Durante a missão 2013, o foguete de sondagem Extreme Ultraviolet Normal Incidence Spectrograph (EUNIS) da NASA, examinou a luz do Sol por poucos minutos, mas coletou dados suficientes para manter os cientistas ocupados por um bom tempo. Agora, a nova missão EUNIS que foi lançada em maio deste ano, carregou consigo um novo instrumento mais atualizado para ver o Sol de forma mais ampla

EUNIS faz parte de um veículo espacial que faz voos curtos – e é mais barato em relação às sondas que ficam orbitando durante muito tempo. A ideia da NASA é observar o Sol em uma faixa de raio ultravioleta que não penetra na atmosfera da Terra. 

Para isso, a equipe adicionou um novo canal para medir comprimentos do raio entre nove e 11 nanômetros. (Os comprimentos de onda da luz visível estão entre 380 e 700 nanômetros).

Parece coisa boba, mas Adrian Daw, físico espacial do Goddard Space Flight Center da NASA e principal investigador do EUNIS, fez até um trocadilho dizendo que essa é “uma região de comprimento de onda muito ‘quente’ para estudar”.

Em 2013, os cientistas estavam observando uma região ativa do Sol, uma área magnética que muitas vezes era o cenário de erupções solares (na atmosfera)- explosões repentinas na superfície do Sol causadas por mudanças no campo magnético. Esses fenômenos liberam partículas de radiação que podem atingir a Terra.

Contudo, ao analisarem com mais cuidado, perceberam que uma linha espectral (região de emissão ou absorção – constituída por linhas definidas, correspondendo cada uma delas a um comprimento de onda) de ferro havia perdido 18 de seus 26 elétrons. A perda de elétron dá resultado ao íon, e para que isso ocorra, a região teve que ser aquecida a temperaturas muito mais altas do que a equipe esperava. 

Jeff Brosius, cientista espacial da Universidade Católica em Washington, e membro da equipe EUNIS, explicou que a temperatura seria em torno de 7 milhões graus Celsius.  

E isso é justamente o que intriga os cientistas; por que a atmosfera do Sol é muito mais quente do que seu solo?  Enquanto a superfície do Sol ferve a cerca de 5 mil graus Celsius, sua camada mais externa, conhecida como corona, é 300 vezes mais quente, ainda que esteja distante do núcleo.

Os pesquisadores da NASA buscam uma explicação para esse fenômeno. A teoria mais aceita é de que o aquecimento coronal conta com o elemento ferro superaquecido. A teoria das ‘nanoflares’ afirma que a atmosfera solar é aquecida por uma série de minúsculas explosões magnéticas que trabalham em conjunto para aquecê-la. Essas nanoflares são geralmente minúsculas e quase não dá para ver. Apesar disso, devem deixar para trás explosões de calor gigantescas como a equipe observou. 

No último voo de EUNIS, os instrumentos altamente sensíveis foram modificados para capturar linhas espectrais ainda mais brilhantes do mesmo ferro ionizado. Brosius explicou que ao observar linhas mais fortes, a equipe espera detectar a emissão fraca desses íons em uma área ainda maior do que antes. 

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Poder medir o comportamento do Sol, além de imagens, é muito útil para os cientistas alinharem os dados disponíveis de várias outras missões que também estão observando o Sol. EUNIS se juntou ao Interface Region Imaging Spectrograph da NASA , o Solar Dynamics Observatory da NASA e a Japan Aerospace Exploration Agency e Missões do satélite Hinode da NASA.

Essa é a primeira vez que ciência solar está utilizando um instrumento chamado espectrômetro de imagem. O que acontece, geralmente, é a ciência utilizando espectros focados em um único ponto do Sol. Daw disse que ninguém nunca olhou para o Sol dessa maneira. 

[SciTechDaily]