O Waze exibe o trânsito em tempo real graças à sua comunidade, e possui um recurso que mostra se há policiais na sua rota. Você também pode colocar um alerta no mapa caso encontre uma blitz ou algo do tipo. Só que os policiais não estão muito contentes, alegando que isso facilita perseguições a eles.

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Segundo a Associated Press, alguns policiais dos EUA acusam o Waze de auxiliar perseguições e até mesmo de ser uma ferramenta para quem queira matar policiais, já que o app mais ou menos revela a posição deles.

Eles querem que o Google – dono do Waze – retire completamente do app o recurso de rastreamento policial. Mas esse recurso não veio em uma atualização recente: isso existe há anos. Por que estão pedindo isso agora? Tem a ver com isto:

Conta de dontrunup no Instagram

À esquerda, está a interface do Waze, mostrando que outros usuários avistaram policiais por perto. À direita, estão os comentários do usuário “dontrunup” no Instagram. Seu nome real é Ismaaiyl Brinsley, que em dezembro matou dois policiais em Nova York (e depois se suicidou).

O motivo, supostamente, é uma vingança pela morte de Michael Brown e Eric Garner. Ambos foram mortos pela polícia dos EUA, mesmo estando desarmados. Nos dois casos, o júri decidiu que os policiais responsáveis não deveriam responder pelos atos nos tribunais. Isso aumentou as tensões entre população e polícia, motivando protestos no país.

Culpar o Waze pela morte trágica dos policiais é um completo erro. Até mesmo na imagem acima, uma seguidora de Brinsley sabe que o app é impreciso ao rastreá-los. O Waze funciona com informações dadas pelo usuário: quando alguém vê policiais, pode avisar no app; mas se eles forem embora, a informação não é mais precisa.

Além disso, investigadores não acreditam que Brinsley usou o Waze para o ataque contra os policiais, porque ele deixou o celular a 3 km de onde fez a emboscada.

Um porta-voz do Waze disse à AP que a empresa compartilha informações com a polícia de Nova York e de outros departamentos policiais ao redor do mundo.

A remoção desse recurso no Waze poderia abrir precedentes em outros países. E no Brasil, a polícia já se opôs a comunidades na internet de forma semelhante. Em 2012, a AGU (Advocacia Geral da União) exigiu que o Twitter bloqueasse perfis com informações sobre os locais e horários de blitze da Lei Seca.

O Ministério Público Federal saiu em defesa dessas contas, dizendo que é absurdo impedir o livre fluxo de informação na internet. Em 2013, o MPF pediu a extinção do processo. [Associated Press]