Quer você queira, quer não, o 3D doméstico veio para ficar. A indústria, ao menos, quer. Na IFA, todos os grandes fabricantes reservaram os seus maiores espaços às TVs que exibem conteúdo em três dimensões e é consenso de que a função adicional será tão natural quanto “colorido”, e a transição será rápida, como o Full HD que foi incorporado definitamente às funções básicas das TVs finas (Lembrando sempre que uma TV 3D é uma TV normal que pode exibir conteúdo 3D). Por aqui, eu provavelmente peguei conjuntivite de tantos óculos que compartilhei com pessoas diferentes para testar todos os modelos possíveis. Mas meu olho ardeu, de quase chorar, neste estande da Panasonic. Essas pessoas estão olhando para o que vai, na minha humilde opinião, fazer a tecnologia definitivamente pegar:

Esportes. Mais especificamente dois eventos: a Eurocopa (para os europeus) e as Olimpíadas de 2012 (para o resto do mundo). Como não há consenso científico sobre em qual mês do fatídico ano a humanidade acabará, provavelmente todas as atenções do mundo estarão voltadas para a Europa e ambos serão transmitidos ao vivo em 3D. E as demonstrações da tecnologia mais impressionantes, de longe, foram as de esporte. Ver uma prova de atletismo com o vencedor cruzando a linha em primeiro plano de fato ou um jogo de futebol onde dá para você saber de verdade para onde a bola está indo quando um escanteio é cobrado é sensacional. A Sony, que gravou a Copa em 3D, mostrava os melhores momentos da final em em suas TVs. Todo mundo assistia até o final, e a coisa era tão emocionante que o povo comemorava os gols de novo. O slogan "Imagine estar lá" era extremamente apropriado.



Sim, os óculos ainda são um inconveniente, mas o 3D aplicado aos esportes é melhor por alguns motivos técnicos, não só emocionais. Se você teve a chance de ver algum filme ou jogar com os óculos, deve perceber alguns problemas em cenas muito rápidas, especialmente as que têm o movimento lateral de câmera: falta fluidez, e o "motion blur", que já está sendo solucionado nas cenas 2D em TVs mais novas (de 200 ou 400 Hz) ainda é bastante presente nessa primeira leva de TVs 3D. 

No caso dos esportes, como a câmera tende a ficar fixa ou se mexer pouco e lentamente, o 3D funciona efetivamente melhor, e as imagens são bastante nítidas o tempo todo, além de "cansar" menos, já que não confundem tanto o cérebro com mudanças bruscas de perspectiva. E o que é melhor: aliado à interatividade da transmissão digital, permitirá coisas mais interessantes: em uma partida de tênis, você poderá ver o jogo no canal "30.1", onde a câmera estará fixa atrás de Federer, ou no "30.2", atrás do Nadal. A operadora Sky europeia, que já transmite partidas da Premier League em 3D, já está experimentando esse formato. É ver para crer.

* O Gizmodo Brasil viajou a Berlim para cobrir a IFA a convite da Philips.