O Google tem um conjunto de diretivas para fabricantes de aparelhos Android chamada Android Compatibility Definition Document (CDD). Este documento basicamente define o que as fabricantes precisam fazer para assegurar que seus dispositivos sejam compatíveis com a plataforma.

Cabos baratos do novo padrão USB podem fritar seu computador ou celular
Uma correção de software pode impedir que cabos do novo padrão USB destruam dispositivos

O CDD foi atualizado nesta última semana para o Android 7.0 (Nougat), e ele conta com mudanças interessantes relacionadas ao carregamento dos produtos, especialmente sobre o assunto USB-C. Como notou o Ars Technica, o Google agora está recomendando que fabricantes usem a tecnologia de carregamento rápido USB Power Delivery, e não soluções proprietárias.

Diz o CDD:

É altamente recomendável que dispositivos com USB tipo C não ofereçam suporte a métodos proprietários de carregamento que modificam os níveis padrões de voltagem Vbus, ou alterem/baixem a função dela, pois isso pode resultar em problemas de interoperabilidade com carregadores ou dispositivos que tenham suporte aos métodos do padrão USB Power Delivery. Embora chamemos isso de altamente recomendável, no futuro versões Android vão exigir que dispositivos USB tipo C devem ter interoperabilidade total com carregadores tipo C padrão.

Carregamento rápido é agora um recurso comum entre dispositvos Android. É uma funcionalidade excelente, pois ninguém quer desperdiçar horas carregando um aparelho se você pode rapidamente fazê-lo em alguns minutos. Atualmente, há algumas opções competitivas de carregamento rápido USB. A Qualcomm, que faz chipsets para a maioria dos smartphones topo de linha, tem sua própria tecnologia chamada Quick Charge. Aparelhos da ASUS, HTC, Xiaomi, LeEco, LG, ZTE e Sony também usam a Quick Charge.

No entanto, existe um padrão oficial chamado USB Power Delivery (USB-PD), e é este o padrão que o Google quer que todos os fabricantes usem. Isso faz sentido, pois se concentrar em um padrão certificado em vez de uma solução proprietária se encaixa melhor ao ethos “aberto” proposto pelo Google.

Como a editora de reviews do Gizmodo US, Alex Cranz, notou, isso pode ser também um aviso para a Samsung. A empresa sul-coreana usou uma tecnologia de carregamento rápido proprietária no Galaxy Note 7. Nós ainda não sabemos a real causa das explosões do Note 7 — a Samsung diz que ainda está investigando — mas uma das primeiras teorias sobre o assunto apontava o mecanismo de carregamento rápido como parte do problema.

Ainda que seja apenas uma recomendação, esta decisão do Google pode se tornar um requisito no futuro, o que não é uma notícia nada boa para a Qualcomm, que geralmente oferece a tecnologia Quick Charge como parte dos chipsets Snapdragon.

O Google ainda faz outra recomendação para carregamento de dispositivos USB-C, e esta faz sentido que todos adotem. De novo, as recomendações do CDD:

Dispositivos com USB-C devem detectar as correntes de 1,5 A e 3 A para o padrão de resistência tipo C e devem detectar alterações do que foi anunciado [no produto].

Em português claro, isso significa que dispositivos USB-C devem ter a habilidade de detectar mudanças de quanta energia está sendo enviada para o aparelho. Isto é importantíssimo, pois um engenheiro do Google descobriu que cabos USB-C baratos poderiam fritar seu laptop ou seu smartphone. O USB-IF (fórum de implementadores do USB) já está trabalhando para obrigar que dispositivos diferenciem cabos bons de ruins. No entanto, este requisito asseguraria que fabricantes tenham a condição de impedir o funcionamento de um cabo, criando algo parecido com o que acontece com cabos da Apple não certificados pela companhia.

[Google via Ars Technica]