Enquanto os países se mobilizam na busca por um tratamento para o novo coronavírus (COVID-19), a China parece estar utilizando uma medicação produzida pela japonesa Fujifilm em pacientes com a doença confirmada.

Chamado de favipiravir, o medicamento demonstrou resultados promissores em testes clínicos realizados em Wuhan e Shenzhen com 340 pacientes, conforme relata o The Guardian. Aprovado em 2014 no Japão para tratar a gripe, ele já havia sido utilizado em 2016 pelo governo japonês como uma ajuda de emergência para conter o surto de Ebola na Guiné.

A emissora pública japonesa NHK relata que em Shenzhen, as vítimas da doença que receberam o tratamento com favipiravir – ou Avigan, como é vendido – testaram negativo para o vírus quatro dias após terem sido diagnosticadas como positivo. Em comparação, aquelas que não receberam o medicamento permaneceram com o vírus por 11 dias. Exames de raio-x também mostraram uma melhora nas condições pulmonares de 91% dos pacientes.

No Japão, o medicamento também está sendo utilizado em estudos clínicos com pacientes que apresentam sintomas leves a moderados, com a expectativa de impedir que o vírus se multiplique. No entanto, uma fonte do Ministério da Saúde do Japão disse que o Avigan não parece surtir efeito em pessoas em estado mais grave, quando o vírus já se multiplicou.

Ainda de acordo com a fonte ouvida pelo Guardian, as mesmas limitações foram identificadas em estudos com pacientes de coronavírus que utilizam uma combinação de lopinavir e ritonavir, usados no tratamento de HIV.

Para que seja utilizado em larga escala no combate ao COVID-19, o favipiravir teria que ser aprovado pelo governo – já que ele foi criado para tratar gripe. De acordo com uma autoridade de saúde ouvida pelo Mainichi, o medicamento poderia ser aprovado até maio, mas tudo depende dos resultados das pesquisas clínicas.

Segundo a Nikkei Asian Review, a cidade de Tóquio já possui um estoque do medicamento para tratar 2 milhões de pacientes. Em declaração ao site de notícias japonês, a Fujifilm afirmou que o governo já solicitou que a empresa considerasse aumentar a produção, mas a companhia pode enfrentar desafios logísticos.

Outros tratamentos

A empresa norte-americana de biotecnologia Gilead Sciences está conduzindo testes clínicos com 1 mil pacientes de coronavírus para o remdesivir, que foi originalmente desenvolvido para tratar casos de Ebola. O medicamento está sendo testado em países como EUA, Japão e China, sendo que a expectativa é que os resultados na China sejam divulgados já em abril.

Considerando que o remdesivir ainda não foi aprovado em nenhum lugar, ele não está sendo produzido em larga escala. Porém, o Nikkei Asian Review observa que ele pode ser disponibilizado no Japão dentro de poucos meses caso o Ministério da Saúde acelere o processo de análise e aprovação.

Até o fim da semana, o Institute of Medical Science da Universidade de Tóquio vai iniciar experimentos com nafamostat, um medicamento para pancreatite que já se mostrou efetivo em impedir que o coronavírus responsável pelo MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) infectasse as células.

No entanto, esses tratamentos ainda estão em fase de estudos considerando que há muitos efeitos colaterais envolvidos. O próprio Avigan, conforme apontado pelo Nikkei Asian Review, já causou deformações em filhotes quando testado em animais, o que indica que ele não é recomendado para gestantes.

Fujifilm Holdings

É provável que você esteja se perguntando se essa Fujifilm que desenvolveu o Avigan é aquela mesma que fabrica câmeras. Sim, é ela mesma.

Pode parecer um pouco estranho, mas, por algum motivo, a empresa parece estar determinada em apostar na área de saúde. Atualmente, a divisão de saúde corresponde a 20% dos US$ 22,86 bilhões em receita da Fujifilm. Nos próximos cinco anos, a companhia quer duplicar esse valor.

Após as autoridades chinesas anunciarem o sucesso do Avigan em testes clínicos contra o coronavírus, as ações da Fujifilm aumentaram em 15%.

[The Guardian, Nikkei Asian Review]