Motoristas de aplicativo no Reino Unido têm planos de desligar o aplicativo da Uber, enquanto protestam em quatro grandes áreas metropolitanas. A mensagem, coordenada pela proximidade da abertura de capital da Uber, é uma clara repreensão ao processo que deixará muitos funcionários ricos da noite para o dia, mas deixará os condutores nas mesmas condições de deterioração.

Os motoristas, organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Independentes da Grã-Bretanha (IWGB), têm planos de desligar o aplicativo por 9 horas no dia 8 de maio. Nos EUA, é sabido que motoristas de sete cidades planejam uma greve de 12 horas no mesmo dia. No caso do Reino Unido, Londres, Nottingham, Glasgow e Birmingham devem ser os locais a receberem protestos de motoristas insatisfeitos.

As demandas dos motoristas britânicos são semelhantes às dos condutores nos Estados Unidos — o que não é grande surpresa, considerando que os recursos que tornaram as plataformas tão valiosas para os investidores são o fato de serem insustentáveis para os trabalhadores. Especificamente, eles estão tentando aumentar os rendimentos, reduzir a comissão recebida pela Uber e fazer com que a empresa respeite uma decisão do Reino Unido de três anos atrás que descobriu que os motoristas de aplicativo são funcionários, não terceiros.

Brigas sobre este assunto estão espalhadas por várias partes, mas nos EUA elas são especialmente apaixonadas. Nova York adotou o primeiro piso de pagamento do país para os motoristas de aplicativo em dezembro, e apesar da resistência do Lyft, tribunais corroboraram a posição na última semana. Connecticut está considerando uma lei semelhante para o piso salarial, e a Califórnia poderá em breve aprovar um projeto de lei que tornaria significantemente mais difícil a classificação de funcionários como terceiros.

Apesar de uma fraca abertura de capital do Lyft, maior competidor da Uber nos EUA, a Uber acredita que terá um valor de mercado de US$ 90 bilhões, algo que James Farrar, do IWGB, chamou de uma “orgia internacional sem precedentes de ganância” para uma companhia que tem “um dos modelos de negócio mais abusivos a emergirem do Vale do Silício”.

As greves anteriores do IWG atraíram centenas de motoristas e, como em ações anteriores, o sindicato está solicitando aos passageiros que optem por não cruzar a linha de piquetes digitais no dia 8, escolhendo métodos alternativos de transporte.

Contatamos a Uber para comentar a iniciativa, mas não recebemos nenhuma resposta. Atualizaremos, caso eles se pronunciem.

[Telegraph]

Atualização: uma versão anterior deste post dizia que a abertura de capital da Uber seria em 8 de maio. No entanto, a listagem da empresa será no dia 10 de maio.