Ar mais puro pode ajudar a salvar vidas, segundo uma nova pesquisa publicada na última sexta-feira (6). Ela constatou que políticas e leis destinadas a reduzir as emissões estão frequentemente ligadas a reduções de hospitalizações, nascimentos prematuros e mortes em apenas algumas semanas após a promulgação.

O estudo analisou pesquisas anteriores que avaliaram as principais reformas de poluição que ocorreram em todo o mundo, bem como dados históricos sobre mortes e doenças locais após sua ratificação. Foi conduzido pelo comitê ambiental do FIRS (Forum of International Respiratory Societies), uma coalização de organizações profissionais focadas na melhoria da saúde pulmonar e respiratória



Nos EUA, por exemplo, eles descobriram que o fechamento de uma usina siderúrgica de Utah em meados da década de 1980 estava relacionado à menor poluição geral do ar durante o inverno e a um menor número de hospitalizações, faltas escolares e mortes causadas por problemas pulmonares, como asma dentro de um período de 13 meses.

Na Irlanda, na primeira semana de uma proibição pública de fumar, houve uma redução de 26% nos relatos de ataques cardíacos, bem como uma redução de 32% nos derrames, em comparação com a semana anterior. E durante as Olimpíadas de 2008 em Pequim, China, as políticas que limitavam as emissões das fábricas estavam ligadas a menos visitas ao médico relacionadas a problemas cardiovasculares nos próximos dois meses.

As descobertas do estudo foram publicadas no Annals of American Thoracic Society.

“Nós sabíamos que havia benefícios no controle da poluição, mas a magnitude e o curto período de tempo para resultados são impressionantes”, disse autor principal do estudo Dean Schraufnagel, um pesquisador da Universidade de Illinois em Chicago e membro antigo da American Thoracic Society, em um comunicado liberado pela Universidade de Birmingham, cujos pesquisadores também auxiliaram no relatório.

Apesar da falta de sucesso na redução das emissões de carbono como um todo, países de todo o mundo avançaram nas últimas décadas na redução de muitas das fontes de poluição do ar mais perigosas para a saúde humana. E não são apenas as vidas que essas políticas salvaram.

Citando pesquisas da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, por exemplo, o relatório observou que os níveis de óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono e outros poluentes importantes caíram 73% entre 1990 e 2015 no país, graças a alterações adicionadas ao Clean Air Act (Lei do Ar Limpo, em tradução livre). Pensa-se que essas reduções tenham poupado ao país US$ 2 trilhões em custos com assistência médica — uma economia de 32 vezes o que foi necessário para implementar reduções.

Mas, como a poluição do ar ainda contribui diretamente para a morte de mais de 4 milhões de pessoas anualmente, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), obviamente há muito espaço para melhorias na redução das emissões.

“A poluição de ar é um risco de saúde evitável que afeta a todos. O crescimento urbano, a expansão da industrialização, o aquecimento global e o novo conhecimento dos danos da poluição do ar aumentam o grau de urgência no controle da poluição e enfatizam as consequências da negligência”, disse Schraufnagel.

É um chamado urgente que, provavelmente, continuará se atendido pela administração de alguns países, que infelizmente estão trabalhando para reverter medidas de proteção ambiental.