Com mais pessoas trabalhando de casa por conta da pandemia de covid-19, muito empresa correram para lançar notebooks focados em produtividade. A Asus é uma delas, e há alguns meses lançou aqui no Brasil o VivoBook 15 X512JP, um modelo intermediário específico para trabalho, mas que também funciona para estudos e flerta com a possiblidade de rodar alguns jogos.

Disponível no Brasil apenas na cor prata, o dispositivo ainda tem um olhar especial para a portabilidade, trazendo um design compacto e leve, mesmo sendo um laptop ligeiramente maior, com 15,6 polegadas. Claro que tudo isso tem um preço, e ele não é muito convidativo: R$ 6.999, mas já é possível encontrá-lo com promoções em algumas varejistas. Será que vale a pena? A seguir eu conto minhas impressões.

Asus VivoBook 15 X512JP

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O que é
Um notebook de 15,6 polegadas com tamanho reduzido e foco na portabilidade

Preço
Sugerido: R$ 6.999. No varejo: em média, R$ 5.199

Gostei
Tela grande que não interfere tanto no tamanho ou peso; ótima oferta de conexões; boa webcam para videochamadas

Não gostei
Teclado barulhento e sem retroiluminação; para um notebook focado em trabalho e estudo, poderia ter uma bateria que durasse mais; por esse preço, melhor segurar o escorpião no bolso

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Design e conexões

Por ser projetado pensando na produtividade e no home office, o VivoBook 15 tem entre os principais destaques a leveza, para que você o transporte para qualquer lugar sem se preocupar muito com o tamanho de bolsas e mochilas. É fato que não chega nem perto das características do Samsung Galaxy Book S, mas o notebook da Asus não é de todo ruim: ele tem 1,9 cm de espessura com a tampa fechada e pesa 1,75 kg. O uso é confortável mesmo se você for utilizá-lo por um tempo em cima do colo, apesar da carcaça esquentar bastante ao abrir programas mais pesados.

O aparelho é do tipo que vai aumentando a espessura de baixo para cima — é mais fino na parte inferior —, e isso por uma boa razão: para abrigar as portas necessárias que estão cada vez mais raras em notebooks ultracompactos. Do lado esquerdo ficam duas portas USB 2.0, enquanto do lado direito encontramos slot para cartão microSD, saída de áudio 3,5 mm para fone de ouvido, porta USB-C, entrada HDMI, porta USB-A e o conector para recarga. É uma oferta bastante atrativa e que não deve deixar na mão quem precise de um número significativo de conexões, ainda mais por se tratar de um aparelho focado em portabilidade.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Já para conectividade sem fio, o VivoBook 15 conta com Bluetooth 4.1 e Wi-Fi 5 802.11ac em redes de 5 GHz, para velocidades mais rápidas.

Teclado e touchpad

O teclado do VivoBook 15 é bom, mas de longe foi a coisa que eu menos gostei no notebook da Asus. Por duas razões: primeiro porque ele não é retroiluminado, o que dificulta a visualização das teclas em ambientes com pouca luz. Isso fica ainda mais perceptível quando se leva em consideração que as teclas possuem letras na cor cinza, a mesma do chassi. Em segundo lugar, a digitação não é a mais confortável; tanto é que, na maioria das vezes, eu preferi conectar um teclado externo para conseguir trabalhar por várias horas seguidas sem que o meu pulso ficasse cansado. Além disso, as teclas emitem um barulho bem alto quando são pressionadas.

Mas nem tudo são pedras no caminho. O modelo tem um teclado numérico no lado direito que facilita a digitação de números. Outra vantagem é que a Asus colocou o padrão ABNT, que inclui a tecla “ç” — não que isso seja um grande diferencial, mas certamente simplifica o uso.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

No entanto, o maior chamariz do teclado é a dobradiça ErgoLift, que ergue o teclado a um ângulo de 2° para, teoricamente, facilitar a digitação. Dois pinos emborrachados fazem esse papel de manter o teclado levemente inclinado, além de ajudar na dissipação do calor e amplificar a potência dos alto-falantes que ficam na parte de baixo do notebook.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O touchpad, por sua vez, tem uma área consideravelmente grande para deslizar os dedos e se mostrou preciso dentro daquilo que eu esperava. Foram poucas as vezes que eu precisei repetir um comando porque na primeira tentativa o notebook não o reconheceu, mas nada muito comprometedor. Ele ainda suporta recursos de multitoque, para realizar ações do Windows com dois ou três dedos. E do mesmo jeito que acontece no teclado, o “tec tec” na hora de apertar o touchpad tem um ruído bem alto.

