Restos de comida e alimentos crus podem beneficiar o estômago dos cães

Estudo publicado na Scientific Reports sugere que o excesso de ração seca oferecida aos cães filhotes pode gerar problemas na vida adulta
Restos de comida e alimentos crus podem beneficiar o estômago dos cães
Imagem: Kabo/Unsplash/Reprodução

Se os pets pudessem ler, com certeza ficariam bem felizes com essa notícia. Um estudo recém publicado na revista Scientific Reports sugere que a inserção de restos de comida humana e alimentos crus na dieta de filhotes pode ser benéfica para os cães. 

whatsapp invite banner

Pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, analisaram dados de mais de 7 mil tutores de cães registrados entre 2009 e 2019. As informações são referentes ao questionário DogRisk, em que os donos compartilhavam o que seus animais comiam e quaisquer eventuais sintomas gastrointestinais. 

Segundo o estudo, 22% dos tutores de filhotes e 18% dos donos de cães mais velhos relataram sintomas gastrointestinais em seus animais de estimação. O problema começava a surgir nos animais por volta de um ano e meio de idade.

Os cães filhotes que receberam uma dieta baseada em carne não processada tiveram 22% menos probabilidade de desenvolver problemas gastrointestinais em comparação com aqueles que comiam majoritariamente ração seca. Entra nesse menu a carne vermelha crua, órgãos, peixe, ovos, tripas, ossos, cartilagem, vegetais e frutas vermelhas.

Da mesma forma, filhotes que comeram restos de comida humana tiveram 23% menos probabilidade de desenvolver enteropatia crônica quando adultos. Os sintomas da doença incluem diarreia, vômito, gases, diminuição do apetite, náusea ou perda de peso que dura pelo menos três semanas.

A equipe estudou também o que fazia mal para os animais. A mastigação de ossos de couro cru, por exemplo, aumentam o risco de problemas estomacais em 117%. 

Devemos mudar a dieta de nossos cães?

O estudo não prova que a ração seca faz mal para o cachorro, apenas mostra uma relação entre a dieta e os problemas gastrointestinais. Os cientistas também não sabem dizer porque a comida de cachorro parece ter tal efeito, mas sugerem que isso ocorre devido a alta quantidade de carboidratos.

Esse não é um passe livre para mudar a dieta de seu cão. O ideal é conversar com um veterinário e ver a melhor alimentação para o seu pet. Além disso, os cães podem demorar para se adaptar a comidas novas e a carne crua poder causar doenças bacterianas em alguns pets.

Por enquanto, os cientistas envolvidos no estudo recomendam que os filhotes recebam uma proporção de 20% de comida crua e 80% de ração seca para cães. Uma pequena diversificada é suficiente para o bem dos animais.

Carolina Fioratti

Carolina Fioratti

Repórter responsável pela cobertura de saúde e ciência, com passagem pela Revista Superinteressante. Entusiasta de temas e pautas sociais, está sempre pronta para novas discussões.

fique por dentro
das novidades giz Inscreva-se agora para receber em primeira mão todas as notícias sobre tecnologia, ciência e cultura, reviews e comparativos exclusivos de produtos, além de descontos imperdíveis em ofertas exclusivas