Durante uma missão da Unesco, mergulhadores encontraram um recife de corais raro a mais de 30 metros de profundidade no mar do Taiti, na Polinésia Francesa. O achado chamou a atenção do grupo tanto pela distância na superfície — uma vez que esses ecossistemas precisam de luz para prosperar e costumam ficar em áreas rasas — quanto pelo seu ótimo estado de conservação.

Os cientistas encontraram o tal recife de corais em novembro de 2021, mas só agora sua existência veio a público. Ele tem cerca de 3 quilômetros de extensão e 65 metros de largura. De acordo com a Unesco, este é “um dos mais extensos recifes de corais saudáveis já registrados”.

Em 2019, a Polinésia Francesa sofreu um evento significativo de branqueamento. Mas este recife não parece ter sido afetado. Os pesquisadores acreditam que estes corais, por estarem localizados em regiões mais profundas, sejam menos afetados pelas mudanças climáticas. 

São os picos de temperatura do oceano que causam estresse nos corais. Em situações do tipo, estes seres acabam expulsando as algas fotossintetizantes que vivem em seus tecidos, restando apenas seus esqueletos brancos. O programa ambiental das Nações Unidas (Unep) sugere que todos os corais do mundo podem sofrer branqueamento até o fim do século.

Recifes de corais com as proporções deste encontrado no Taiti podem levar até 25 anos para se desenvolver. Muitas espécies vivem e dependem desses ecossistemas. Os pesquisadores da Unesco acreditam que haja mais recifes como esse nas profundezas do oceano, que devem ser agora mapeados e protegidos.

De acordo com Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, apenas 20% do fundo do mar já foi mapeado. “Até o momento, conhecemos a superfície da lua melhor do que o oceano profundo”, constatou. Equipamentos mais modernos, como o utilizado nesta missão, devem ajudar a aumentar este número.