Tela e som

O VivoBook 15 vem equipado com um painel de 15,6 polegadas LED Full HD (1.920 x 1.080 pixels) e tecnologias TN e antirreflexo. Não chega a ter o mesmo nível de qualidade de uma tela IPS, mas se você usar o aparelho bem de frente para você, a visualização fica excelente e sem tanta interferência no brilho. Inclusive, você pode escolher entre 11 níveis de intensidade nas configurações do laptop. A taxa de atualização do display é de 60 Hz, que é o mínimo recomendado para quem gosta de jogar, apesar de este não ser o foco do produto.

A Asus também construiu o VivoBook 15 com uma tecnologia batizada de NanoEdge, que comprime as bordas laterais do aparelho para apenas 5,7 mm de espessura. Dessa forma, o aproveitamento de tela alcança 88%. E ainda tem espaço para uma webcam na borda superior, que tem resolução satisfatória para chamadas de vídeo.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Já o som entrega graves proeminentes, mas de resto eu notei que a potência dos alto-falantes não é das maiores. A Asus trouxe para o dispositivo uma tecnologia chamada SonicMaster, que tem justamente esse papel de aumentar os graves. Contudo, os médios e agudos parece terem sido deixados de lado e ficam baixos, mesmo com o volume nas alturas. Se ainda assim você quiser customizar o som, a fabricante oferece a ferramenta AudioWizard, para equalizar os sons de acordo com suas preferências pessoais.

Hardware e bateria

Para tarefas de produtividade e apenas isso, o VivoBook 15 faz bonito nas especificações. Ele tem um processador Intel Core i7-1065G7 (10ª geração), placa de vídeo dedicada Nvidia GeForce MX330 com 2 GB, 16 GB de memória RAM (8 GB onboard + 8 GB offboard) e 512 GB de armazenamento SSD PCIe NVME M.2. Para escrever textos no Word, usar cerca de cinco abas abertas no Chrome e usando o Spotify, não percebi nenhum travamento. Assisti algumas séries no Prime Video e Disney+, também sem notar esse tipo de problema.

As coisas mudam um pouco de figura ao tentar forçar programas mais pesados, como Premiere e Photoshop, ou no acesso do multitarefa. Rola sim uma lentidão nas transições de ferramentas que pode atrapalhar sua experiência se você usa plataformas como essas com uma certa frequência. Para jogos, a mesma situação: eu baixei DOOM Eternal e Destiny 2 pela Steam, e ficou nítido que o notebook passou por alguns engasgos para conseguir rodar os títulos.

Vale lembrar que o hardware do VivoBook 15 não permite upgrades simplificados para trocar RAM, SSD e outros componentes. Para quem não quiser se arriscar, o ideal é procurar uma assistência especializada.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

A bateria de 37 Wh durou entre quatro e cinco horas durante os meus testes diários trabalhando com o notebook. Ao deixá-lo rodando séries continuamente na Netflix, a autonomia também ficou nessa média — cerca de quatro episódios de O Gâmbito da Rainha até que o aparelho alertasse sobre o fim da bateria. Poderia ser uma autonomia maior? Sem dúvida, ainda mais por se tratar de um dispositivo voltado para trabalho e estudo.

Segundo a Asus, 49 minutos são suficientes para carregar 60% de bateria graças à tecnologia Fast Charger. Foi mais ou menos esse o tempo que ela foi do zero aos 60% no meu dia a dia. Já para alcançar os 100%, o tempo foi de aproximadamente 2h20. O carregador que acompanha na caixa tem 65 Watts de potência.

Vale a pena?

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Eu recomendaria o Asus VivoBook 15 X512JP para quem precisa de um laptop portátil e que, apesar de não ser o mais leve, é um dos mais compactos e com excelente oferta de conexões nas portas e saídas laterais. É verdade que R$ 6.999 — e já é possível encontrá-lo por menos que isso na internet — ainda é um valor bastante salgado, mas compensa se você for usar o aparelho apenas para trabalho moderado e estudo. Se jogos ou atividades de edição forem o seu objetivo, definitivamente é melhor partir para modelos mais específicos, já que o dispositivo da Asus entrega um desempenho mediano.