Provavelmente eu. E quem mais? É o que vamos começar a descobrir dia 21 de outubro na Europa e Ásia, 8 de novembro nos EUA, e sabe-se lá quando no Brasil. Essas são as datas de estreia do Windows Phone 7, sistema operacional para smartphones que nos empolgou bastante. Hoje, desrespeitando quem queria enforcar o feriado, a Microsoft organizou uma coletiva nos EUA para apresentar melhor o WP7 e seus aparelhos. E ficamos ainda mais ansiosos.

Para ter uma noção exata do que é o Windows Phone 7, vá para este post nosso onde nosso amigo Matt Buchanan disseca o sistema. Para quem ainda não ouviu falar, rapidamente: o WP7 ignora a tendência de várias telas iniciais e ícones de aplicativos para tentar concentrar as informações relevantes em "hubs". No de imagem, por exemplo, há desde as fotos que seus amigos mandaram para o Facebook até as suas favoritas que você tirou. A ideia é que você não fique alternando entre apps: tudo relacionado a algum assunto (música, jogos, fotos) estará num mesmo lugar.

E há os quadradinhos, os famosos "tiles", que ficam se atualizando o tempo todo. Você pode customizar isso para dar uma cara bem pessoal a seu telefone, como por exemplo colocar quadradinhos dos seus amigos que serão atualizados com fotos, updates no Facebook e Twitter e mensagens – de novo, a ideia é que não seja preciso entrar nos aplicativos para ter as informações mais relevantes (como widgets do Android ou Symbian, só que de maneira mais coesa e animada). 

 

Quem quer isso?

Essa é a pergunta de 1 bilhão de dólares. O Android se deu bem justamente por imitar o sistema do iPhone – e depois adicionar coisas próprias interessantes. Até o Symbian se parece cada vez mais com o iOS. O Windows Phone 7 vai por um caminho que é, para muita gente, estranho. Será que as pessoas vão se acostumar com essa arquitetura de informação totalmente diferente? 

A primeira onda de compradores de Windows Phone 7, ao menos nos EUA, pode ser a de donos de Xbox 360, por causa da sua fantástica integração com a Xbox Live. Jogar Tetris (que estará disponível no lançamento) no celular pode liberar achievements e pontos para o Gamerscore. Parece bobo? Cerca de 20 milhões de Xbox 360s já foram vendididos por lá e pode apostar que há gente o suficiente que faz coisas bobas por pontinhos e troféus a mais. E há, é claro, a questão da plataforma já sair com alguns jogos sensacionais. Se o marketing for bem feito, há uma chance boa de atingir esse público lucrativo.

Em segundo lugar, estariam os executivos, não totalmente satisfeitos com o rumo do Blackberry. Durante a apresentação, deu pra ver a capacidade do Windows Phone 7 de ler e editar arquivos do Office – até aqueles .ppts mais complicados, cheios de animação. A sincronização constante de tudo com a nuvem (como no Onenote, gratuito), o suporte ao Exchange e sincronização completa com Outlook, devem agradar as pessoas de terno. Acrescente o fato de que alguns dos aparelhos terão teclado físico, que alguns fazem questão, e há mais potencial aqui.

Esses dois públicos, mais malucos que gostam de Zune HD e precisam comprar todas as novidades (eu), poderão puxar as vendas no início. Se a resposta for boa e esse pessoal ficar satisfeito, o Windows Phone 7 poderá ter vida longa. Não será fácil.

 

Quem não quer?

Basicamente quase todo mundo, até que a Microsoft os convença do contrário. Dificilmente alguém acostumado com o iPhone, especialmente quem experimentou o iPhone 4, trocará seu aparelho agora. A interface do WP7 é bem diferente e há a questão dos aplicativos. Muita gente já investiu centenas de dólares em apps e não ficará feliz em trocar isso. 

O Android anda a passos largos para se tornar definitivamente o sistema operacional dominante, e com aparelhos com hardware cada vez mais potente deverá continuar sendo a escolha de uma boa parcela de geeks preocupados com o último avanço tecnológico. Não faltam aplicativos também, o que é outra vantagem (o Windows Phone 7 deve começar com poucos – menos de 5 mil, certamente)

O preço dele provavelmente será alto no Brasil (nos EUA, custará o mesmo que o iPhone), então a classe "deixa eu arriscar pra ver se é bom" será menor. Ele não terá versões básicas e baratas, então a gigantesca fatia cobiçada por Nokia e fabricantes de Androids baratos não estará ao alcance da Microsoft.

 

E o hardware? 

Compilamos todos os lançamentos em outro post aqui. Mas o que você precisa saber: há uma configuração mínima (um processador de 1 GHz, resolução 800 x 480, semelhante aos melhores Androids e um pouco pior que do iPhone 4) para que os desenvolvedores tenham menos preocupação em escalonar seus aplicativos. A padronização ajuda em outro quesito:a Microsoft prometeu updates universais para o sistema, como o iOS, e bem diferente do Android. Os bichinos são rápidos

 

Brasil

E o Brasil nessa história toda? A Microsoft nos disse hoje, após a coletiva, que a notícia sobre o lançamento no Brasil é que não há notícias. Em conversas com executivos que tivemos antes, nos garantiram que no máximo 6 meses depois do lançamento mundial – lá para maio de 2011 – ele estaria aqui. Outras fontes dizem que pode haver uma surpresa e ele chegar bem mais rápido, até para o Natal. Hoje, o Zune, software para tocar mídia no Windows (sensacional) e ferramenta fundamental para integração com o Windows Phone 7, apareceu disponível para download em português do Brasil, o que é um bom sinal. Falaremos especificamente sobre ele depois.

Os desenvolvedores, pelo menos, já podem começar a e vender no Windows Phone Marketplace. Pagando US$ 99, terão direito a publicar quantos apps pagos quiserem mais cinco gratuitas. O sistema de remuneração é o mesmo: 70% para o autor, 30% para a Microsoft. (Mais informações aqui). Tudo parece estar no caminho para um lançamento breve. 

Mas e o reconhecimento de voz? Os joguinhos da Live para celulares (lembre-se que a App Store do iTunes não libera joguinhos pra cá)? E o ótimo Bing Maps, vai ter versão nacional? E o Zune Pass, para comprar música? É muito difícil saber quão bem a experiência integrada vai se traduzir para nós. Mas, de todo modo, de novo, é a primeira vez desde o iPhone em 2007 que alguém tenta um caminho efetivamente diferente em termos de interface, com elegância e simplicidade. Estamos ansiosos para por as mãos nele.