Já imaginou por que suas fotos nunca ficam tão incríveis quanto aquelas postadas por seu usuário de Instagram favorito? Provavelmente, existe muito pós-processamento rolando no Photoshop, algo que você não vê. Mas em vez de ficar mexendo em sliders por uma hora, cientistas da computação querem tornar incrivelmente fácil para mesmo fotógrafos amadores alcançarem resultados comparáveis aos de um profissional.

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Em um estudo recentemente publicado no servidor pré-impressão arXiv, intitulado Deep Style Photo Transfer, Sylvain Paris e Eli Shechtman, da Adobe, trabalhando com Fujun Luan e Kavita Bala, detalham uma nova abordagem de aprendizagem profunda para pós-produção e correção de cor, que automaticamente aplica estéticas visuais de uma foto (iluminação, cores, tom) a uma imagem completamente diferente, com resultados que ainda parecem fotorrealistas.

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Algoritmos de processamento de imagens como esses não são novos, mas os resultados frequentemente tendem a ter uma estética de pintura. Detalhes finos se perdem, linhas retas são deformadas e distorcidas, e as mudanças de cor, aplicadas a regiões amplas de uma imagem, o que está longe do ideal, já que exige mais processamento posteriormente, para consertar erros.

O objetivo aqui era uma transformação mais limpa, de um passo, então a equipe de pesquisa recorreu a redes neurais e aprendizagem profunda. São frases que são muito usadas hoje em dia quando se trata de inteligência artificial, mas que são abordagens essenciais para a automação de um processo complexo como esse. É impossível ensinar um software especificamente a identificar e processar cada objeto possível na Terra, mas, ao tê-lo fazendo correções em milhares de imagens de amostra, com um retorno quando o trabalho é bem-feito ou não, com o tempo o algoritmo irá se adaptar e aprender.

Eventualmente, mesmo sem ser ensinado sobre como um prédio é ou se parece, o algoritmo irá automaticamente saber que cores aparecendo nas regiões do céu de uma foto não deveriam ser aplicadas a estruturas feitas pelo homem. O novo algoritmo também é projetado para fazer ajuste apenas às cores e aos tons de uma imagem, então ele preserva detalhes e não produz nenhum efeito colateral de deformação.

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Os resultados são sempre perfeitos? Não. Como essa foto de uma paisagem nevada sendo transformada em um exuberante vale tropical revela, há algumas coisas que o algoritmo não contabiliza. Os detalhes de um campo cheio de plantas não podem ser mesmo recriados apenas corrigindo cores de uma planície coberta de gelo para parecer verde. Mas os pesquisadores descobriram que o algoritmo trabalha cerca de 80% do tempo sem a necessidade de qualquer ajuste manual.

Uma hora, esse software pode chegar ao Photoshop ou a outro aplicativo de processamento de imagem. E, embora fotógrafos talentosos provavelmente não gostem da ideia de alguém conseguir instantaneamente roubar seu estilo, os usos práticos de uma ferramenta como essa parecem prevalecer sobre essas preocupações. Se um cliente pede por uma versão noturna de uma foto que não existe, um fotógrafo poderia rapidamente fazer uma versão alterada sem perder uma hora com ajustes manuais no Photoshop.

No mínimo, uma tecnologia dessas pode ajudar o Instagram de todo mundo.

[Deep Photo Style Transfer via DPReview via PetaPixel]

Imagens: Fujun Luan