Existe público para tudo, inclusive um celular na casa dos R$ 7.000 ou R$ 8.000, como o Galaxy S20 Ultra ou o iPhone 11 Pro Max. Talvez o comprador precise de uma câmera incrível, queira o máximo de desempenho que irá durar por alguns anos ou simplesmente não se preocupa em gastar essa grana. E é tudo isso o que o Galaxy S20 Ultra entrega: o que há de melhor no mercado de smartphones.

Não é muito difícil constatar isso, como mostrou a análise do Gizmodo US que traduzimos por aqui. Eu recebi o aparelho e usei como meu celular principal durante algumas semanas.

S20 Ultra mostra do que a Samsung é capaz

Foi um pouco esquisito porque estamos em meio a uma pandemia que me impediu de ter uma experiência usual com o celular – seja por que não tive a oportunidade de fotografar muita coisa já que não saía de casa ou por que me pegava questionando qual o sentido de ter um aparelho desses, principalmente em um tempo em que não é possível aproveitar o máximo que ele oferece.

Parte frontal do Samsung Galaxy S20 UltraCrédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Nem vou entrar muito no mérito de não fazer sentido comprar um aparelho de R$ 8.000. O Galaxy S20 Ultra me pareceu uma exibição da Samsung e faz tudo muito bem.

Aquele aparelho que eles fabricaram para dizer: nós sabemos, conseguimos e podemos. Atende a um nicho extremamente estrito, se desconsideramos um público que curte um suposto status de ter um celular caro (e que, convenhamos, em muitos casos irá optar pela marca da maçã).

Digo isso porque o Galaxy S20 Ultra entrega o que há de melhor e até antecipa recursos. É um celular com 5G em um momento que nem redes 5G estão disponível na maior parte do mundo – é importante notar que as versões vendidas no Brasil não têm suporte ao 5G.

Tela e construção

Traseira do Samsung Galaxy S20 UltraCrédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Sua tela enorme de 6,9 polegadas tem taxa de atualização de 120 Hz que meio que hipnotizam numa primeira mexida. É daquelas funções que só dá para perceber mesmo quando você alterna entre as opções, mas que parecem bem legais. Quando usei outros celulares, fosse o meu principal ou de alguém da família, percebia que as animações e transições estavam ligeiramente menos fluidas do que no S20 Ultra, mas não é o tipo de coisa que está me fazendo falta (mesmo agora, que estou usando um celular de entrada, muito mais barato).

Para quem joga Fortnite e outros joguinhos de ação em que muitas coisas acontecem na tela, os 120Hz são interessantes – leve em conta que boa parte dos gamers sequer possuem um monitor com essa taxa de atualização eu seus setups de desktop/console.

Em tempos de quarentena, um aspecto desse design de tela curva nas laterais me incomodou mais do que em outras ocasiões que testei smartphones da Samsung: pode ser bastante difícil mexer nesse celular deitado – posição em que tenho ficado mais do que o de costume. A mão que segura geralmente acaba tocando nessas laterais que, evidentemente, são sensíveis ao toque. Digitar uma mensagem, rolar por uma tela ou escolher uma opção torna-se desafiador. Não tem muito o que fazer, parece um dado de smartphones com telas curvas – embora pudesse existir um truque de software para tornar as curvas “insensíveis” ao toque opcionalmente.

Vista lateral do Samsung Galaxy S20 UltraNão é dos celulares mais finos, compactos e leves. Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Isso sem contar que o S20 Ultra é gigantesco e bem pesado (222 gramas), então cansa segurá-lo em posições nada ergonômicas enquanto você está esparramado na cama ou no sofá. Não é como se a tela grande fosse só desvantagem: justamente pelo tamanho avantajado, pela resolução e cores vibrantes, dá vontade de consumir mais conteúdo pelo celular mesmo.

Câmera pomposa

Mas se desconsiderarmos a parte frontal do S20 Ultra, ele é um celular bastante feio. Principalmente pelo módulo que abriga as quatro câmeras: uma principal de 108 MP, telefoto (zoom de 10x) de 48 MP, grande angular de 12 MP e o sensor 3D Time-of-Flight para modo retrato e afins, sem contar a câmera de selfies de 40 MP.

