A Fundação Raspberry Pi tem registado um aumento recente na demanda de placas devido à pandemia de COVID-19. Parte dessa demanda vem de pessoas que experimentam computadores baratos para matar o tempo em casa, mas a fundação está reservando parte de seu estoque do Pi Zero para respiradores de hospitais.

Esses computadores de placa única, que custam US$ 5, não são apenas ideais para uso como placas de controle, como também a Fundação Raspberry Pi tem capacidade de produzi-los rapidamente para os fabricantes de ventiladores.

Muitas vezes é difícil aumentar a produção para placas de controle, porque existem muitos componentes que fazem parte delas. E, dependendo da disponibilidade desses componentes, os prazos de entrega podem se estender para semanas ou meses.

O CEO e fundador da Raspberry Pi, Eben Upton, disse ao Tom’s Hardware que a empresa “constrói para estocar” em vez de “construir por encomenda”, para que esteja preparada para lidar com uma demanda repentina, pois possui prazos de entrega mais curtos.

Mas mesmo o Raspberry Pi não está imune à escassez, graças à demanda do setor privado e médico. A empresa produziu 192 mil Pi Zeros durante o primeiro trimestre deste ano, mas Upton disse ao Tom’s Hardware que deseja aumentar este número para 250 mil, e o preço e as especificações simples de hardware o tornam ideal para respiradores.

“Acredito que o interesse nos Pi Zero se deve principalmente a oferecer computação suficiente para os requisitos relativamente modestos de um ventilador”, disse Upton.

O Pi Zero é o menos robusto de todos os Pis. Ele tem apenas um processador Broadcom BCM2835 de 1 GHz de núcleo único e conta com 512 MB de RAM. Por outro lado, o Raspberry Pi 4B custa US$ 35 e conta com um SoC Broadcom BCM2711 de quatro bits Cortex-A72 de 64 bits e 1 GB de RAM. Como o Pi Zero possuir poder processamento suficiente para os ventiladores, faz sentido usá-los em vez dos Pi 4 do ponto de vista de custos.

Embora os ventiladores baseados em Raspberry Pi não estejam sendo testados nos EUA, uma equipe médica na Colômbia atualmente está testando um com base em um projeto que usa peças fáceis de encontrar, como válvulas de carro.

Se o projeto for um sucesso, a equipe da Colômbia testará o ventilador primeiro em animais e depois em humanos. Enquanto isso, outras empresas do ramo da computação, como a Maingear, estão construindo ventiladores a partir de peças prontas para uso. Os engenheiros também estão trabalhando para transformar bombas para tirar leite materno em ventiladores para ajudar a aliviar a escassez.