Um vídeo incrível capturado na Austrália na sexta-feira (22) mostra o que provavelmente era um dos estágios finais de um foguete russo queimando na reentrada na atmosfera. O acontecimento provocou um show de luzes que foi visto nas partes sudeste do país.

Os australianos que vivem em partes de Victoria e da Tasmânia foram presenteados com um espetáculo notável na noite passada de sexta (22), quando uma bola de fogo cruzou o céu do país. A procedência do objeto ainda não foi confirmada, mas especialistas acreditam que seja o estágio final de um foguete russo que queimou na reentrada.

De fato, a Rússia lançou com sucesso um foguete Soyuz-2.1b transportando um satélite militar EKS 4 no início do dia no Cosmódromo de Plesetsk, ao norte de Moscou.

O Guardian relata que a bola de fogo em chamas e sua cauda longa puderam ser vistas das cidades vitorianas de Rochester, Kyneton, Echuca e Cashmore. A Australian Broadcasting Corporation (ABC) diz que as chamas também foram vistas em partes da Tasmânia.

Vídeos do evento, que durou generosos 20 segundos, logo apareceram na internet, incluindo uma vista deslumbrante capturada por Mel Aldridge e postada na página do Facebook dos Victorian Storm Chasers (“caçadores de tempestades de Victoria”, em tradução livre). Os comentários publicados nesta página sugerem que a bola de fogo apareceu por volta das 18h15 no fuso horário de Melbourne.

Jonathan McDowell, astrofísico do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, descreveu o evento como um caso especial, mas tem certeza de que foi o terceiro estágio descartado do lançamento de foguetes russos.

“Os russos lançaram um foguete Soyuz com um satélite Kosmos às 07:31 GMT. O terceiro de quatro estágios do foguete de foi colocado em uma trajetória quase suborbital com impacto ao sul da Tasmânia”, disse McDowell ao Gizmodo. “Então foi isso que as pessoas viram — o terceiro estágio, descartado, a caminho de bater no oceano. Não é uma reentrada descontrolada como [aconteceu recentemente com] o foguete chinês, mas uma trajetória cuidadosamente direcionada. Muito incomum, porém, que o corredor de reentrada do alvo tenha começado tão perto da costa.”

“O fato de ele se mover lentamente e em um ângulo raso, e uma grande quantidade de desintegração ocorrer, revelou que não era uma espaçonave alienígena, um meteoro ou um cometa”, disse o astrônomo Perry Vlahos ao Guardian Australia. Em declarações à ABC, o astrofísico Jonti Horner disse que a velocidade lenta do objeto, “cerca de 6 quilômetros por segundo, é um sinal revelador de que é lixo espacial”, seja o foguete russo em estágio final ou um pequeno satélite.

Em entrevista ao Guardian, Vlahos disse que toda a estrutura provavelmente se desintegrou na atmiosfera, mas Horner disse à ABC que é possível que pequenos pedaços de detritos caiam no chão.