A Intel finalmente deu detalhes sobre sua próxima arquitetura de GPU, chamada Xe, que irá alimentar os próximos processadores com gráficos integrados e também estará presente em placas dedicadas.

O Tiger Lake, processador portátil da Intel de 11ª geração, de 10nm, será o primeiro produto a ter o Xe. Porém, a empresa também disse que está projetando uma CPU portátil mais poderosa com gráficos integrados de codinome DG1, que será voltada para criadores de conteúdo.

Durante um evento para a imprensa, Raja Koduri, vice-presidente sênior, arquiteto chefe e gerente geral de arquitetura, gráficos e software da Intel, disse que a CPU DG1 também será lançada este ano.

A Intel também está trabalhando em uma GPU independente para os entusiastas de games, a Xe HPG, e sim, ela terá ray tracing dedicado via hardware. Koduri disse que essa novidade está programada para chegar em algum momento de 2021, mas não disse se estaria ou não disponível para desktop e laptops no lançamento.

Para dar algum contexto, a primeira geração de GPUs estava presente na última placa gráfica dedicada lançada em 1998. Entre as gerações de 5 e 11, as placas foram integradas às CPUs da Intel. (Tecnicamente, a geração 10 nunca existiu, pois foi limada junto com a linha de CPUs Canon Lake). Ou seja, essa nova arquitetura é importante porque deve vir integrada às CPUs e também como placa de vídeo independente.

Em um evento no início desta semana para a imprensa, a Intel confirmou oficialmente que sua GPU Xe dedicada terá ray tracing, mas também disse que melhorou seus gráficos integrados ao ponto de ser capaz de rodar games a 1080p com uma boa taxa de quadros por segundo.

A Intel vai revelar mais detalhes sobre sua GPU com ray tracing futuramente, além de dizer quais os fabricantes de laptops terão chips Tiger Lake. Por enquanto, a companhia revelou bastante coisa sobre sua arquitetura gráfica Xe e algumas das novas características que ela traz consigo.

No evento, a Intel se concentrou principalmente nas capacidades de sua microarquitetura gráfica Xe LP, que cobrirá a lacuna entre placas integradas e placas dedicadas de entrada e intermediárias.

A microarquitetura “continuará a impulsionar a experiência visual para PC, portáteis e ultra-portáteis”, disse David Blythe, diretor de arquitetura gráfica da Intel.

O desafio, de acordo com Blythe, era descobrir uma maneira de fazer uma GPU melhor dentro da mesma área de dados das GPUs integradas anteriores, e parece que a Intel conseguiu.

As placas gráficas Xe da Intel terão até 48 texels (semelhantes a um pixel de imagem), 96 EUs (unidades de execução), 1536 flops (cálculos de ponto flutuante), e até 16MB de cache L3, mais o dobro da largura de banda de memória.

Em comparação com o atual UHD Graphics 630 que está em muitas CPUs Intel, é um salto significativo no desempenho. A atual geração tem apenas 64 EUs, portanto a nova arquitetura não é 50% maior, como os rumores anteriores indicavam.

Apesar de não ter rolado tanto crescimento em unidades de execução, os rumores indicam que a Intel redesenhou completamente a microarquitetura Xe LP. Isso significa que sua 12ª geração de placas gráficas deve ser a mais potente já feita pela companhia, além de marcar a primeira vez que a empresa redesenha substancialmente sua arquitetura gráfica por várias gerações.

Entre outras coisas, Blythe disse que a nova arquitetura da Intel “permitirá uma jogabilidade muito mais ampla em 1080p” graças ao melhor desempenho e eficiência no Xe, incluindo “jogabilidade antes inalcançável em alguns títulos triple-A” em um formato portátil com gráficos integrados. Em outras palavras, jogar em laptops que não possuem placas dedicadas está prestes a ficar muito melhor.

Hoje, a placa integrada UHD Graphics 630 roda jogos como Far Cry 5 em 720p e configurações baixas com uma média de 17 quadros por segundo, de acordo com o Tom’s Hardware.

