também acaba limitado por operadoras, que oferecem pacotes exclusivos para aplicativos de redes sociais e WhatsApp.

Outro problema que a Agência Brasil destaca nessa concentração de celulares é o alto número de usuários por antena. Enquanto a recomendação da União Internacional de Telecomunicações é de 1,5 mil usuários por antena, em alguns bairros da capital paulista, ele pode chegar a 10 mil usuários. O resultado disso são as franquias e as velocidades baixas.

A advogada Flávia Lefévre, integrante do Comitê Gestor da Internet e da Coalizão Direitos na Rede, lembra que essa limitação atrapalha estudantes da periferia, que acabam tendo dificuldade para acessar os conteúdos enquanto as aulas estão suspensas por causa da pandemia de COVID-19.

A pesquisa a TIC Domicílios está em sua 15ª edição anual. Ela é realizada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação). Ele é um departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br). Desta vez, ela realizou entrevistas em 23.490 domicílios em todo o território nacional entre outubro de 2019 e março de 2020.

[Cetic.br, Agência Brasil]