O Pix, nova forma de pagamentos do Banco Central que tem lançamento marcado para novembro, será gratuito para pessoas físicas e permitirá saques em lojas, segundo o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Campos Neto deu essas informações no discurso de abertura da 9ª reunião plenária do Fórum Pagamentos Instantâneos, grupo que engloba representantes de diversos participantes do sistema de pagamentos para discutir as medidas a serem tomadas pelo BC nesse tipo de serviço. O discurso está disponível em PDF no site do BC.

A preocupação com o custo das transações existia pois TED e DOC hoje podem chegar a custar quase R$ 20 por operação em grandes bancos. Em seu discurso, Campos Neto destacou que desde 2018 já estava definido que o BC funcionaria como “provedor da infraestrutura centralizada de liquidação” como forma de fornecer um sistema neutro, sem objetivo de lucro e aberto a uma participação ampla, incentivando a concorrência no setor.

O presidente do BC também disse confiar que as instituições participantes vão desenvolver modelos de negócios atrativos para oferecer o Pix a baixo custo para as empresas. Em abril, a autoridade monetária já havia declarado que não queria que houvesse cobrança de tarifas para prestadores de serviços.

Campos Neto também adiantou pela primeira vez que será possível realizar saques em lojas com o Pix. A ideia, segundo ele, é reutilizar o dinheiro do varejo no sistema como forma de aumentar as opções e a capilaridade.

A ideia parece ser a seguinte: ao fazer um saque, o cliente pega o dinheiro que estava na loja e a loja recebe a quantia em sua conta. Assim, o lojista não precisa ir fazer o depósito desse valor e o banco não precisa depender tanto de caixas eletrônicos e da reposição de valores. Além disso, mais gente circulando nas lojas (depois da pandemia, claro) pode ajudar a vender mais.

O Pix foi anunciado em fevereiro como potencial sucessor da TED e do DOC, além de boletos e cartões. O sistema promete dar mais agilidade e disponibilidade aos pagamentos e às transferências. No começo do mês, 140 instituições financeiras já haviam se cadastrado para participar da iniciativa — empresas com mais de 500 mil correntistas são obrigadas a oferecer o Pix.

As quantias seriam compensadas em questão de segundos e as transações poderiam ser feitas 24 horas por dia, sete dias por semana. TED e DOC, em comparação, só funcionam em dias úteis e em horários determinados, enquanto boletos e cartões de débito demoram para pagar os vendedores ou prestadores de serviços.

O Pix também promete praticidade, podendo funcionar com QR codes, CPF ou até mesmo com o número de telefone de quem vai receber o dinheiro.