A ex-funcionária do Facebook responsável pelo vazamento de informações que embasaram a série de reportagens “The Facebook Files”, publicada em outubro pelo Wall Street Journal, revelou sua identidade. Ela deu uma entrevista exclusiva ao programa “60 Minutes”, do canal americano CBS News.

Trata-se de Frances Haugen, ex-gerente de projetos da gigante da tecnologia que fazia parte da equipe de integridade cívica da empresa. A partir de documentos vazados por ela, uma série de informações secretas de projetos da rede social vieram à tona.

Entre os vazamentos, estavam dados de uma pesquisa feita pelo próprio Facebook quanto aos danos à saúde psicológica de adolescentes causados pelo Instagram. Além disso, a rede social tratava de forma diferente a moderação de conteúdo de perfis famosos da rede. As reportagens do WSJ mostraram que o Facebook escolheu omitir essas informações em detrimento do lucro. 

Na entrevista ao “60 Minutes”, Haugen afirmou ter deixado o Facebook no primeiro semestre deste ano após ficar insatisfeita com a empresa. Por isso, fez cópias de documentos antes de deiar seu cargo.

A ex-funcionária procurou a Whistleblower Aid, organização que presta assistência para pessoas que denunciam irregularidades cometidas por empresas ou governos. Ao presidente da entidade, John Tye, ela revelou ter tido acesso a diversos documentos confidenciais que comprovariam irregularidades na companhia.

A ex-funcionária declarou na entrevista que existiam conflitos de interesse entre o que seria bom para o Facebook e o que seria bom para os usuários, e, que diante desse impasse, a empresa escolhia o que era melhor para os negócios. Ela também acusa a gigante de enganar os usuários ao não ser totalmente transparente a respeito de quais esforços estariam sendo realizados para combater desinformação e discurso de ódio.

Haugen ainda falou sobre o papel da empresa de Zuckerberg diante da invasão do Capitólio, sede do Congresso americano, ocorrida em janeiro deste ano. No episódio, manifestantes incitados pelo ex-presidente Donald Trump marcharam até o local e conseguiram acessar suas dependências. A ação resultou na morte de quatro manifestantes e um agente que realizava a segurança do local. A ex-gerente acusou o Facebook de fomentar a invasão após desativar os mecanismos de moderação com o objetivo de manter o crescimento dos posts. Segundo ela, não houve preocupação com a segurança dos usuários.

A ex-funcionária do Facebook entregou documentos sigilosos ao Senado americano e nesta terça-feira, 5 de outubro, será ouvida pelo Congresso Americano.

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Após a série de vazamentos, o Facebook reagiu para tentar amenizar sua maior crise desde o caso da Cambridge Analytica — que expôs dados de milhões de usuários. O vice-presidente de Assuntos Globais, Nick Clegg, se defendeu afirmando serem absurdas as acusações de o Facebook ter de alguma forma incentivado a invasão ao Capitólio. Sobre a série de reportagens do Wall Street Journal, declarou que a publicação dos documentos está sem contexto e que traz informações errôneas a respeito da empresa.