As variantes do Core i7-1065G7 com Iris Plus Graphics se saem melhor, mas não chegam no ideal de performance a 1080p/60 fps, atingindo uma média de 27 fps para a versão de 15W do processador, e 37 fps para a versão de 25 W.

A Intel exibiu algumas imagens de jogos em 1080p, incluindo PlayerUnknown’s Battlegrounds, Grid, Mount & Blade II: Bannerlord, Doom Eternal e Battlefield V, e embora tenha sido difícil de se checar o fps ou o cenário gráfico exato, as imagens foram consistentemente suaves e totalmente jogáveis.

A Intel mostrou uma comparação do Grid nas placas da 11ª geração em configurações baixas e nas placas Xe com configurações altas e a taxa de quadros parecia quase idêntica. Porém, é difícil avaliar corretamente a taxa de quadros e a qualidade gráfica em vídeos de gameplay via streaming.

O kit de desenvolvimento de software DG1 da IntelO kit de desenvolvimento de software DG1 da Intel (SDV) na CES 2020, em Las Vegas. Foto: Walden Kirsch/Intel Corporation

A Intel também mostrou uma comparação do Battlefield V sendo jogado em uma máquina com processador da 11ª geração de 25W ao lado de outra máquina com a 12ª geração Xe LP de 15 W.

A jogabilidade parecia idêntica, mais uma versão desacelerada do vídeo mostrava que a microarquitetura Xe LP era melhor para suavizar a ação das esteiras de um tanque de guerra enquanto estavam em movimento.

No lado do software, as placas Xe também incluirão uma nova otimização adaptável da GPU, que decide quando e como recompilar o sombreamento em qualquer cena. De acordo com a Intel, esta é uma mudança geral de driver, portanto não só faz parte da arquitetura Xe LP, mas a Intel também planeja habilitá-la para a 9ª e 11ª geração –embora a Intel não tenha dito quando exatamente isso estaria disponível para essas placas.

O Intel Xe também tem um novo recurso chamado Instant Game Tuning, que deve manter os jogos otimizados sem a instalação de um driver completo. Se você usa placa dedicada, você está familiarizado com a frequência com que precisa atualizar os drivers para aproveitar todos os recursos de um jogo.

O driver é necessário para obter o melhor desempenho nos jogos, e muitas vezes é direcionado a um jogo específico. A Intel diz que está eliminando isso ao fornecer atualizações de driver por meio de sua nuvem, para que os usuários nunca mais tenham que se preocupar em atualizar os próprios drivers.

Para acrescentar rapidamente algumas mudanças no lado de mídia: a Intel dobrou a taxa de transferência de codificação/decodificação, adicionou suporte a decodificador AV1, suporte a codificação de conteúdo de tela HEVC, reprodução 4K/8K60 e reprodução HDR/Dolby Vision. As placas Xe LP também terão suporte a DisplayPort 1.4, HDMI 2.0, USB4 Tipo C, e até 360 Hz de taxa de atualização e Adaptive Sync.

Tudo isso significa que parece que algo bom sairá do processo de 10nm da Intel, que foi adiado por tanto tempo. Além do desempenho da CPU, os gráficos integrados da Intel podem ter um grande ganho graças à arquitetura Xe.

Uma grande questão que resta agora é como o Xe LP irá se comparar aos gráficos integrados da AMD, que têm sido tradicionalmente superiores aos da Intel. A Apple também está se preparando para lançar seus próprios processadores com a arquitetura ARM e placa integrada, o que será outro ponto de comparação interessante.

Além disso, como a GPU com ray tracing da Intel se comparará à da Nvidia, ou mesmo à da AMD?

Até agora sabemos que os GPUs personalizadas que alimentam o Xbox Series X e PlayStation 5 têm ray tracing, mas não temos ouvido muitas coisas na área dos PCs. Sabemos que os GPUs de próxima geração da AMD terão o recurso, mas ainda não há notícias sobre a data de lançamento.

A 2ª geração de GPUs com ray tracing da Nvidia também pode estar chegando. Ainda assim, essa é uma novidade bem-vinda no mercado de GPUs que há muito tem sido dominado pela Nvidia, e tem o potencial de uma mudança maciça para o espaço de laptops mais em conta.