Detalhe do conjunto de câmeras do Samsung Galaxy S20 Ultra Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Eu já tinha usado um celular com zoom óptico de 10x, o Huawei P30 Pro. Naquela época, a vida era diferente e eu fotografei muita coisa. Com o S20 Ultra, não tive a mesma oportunidade, mas deu para perceber que á uma câmera muito capaz.

Abaixo, algumas das fotos que eu tirei com o aparelho, mas no geral, vale a pena dar uma olhada na avaliação do Gizmodo US, que mostrou a competência do aparelho.

Apesar de todas as qualidades, esse comparativo do Gizmodo Espanha mostra que o celular da Huawei manda muito melhor nas fotos da Lua, que é um dos poucos usos do zoom de 10x para o usuário médio.

Bateria gigante

Uma característica interessante no S20 Ultra é a bateria, que também é enorme: 5.000 mAh. Pode parecer esquisito, mas essa capacidade geralmente é encontrada em modelos intermediários e levam nomes específicos para denotar a autonomia prolongada – como é o caso do Moto G8 Power.

Tela do Samsung Galaxy S20 UltraCrédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Apesar de toda a potência que pode drenar bastante energia, a autonomia do aparelho é respeitável. Tá certo que eu tava de quarentena e o uso nem sempre era tão intenso como no dia a dia com transporte público e afins – mesmo assim, tive dias de uso contínuo em que a bateria chegou ao final do dia com uns 25%, mesmo usando a tela no modo 120Hz, que consome mais energia. Em outras ocasiões, carreguei ele dia sim e dia não, praticamente – levando-a à tomada lá para as 21h.

O carregador que vem na caixa tem 25W, o que é o suficiente para carregá-lo rapidamente – embora o celular suporte fontes de até 45W. O S20 Ultra suporta carregamento sem fio Qi de até 15W e carregamento sem fio reverso de até 9W, que são mais rápidos do que na maioria dos celulares com esse recurso.

Desempenho de sobra

Em termos de desempenho, o S20 Ultra é ridiculamente competente. É quase tão óbvio que deixei essa parte da análise para o fim – um celular na casa dos R$ 7.000 vai ter desempenho de sobra.

Detalhe do conjunto de câmeras do Samsung Galaxy S20 Ultra Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Nem precisa entender muito de especificação técnica para saber que são números absurdos: CPU Exynos 990 (octa-core com núcleos que vão de 2.0 GHz a 2.73 GHz), GPU Mali-G77 MP11 e 12GB de RAM (se você optar pela versão de 512GB de armazenamento, a RAM salta para 16GB)– muito mais do que muito notebook top de linha por aí. Não teve uma tarefa em que o smartphone engasgou, nem mesmo alternando entre jogos, redes sociais e outros apps. Fazer descrições extensas sobre a performance do S20 Ultra é chover no molhado.

Concluindo

O objetivo do S20 Ultra é simples: definir o posto que deve ser alcançado. A tela de 120Hz deve ser incorporada em outros aparelhos topo de linha, inclusive o iPhone mais caro que será lançado neste ano. Com o tempo, quem sabe, uma especificação a aparecer naqueles modelos que ficam entre o intermediário e o celular mais caro.

Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Há ainda uma câmera capaz de gravar em 8K, em um tempo que praticamente ninguém produz conteúdo nessa resolução (no Brasil, até o 4K é limitado em termos de alcance) e que só serve para ter espaço de manobra para cortes em edições 4K ou 1080p.

Os 12 GB de RAM ou 16 GB de RAM chegam a parecer exagerados, o conjunto de CPU e GPU oferece desempenho de sobra. Todo esse exagero é a única forma de justificar um celular que chegou ao Brasil com preço sugerido de R$ 7.199.10 (à vista) ou R$ 7.999 (parcelado em 12x). Para não ficar confuso, esses são os preços sugeridos, ainda que o modelo possa ser encontrado por valores menores no varejo:

  • Galaxy S20 Ultra (128 GB/12 GB de RAM) – R$ 7.199.10 (à vista) ou R$ 7.999 (parcelado em 12x)
  • Galaxy S20 Ultra (512 GB/16 GB de RAM) – R$ 7.649,10 (à vista) ou R$ 8.499 (parcelado em 12x)

É muito caro.