Novos arranha-céus estão sendo construídos principalmente na China e nos Emirados Árabes, mas o ocidente também tem o seu boom de prédios altíssimos. Ao menos quatro edifícios com mais de 300 metros de altura estão sendo erguidos nos Estados Unidos – mais precisamente, na West 57th Street, em Nova York. Sim, todos na mesma rua.

O boom em Manhattan é residencial, graças principalmente a ricos investidores que acreditam que condomínios em Midtown Manhattan são um investimento estável que qualquer um pode fazer atualmente. O The Wall Street Journal declara “uma nova era de arranha-céus” enquanto Matt Chaban, do The Observer, questiona “quantas torres luxuosas podemos enfiar na 57th Street?”

Mas o que há de mais marcante neste boom? A sua geografia. Ao menos seis grandes projetos de edifícios estão sendo propostos em apenas uma rua – West 57th – para subirem nos próximos anos. Quatro deles vão competir pelo título do meio prédio da cidade, baseado em altura habitável (em vez de altura do pináculo, no qual o One World Trace será o maior), e um deles vai ser a maior torre residencial no hemisfério ocidental. E nesta pequena faixa da cidade, uma corrida de construção está sendo disputada por investidores ansiosos para conseguir uma fatia dos imóveis mais valiosos da América – e também está criando algumas peças bem insanas de arquitetura.

O mais modesto dos projetos é o One57, um condomínio de 300 metros de altura que está próximo de ser finalizado (veja a foto abaixo). Este foi o projeto que incentivou os novos na mesma rua. Por que? Porque ele ganhou destaque graças à velocidade das vendas dos seus apartamentos – em uma época em que os valores de propriedade estavam oscilando – e atingiu um recorde de maior preço já pago por uma residência em Nova York – US$ 90 milhões.

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Então temos o 432 Park, um edifício de 425 metros de altura criado pelo infame “arquiteto do raio mortal” Rafael Vinoly. Localizado em um quarteirão ao sul da West 57th no lugar onde anteriormente estava o Drake Hotel, que foi demolido para dar espaço a esta torre, ele está subindo com velocidade e a previsão é que esteja pronto em meados de 2014. As janelas do prédio são de vidro, e o condomínio terá algumas instalações para seus moradores, como um campo de golfe. Ele vai superar o One57 e será o prédio residencial mais alto do ocidente.

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No fim de agosto, a Nordstrom desembolsou mais de US$ 100 milhões para iniciar a construção de uma torre de 470 metros de altura na altura do número 225 da West 57th Street, que terá o design feito pelos arquitetos do Burj Khalifa, da empresa Adrian Smith + Gordon Gill Architecture. O projeto ainda precisa de aprovação da cidade, então temos apenas uma vaga ideia de como ele será. Mas, quando receber sinal verde para construção, será maior que a Willis Tower de Chicago e se tornará o maior prédio residencial dos Estados Unidos.

O participante mais recente do grupo dos arranha-céus de Nova York é um projeto da SHoP Architects e da JDS Development Group, que anunciaram planos de construir um prédio de 410 metros de altura no começo deste mês. Será o segundo prédio mais alto da cidade (e o quarto do país), mas ganha destaque por outra característica: sua largura é de apenas 12 metros.

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Para uma casa normal isso talvez não pareça muito notável, mas é algo inédito para um arranha-céu dessa altura. A maior parte dos prédios altíssimos contam com bases mais largas para suportarem a força lateral do vendo e o movimento sísmico dos seus andares mais altos. A SHoP não comentou o design estrutural da torre quando entramos em contato, mas é algo bem único. E como cada andar tem apenas 12 metros de largura, cada unidade vai ocupar um andar inteiro do prédio. Em outras palavras, será um prédio para apartamentos luxuosos. E, mesmo para outras torres residenciais construídas na cidade na última década, é um risco incomum. Mas considerando a demanda por apartamentos que custam dezenas de milhões de dólares, não é algo surpreendente.

Algo ruim seguirá este boom? Provavelmente sim. O Índice de Arranha-Céus, uma teoria controversa que correlaciona a construção de torres cada vez mais altas com recessão econômica, nos diz que a competição intensa de construções cada vez mais alta normalmente é causada por uma bolha insustentável. De acordo com o Índice, a taxa de juros cai e as empresas se expandem – e escritórios maiores são construídos, já que de uma hora para outra é menos caro para fazê-los.

Mas o que há de único neste boom é que os prédios são residenciais – não são espaços para escritórios, o foco tradicional do Índice. Ele está sendo conduzido por milionários que querem investir em propriedades residenciais. Então apenas o tempo nos dirá se estamos vendo uma bolha astronômica que em breve explodirá como muitas outras no passado, ou se Manhattan continuará sua jornada para se tornar um domínio de super-ricos.

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Renderização de Manhattam por sbarn via New York Yimby.

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Imagem de topo inspirada pelo usuário sbarn via New York Yimby.