Poucos meses depois de descobrir o FarOut, o objeto mais distante conhecido no Sistema Solar, a mesma equipe de astrônomos detectou fracos — e ainda não confirmado — reflexos de um objeto ainda mais distante. Chamado de FarFarOut, o planeta anão extremo está a 13 bilhões de quilômetros de distância — uma distância tão grande que demora quase 20 horas para que os raios do Sol o atinjam.

O astrônomo Scott Sheppard, do Instituto Carnegie, deveria dar uma palestra na semana passada em Washington D.C. sobre a busca em andamento pelo hipotético Planeta Nove, relata a revista Science. Mas quando as intempéries o forçaram a adiar o evento, Sheppard decidiu analisar os dados astronômicos coletados por sua equipe em janeiro.

E foi quando ele o avistou — um objeto localizado a 140 unidades astronômicas (UA) da Terra, com 1 UA sendo a distância média entre a Terra e o Sol, que equivale a cerca de 149 milhões de quilômetros. O objeto recém-descoberto, provavelmente um planeta anão extremo, recebeu o nome de FarFarOut, potencialmente substituindo o FarOut como o objeto mais distante conhecido no Sistema Solar.

Em dezembro de 2018, Sheppard, juntamente com os colegas Chadwick Trujillo, da Universidade do Norte do Arizona, e David Tholen, da Universidade do Havaí, avistou o FarOut (ou 2018 VG18). um objeto do Cinturão de Kuiper de 500 km de largura localizado a 120 UA da Terra. No início do ano, a mesma equipe descobriu o Goblin (ou 2015 TG38), outro planeta anão extremo localizado a 80 UA. Todos os objetos, incluindo o FarFarOut, foram detectados por essa equipe com o telescópio japonês Subaru, de oito metros, localizado no topo do Mauna Kea, no Havaí. Outros objetos distantes anteriormente conhecidos incluem o Eris, a 96 UA, e Plutão, a 34 UA.

Imagem do FarFarOut, localizado entre os traços amarelos. Imagem: Scott Sheppard/Instituto Carnegie

Esse trio de astrônomos tem percorrido o Cinturão de Kuiper durante anos, conduzindo o maior e mais profundo levantamento jamais tentado na região. Essa busca poderia levar à descoberta do hipotético Planeta Nove, às vezes chamado de Planeta X, que acreditam existir devido à orientação anômala de alguns objetos nos alcances externos do Sistema Solar. O Planeta X ainda tem que ser achado, porém, com cada descoberta de outros objetos do Cinturão de Kuiper, astrônomos estão se aproximando de ou provar ou refutar sua existência.

“É empolgante olhar para um cé que ninguém nunca representou tão profundamente quanto a gente”, disse Sheppard ao Gizmodo. “Para parafrasear Forrest Gump, cada imagem que capturamos é como uma caixa de chocolates — nunca sabemos o que vamos encontrar.”

A capacidade de detectar objetos a distâncias tão extremas depende do tamanho do objetto, disse ele, e devemos ser capazes de ver grandes objetos mesmo que estejam muito longe. O FarFarOut tem cerca de 400 km de comprimento, o que está próximo da nossa capacidade atual de detectar objetos a cerca de 140 UA. Na verdade, na imagem mostrando O FarFarOut, o objeto aparece como uma fraca mancha de luz. Se fosse menor, o FarFarOut provavelmente teria evitado a detecção, explicou Sheppard. Dito isso, se objetos maiores que o FarFarOut existem além de 140 UA, devemos ser capazes de detectá-los.

“Cobrimos cerca de 25% do céu até hoje em nossa pesquisa, então provavelmente há alguns objetos maiores ainda mais longe do que o FarFarOut que devemos ser capazes de detectar”, disse Sheppard.

Por ora, a existência desse suposto planeta anão extremo não foi provada conclusivamente. Sheppard precisa vê-lo novamente para confirmar que ele está realmente lá e para confirmar sua órbita.

“No momento, só observamos o FarFarOut durante 24 horas”, disse ele. “Essas observações de descoberta mostram que o objeto está a cerca de 140 UA, mas ele poderia estar entre 130 e 150 UA de distância também. Também ainda não sabemos sua órbita, já que não fizemos as observações de acompanhamento necessárias.”

Para isso, Sheppard conta com a contribuição do clima. “Atualmente, estou no Chile, no Telescópio Gigante de Magalhães, e estamos esperando por um bom tempo nos próximos dias para conseguir observar novamente este interessante objeto”, afirmou.

[Science Magazine]