por Bruno Izidro

Tentar comparar as partes live action de Quantum Break com simples cutscenes com atores reais na frente de alguém da desenvolvedora Remedy pode ser um erro, que, inclusive, cometi. Perguntei sobre isso para Thomas Puhas, gerente de relações públicas do estúdio.

Puhas estava realizando uma apresentação do jogo durante a Brasil Game Show, que aconteceu entre 8 e 12 de outubro, em São Paulo, e percebi o incômodo em sua voz ao responder. “Não é como uma cutscene, porque (as partes live action) são formadas por quatro episódios que formam um série de TV”, ele replicou.

Desde quando foi anunciado, há mais de dois anos, a ligação entre jogo e série de TV sempre foi o que mais chamou a atenção. Esse fato, no entanto, era o mais confuso, pois não se sabia direito como iria funcionar em Quantum Break. Puhas gastou boa parte do tempo de sua apresentação para esclarecer melhor como esses aspectos vão dialogar e, pelo o que foi falado, a minha comparação com cutscenes era válida.

A primeira coisa a se explicar sobre a “Série de TV” é que ela não será uma websérie no YoutTube ou passará na TV. Ela estará dentro do jogo. Como Puhas comentou, serão quatro episódios do live action em Quantum Break , com cerca de 20 minutos cada, e ele tem como destaque a presença dos atores Aidan Gillen (o Mindinho de Game of Thrones) e Shawn Ashmore (o Homem de Gelo dos filmes dos X-Men).

Isso quer dizer que teremos que ficar 20 minutos assistindo algo até poder jogar de novo? Segundo o representante da Remedy não, já que as partes live actions poderão ser puladas e assistidas a qualquer hora.

Os episódios acontecerão em momentos chave da aventura. Enquanto o jogo mostrará o lado dos mocinhos, os episódios live action terão a história pela perspectiva dos vilões. Se está inserido em momentos importante e está dentro do disco do games, não vejo como isso não seria uma espécie de cutscene. Claro, incrivelmente bem produzida, mas ainda assim uma cutscene.

Cada episódio também terá duas versões e qual delas que será exibida dependerá das ações do jogador na partida. Na demonstração apresentada na BGS, havia as consequências pelo jeito Hardline e PR de jogar, o que parece serem equivalente ao de um Renegade e Paragon, do Mass Effect. O resultado dessa escolha muda como o jogo continuará e até mesmo personagens podem morrer nas live actions.

Quantum-Break_live-action

Apesar de Quantum Break ser bem focado na narrativa e escolhas que mudam o enredo do jogo (o jogo da Remedy com maior foco nisso até agora), tão interessante quanto esse aspecto é a jogabilidade baseada em controle do tempo. Nos trailers, o que sempre vimos é como o protagonista Jack Joyce usa esse seu poder nos combates, mas algo que pouco é falado é que essa mecânica também pode servir para pequenos trechos de plataforma, onde será necessário voltar ou adiantar no tempo para podermos abrir caminho ou subir em obstáculos.

Os jogos da Remedy sempre tentaram um diálogo com outras mídias. Max Payne tinha um flerte com quadrinhos e Alan Wake, com a literatura e TV. Agora Quantum Break eleva ainda mais essa mistura, resta saber se ele consegue não cair em mais um jogo que pensa que é filme e acaba não fazendo as duas coisas direito.

Bom, só poderemos saber disso quando ele for lançado, exclusivamente para Xbox One, em abril de 2016.