Meu último iPhone foi o 3GS. Desde então, não houve um iPhone muito convincente que me fizesse voltar. Eu peguei um Windows Phone para me familiarizar melhor com o que era então uma plataforma completamente nova, e depois fui para o Android conferir seu rápido progresso. Eu fiquei com o Google até o Moto X do ano passado.

Mas o iPhone 6 me levou de volta para o iOS, especialmente por seu tamanho – e apesar de seus defeitos. É uma pena que ele custe uma fortuna no Brasil.

Design

O iPhone 6 é, em grande parte, apenas um iPhone 5S maior. Há alguns ajustes que a Apple teve que fazer para esticar o tamanho: os botões foram realocados e alongados; as linhas da antena estão mais pronunciadas. Mas no geral, há muita coisa semelhante.

Review do iPhone 6

Por isso, ele ainda mantém tudo o que caracteriza um iPhone. Alguém que estivesse congelado criogenicamente desde o lançamento do iPhone 5 ainda poderia reconhecer que o iPhone 6 é da Apple, mesmo de longe. Quase todo mundo diz que a evolução do design da Apple é chata, mas isso é só um jeito mal-humorado de dizer que ela é consistente. Mudar completamente o design ano após ano faria tanto sentido quanto o Cruzeiro demitir todo o time nesta altura do campeonato. Em equipe que está ganhando não se mexe, certo?

Na prática, isto significa que o iPhone 6 passa a mesma sensação de ser longo e fino, tem os mesmos cantos suavemente arredondados, e a mesma coloração fria — a menos que você queira a versão dourada. (Neste caso, eu respeito sua opção, apesar de não compreender seu espírito independente e suas escolhas de vida.) O Touch ID está lá onde costumava ficar, assim como a porta Lightning, a entrada para fone de ouvido e a maioria dos botões.

Review do iPhone 6

Uma triste novidade em relação ao modelo do ano passado é a altura do iPhone 6. Ele parece alto demais; é como ter um goleiro de 1,95 m jogando no meio de campo. Isso acontece por causa das bordas excessivas em cima e embaixo, para manter a simetria e acomodar o botão Touch ID. Pelo menos, o reconhecimento de digitais funciona muito bem, ainda mais agora que é compatível com vários apps de terceiros.

E o que mudou? O botão liga/desliga, antes no topo do iPhone 5S, foi realocado para o lado direito do iPhone 6, já que ele é bem alto. As bordas chanfradas da geração passada se foram, substituídas por um vidro gentilmente inclinado que vai de um extremo a outro; eu achei melhor que a queda brusca do iPhone 5S.

Review do iPhone 6

Na traseira, mais mudanças. As linhas de antena cruzam o topo e a parte de baixo do iPhone 6; elas parecem como o começo de uma fantasia de múmia mal planejada. E a lente da câmera é levemente sobressaltada, o que impede que o iPhone fique reto e estável quando colocado sobre uma superfície, como se fosse uma mesa manca em um restaurante. São detalhes que, no mínimo, justificam cobrir a traseira com um case – adeus linhas de antena, olá câmera encaixadinha.

Para comparar com os outros smartphones, é mais fácil falar em termos de tamanho, já que todo o resto depende da sua preferência pessoal. A tela de 4,7 polegadas é bem maior que todos os outros iPhones anteriores, mas ainda assim é a menor tela nos smartphones top de linha disponíveis no mercado. Na verdade, agora que o Moto X ganhou uma tela de 5,2 polegadas, o único aparelho de mesma categoria com menos de 5 polegadas de display é o Xperia Z3 Compact.

Review do iPhone 6

Usando

O tamanho maior não é problema no iPhone 6 (no 6 Plus, bem, aí é outra história). Você ainda consegue alcançar tudo o que precisa com o polegar, usando uma só mão; e ele ainda cabe perfeitamente no bolso – você só terá mais espaço para usar.

Os apps em geral se adaptam bem à tela maior, mesmo que a maioria deles ainda tenha que ser otimizada. Eles são rápidos também, graças ao novo processador A8: não há lag ao jogar Badlands, não há demora ao carregar vídeos. Se você está esperando uma turbinada em relação ao iPhone 5S, entretanto, provavelmente não encontrará nada do tipo aqui. Ambos funcionam rápido o suficiente e sem engasgos – é tudo que você precisa, na verdade.

Uma das novidades no iOS 8 são teclados de terceiros. Meus primeiros downloads foram o SwiftKey e o Swype (no momento, eu prefiro o SwiftKey), porque depois de tanto tempo usando Android a ideia de teclar teclar teclando cada. letra. do. teclado. original do iOS parecia loucura para mim. Eu também uso a busca universal do Spotlight mais do que achei que iria; ela economiza um passo, como abrir o Chrome ou o Safari, e procurar conteúdos do meu telefone geralmente me lembra de toda a tralha que eu juntei e esqueci.

Review do iPhone 6

O iOS 8 também oferece o Continuity, que conecta o iPhone ao Mac e ao iPad para que você possa abrir um documento no celular e continuar editando no computador, por exemplo; ou abrir uma página da web no iOS e depois navegar até ela no OS X. E com o Handoff, é possível receber chamadas do iPhone no iPad ou no Mac; mas para usar tudo isso, é preciso estar no ecossistema da Apple.

E os “widgets” da Apple, que na verdade são apenas notificações recheadas, são… bem, eles estão tentando, né? Eu acabei nem usando muito, e quando eu usava, ficava desejando que fossem como os widgets de verdade do Android, repletos de informações, ou mesmo como as live tiles do Windows Phone. No iOS 9, quem sabe?

