Diz a lenda que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. A ciência já tem provas de que isso é mentira: dezenas de pessoas já sobreviveram pra contar história. Mas qual a chance de um corpo celeste acertar exatamente a sua cama?

Foi dessa maneira pouco inusitada que Ruth Hamilton, uma moradora da cidade de Golden, no Canadá, acordou. No início desse mês, ela despertou ao ouvir o barulho de um estrondo no telhado e sentir destroços no rosto. Ao acender a luz, o motivo da bagunça estava sob seu travesseiro: um meteorito. Felizmente o objeto não a atingiu — mas foi por pouco. 

À Canadian Press, ela disse que não tinha sabia o que fazer na hora. Então, optou por ligar para a polícia. Quando os policiais chegaram ao local, pensaram se tratar de um objeto que havia escapado de uma obra que acontecia próximo à residência de Ruth. Mas estavam enganados. 

Passagem do meteorito foi registrada por usuários das redes sociais, como o fotógrafo amador Hao Qin (Imagem: Hao Qin Photography/Reprodução)

“O policial ligou para o canteiro de obras e eles disseram que não tinham feito uma explosão, mas que tinham visto uma explosão no céu. Ali mesmo, percebemos que era um meteorito”, disse à publicação.

Peter Brown, professor e presidente da Canada Research Chair que estuda pequenos corpos planetários, falou que as chances de um meteorito grande o suficiente penetrar um telhado e atingir uma cama são de cerca de uma em 100 bilhões por ano. Bem mais difícil que ganhar na Mega-Sena.

A origem do meteorito 

Alan Hildebrand, cientista planetário do Departamento de Geociências da Universidade de Calgary, disse à NPR que o meteorito — de quase um quilo — faz parte de uma chuva de meteoros. Alguns pesquisadores acreditam que o objeto provavelmente se destacou de uma rocha maior, dentro do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

Para confirmar essa hipótese, Brown está pedindo para os vizinhos e moradores de Golden “para verificar as câmeras de segurança de suas casas e empresas”, como forma de obter o vídeo do meteoro que cruzou o céu. Segundo o especialista, é de extrema importância no rastreamento da origem deste meteoro, e conhecendo sua origem, teremos uma chance muito melhor de contar uma história completa deste incrível evento astronômico. 

Assine a newsletter do Gizmodo

Quanto à Ruth, ela entregou o meteorito para cientistas estudarem, mas disse ao The New York Times que, quando eles terminarem, irá mantê-lo como um de talismã da sorte. Caso ela decida vender para colecionadores, o preço da grama pode variar entre US$ 40 e US$ 100. 

[NPR]