O rover Perseverance está se preparando para perfurar algumas rochas marcianas, e os cientistas da missão viram evidências de antigas inundações no leito seco na cratera Jezero de Marte. A NASA compartilhou as atualizações durante uma conferência de imprensa no Jet Propulsion Laboratory em Pasadena, Califórnia.

O rover pousou em Marte em fevereiro, e sua missão científica oficialmente começou em junho, após verificações operacionais em seus instrumentos e os históricos voos feitos pelo helicóptero Ingenuity. Até agora, o Perseverance dirigiu cerca de um 1 metro, com cautela por conta das formações rochosas ao longo do caminho. Essas formações dão esperança sobre a história geológica do Planeta Vermelho, e algumas delas são locais promissores para investigação de evidências de vida, que os pesquisadores acreditam que possam ser semelhantes aos estromatólitos encerrados em rochas antigas da Terra. No final das contas, as amostras de rocha coletadas serão entregues à missão e trazidas para a Terra – esses serão os primeiros materiais recuperados de Marte.

Perseverance tem dirigido perto de Martian Séítah, um perigoso trecho de dunas de areia em que o rover poderia facilmente emperrar. Olivier Toupet, o líder da equipe de navegação, disse que uma grande melhoria em seu sistema de inteligência artificial fez com que a máquina pudesse pensar sobre para onde irá a seguir enquanto estiver dirigindo, um grande passo além da navegação anda-e-para de rovers anteriores.

O tempo todo, o Perseverance tem conduzido demonstrações tecnológicas que servirão de base para as futuras missões. Outra demonstração além do Ingenuity, foi o MOXIE, no qual o Perseverance gerou uma pequena quantidade de oxigênio na superfície marciana, o que tem enormes implicações para as ambições humanas além da Terra. “Este experimento está alimentando essas missões futuras onde queremos extrair oxigênio, que gostaríamos de usar para que os astronautas humanos respirassem e até mesmo lançassem veículos”, disse Jennifer Trosper, gerente de projeto do Perseverance, durante a coletiva de imprensa.

O destino final do rover é chamado Three Forks, região marciana que demarca a foz de um rio seco e que começa a partir de Jezero. No caminho, ele visitará vários pontos interessantes, incluindo o Crater Floor Fractured Rough, o primeiro local de pesquisa. 

A NASA não tem certeza se o local é ígneo -relativa ao fogo – ou sedimentar, cuja resposta informará os cientistas sobre como Jezero se formou e quais pistas sobre a vida que ele poderia conter. Os pesquisadores esperam que o leito do lago contenha algumas das rochas mais antigas, e o rover terá a chance de ver antes de chegar ao delta do rio.

“Uma das hipóteses que estamos tentando testar é que o lago que uma vez encheu Jezero não esteve lá apenas uma vez, mas passou por vários episódios de enchimento, secagem e enchimento novamente”, disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance da Caltech, durante coletiva de imprensa. “Isso é muito importante porque significa que teremos vários períodos de tempo em que poderíamos aprender sobre as condições ambientais em Marte, e vários períodos de tempo em que poderíamos ser capazes de procurar por vida antiga que poderia ter existido no planeta.”

Farley disse que as imagens tiradas pelo Perseverance indicaram que o antigo lago de Jezero tinha diferentes níveis de água em épocas diferentes. Um dos maiores pontos de interesse até agora na missão, é um afloramento rochoso ao sul do local de pouso do rover apelidado de Artuby, em homenagem a um rio no sul da França. Artuby parece ser lama marciana fossilizada, exatamente o tipo de material estagnado do antigo lago que a NASA deseja investigar.

Foto: NASA / JPL-Caltech / LANL / CNES / CNRS

Primeiro o rover irá desgastar a superfície da rocha para limpá-la de quaisquer elementos que possam dificultar a coleta da amostra, como a poeira marciana. Em seguida, o Perseverance extrairá um núcleo de rocha e o selará em um tubo de amostra dentro do rover. Esse tubo será eventualmente, se tudo correr bem na próxima década, trazido à Terra por outra espaçonave.

“Muito do que temos feito recentemente, tanto na Terra quanto no veículo, é uma preparação para a primeira amostra”, disse Trosper. “Estamos prontos e esperamos obter essa primeira amostra nas primeiras semanas de agosto.”

Embora o Perseverance ainda não tenha retirado nenhuma rocha, ele processou um de seus cinco ‘tubos de amostra’. Os tubos de amostra são muito semelhantes aos tubos destinados às rochas coletadas, mas contêm materiais que detectam contaminantes. Tubos de amostra são abertos e selados para capturar exatamente o ambiente de Marte, antes de extrair qualquer rocha. Dessa forma, quando todos os tubos forem devolvidos à Terra, os cientistas da NASA saberão se alguma contaminação terrestre esteve presente durante a coleta de amostra.

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Existem 38 outros tubos destinados a coletar amostras – são 38 oportunidades para nós, terráqueos, vermos o que forma o planeta Marte, se o ambiente mudou, se alguma coisa já viveu lá. Thomas Zurbuchen, o administrador associado de ciência da NASA, disse que as amostras devem chegar à Terra no início de 2030.