Você sabe que quase todos os nossos gadgets usam peças – ou são montados – na China. E o preço dessas peças e aparelhos deve subir, devido a um aumento de 20% no salário mínimo chinês em janeiro.

O aumento vale só para a província chinesa de Guangdong, mas nos afeta: é lá onde estão grandes empresas de eletrônicos, além de estatais e empresas provadas de pequeno e médio porte. Isso significa que ela responde por uma boa parte da produção industrial da China, o que a torna bastante influente no país – ou seja, o restante da China deve aumentar o salário mínimo também.

O efeito disso para os chineses, nós esperamos, é um aumento na qualidade de vida. Lembre que, na onda de suicídios da Foxconn, a solução apresentada (além das redes nos apartamentos) era o aumento de salário. Por sua vez, para quem compra gadgets, tudo feito na China vai ficar mais caro – inclusive os gadgets que você planeja comprar ano que vem.

Algumas empresas podem pensar em realocar sua produção, indo para países como Bangladesh e Índia, mas apesar de haver trabalhadores baratos em outros lugares do mundo, em escala ninguém ganha da China.

Nós já vimos como fatos do outro lado do mundo – como a enchente na fábrica da Western Digital, na Tailândia – podem afetar os preços: discos rígidos de repente ficaram bem mais caros.

No fim, isto pode ter o efeito de redistribuir renda, tirando dinheiro de países ricos que compram gadgets e levando-o para trabalhadores na China. Só espero que o Brasil não pague mais caro por isso. [Global Post]

Foto por Robert S. Donovan/Flickr