Há algumas coisas que eu sinto falta em relação ao Android. Se há uma função que eu pediria pessoalmente que a Apple pegasse num lançamento futuro, seria as notificações ativas; ter que apertar um botão para ver as horas e quem me mandou alguma mensagem me parece coisa do paleolítico. (O Android 5.0 Lollipop dá um jeito de fazer isso funcionar em telas LCD, display que a Apple usa.) Além disso, ter que ligar meu iPhone para ter o privilégio de ter a Siri respondendo minha voz me lembra um gênio que só sai da lâmpada se você esfregar de vez em quando.

Review do iPhone 6

Eu não tive problemas com a duração da bateria; mesmo vendo vídeos, usando apps e jogando um pouquinho, o iPhone 6 durou um dia todo comigo. Novamente, não espere uma melhoria significativa em relação ao iPhone 5S — a própria Apple disse que os dois aparelhos seriam equivalentes — mas isto é suficiente para durar até de noite.

É engraçado, no sentido mais amplo da palavra, que apesar de toda a discussão sobre o tamanho da tela, ninguém fala muito sobre o desempenho dela. Com certeza é bom, mas com uma resolução de 1334×750 pixels, é essencialmente a mesma experiência que a Apple oferece desde a primeira tela retina, do iPhone 4. Você pode ler uma análise rigorosamente técnica aqui, se você gosta desse tipo de coisa, mas o resumo é que a tela do iPhone 6 melhorou em tudo que importa — ângulos de visão, contraste, brilho — mantendo a nitidez, mas sem colocar uma infinidade de pixels, o que seria bonito de se ver, mas seria um peso na bateria.

Eu nunca uso os alto-falantes do meu smartphone, e o iPhone 6 não me dá motivos para fazer isso. O som é relativamente alto, mas não é algo que você queira ouvir. Se você está procurando um smartphone com bons alto-falantes, o Moto X é melhor nisso (e também é bom repensar suas prioridades).

Review do iPhone 6

Câmera

As câmeras dos iPhones sempre estiveram entre as melhores do mercado, e mesmo com a concorrência se aproximando nos últimos anos —particularmente se você olhar para o Windows Phone— este ano não é exceção.

Você pode ver uma análise mais detalhada das imagens abaixo, mas o ponto principal é que a câmera traseira de 8MP do iPhone 6 é boa o suficiente para tudo, mesmo que não se destaque em nenhum ponto específico. Isso não é uma reclamação; esta é, no geral, a melhor câmera que você vai encontrar num smartphone que não se chama Lumia. Veja as fotos de amostra aí embaixo:

Review do iPhone 6 Review do iPhone 6 Review do iPhone 6

Eis o que o HDR consegue fazer por você:

Review do iPhone 6E um corte em 100%

Review do iPhone 6

De novo, no geral não é nada muito melhor, especialmente agora que o iPhone consegue fazer vídeos em câmera lenta com 240 fps. É uma novidade boba, mas divertida:

Há algumas ressalvas, no entanto: o flash de dois tons ainda não é certeiro na hora de iluminar as pessoas em pouca luz, e a redução de ruídos pode ser muito agressiva em fotos tiradas sob a luz do dia.

Review do iPhone 6

Também parece que é hora de os controles do app da câmera crescerem um pouco. Não dá para controlar direito a cor, e a interface de usuário para controlar ajustes pode ser um pouco confusa. É ótimo tirar o smartphone do bolso e estar pronto para bater uma foto sem ter que pensar muito, mas se você é o tipo de pessoa que gosta de manipular detalhes das fotos, há opções melhores.

Gostamos

O iPhone 6 tenta acertar em muitos quesitos ao mesmo tempo: tela, câmera, desempenho e qualidade de construção. (O iPhone 6 Plus, nem tanto.) Você pode encontrar uma tela mais nítida ou alto-falantes melhores na concorrência, mas não vai encontrar tudo isso junto num pacote tão completo.

Mas não é por isso que eu estou voltando ao iPhone. Eu gostei muito dele porque, nesta altura do campeonato, ele é o melhor celular que não exagera no tamanho. E este iPhone grande é o limite para quem quer escrever um e-mail usando uma só mão.

Junte isso aos apps do Google no iOS – que são excelentes – e aos novos recursos do iOS 8, que o integram a outros dispositivos da Apple. E, mais importante ainda, não importa o que você faça com seu smartphone, você tem que primeiro segurá-lo. E o iPhone 6 é o último smartphone que ainda é ótimo até de segurar na mão.

Não gostamos

Eu gostaria que os widgets fossem mais que apenas notificações com algo extra. E, mesmo que o iPhone 6 seja um aparelho bonito, ele tem algumas coisas bem pouco atraentes, como as linhas de antena e a saliência da câmera. Sim, eu posso (e provavelmente vou) cobri-las com um case. Mas seria melhor não ter que fazer isso.

Outras coisinhas desapontam: a qualidade da ligação era aceitável, mas não ótima. A Siri não é tão esperta quanto o Google Now. O próprio aparelho parece um pouco fino demais para o meu gosto. Fora isso, não há muito o que reclamar.

Vale a pena?

Nos EUA, ele custa quase o mesmo que smartphones como o Nexus 6 e o Samsung Galaxy Alpha, e pode concorrer de forma mais direta com eles. Se você já está acostumado com o iPhone, e se tiver a oportunidade de comprá-lo no exterior, vale considerar – mas R$ 3.199 é salgado demais.

Você tem um Android ou Windows Phone e está pensando em mudar? Aí é mais difícil. Se você gosta de fazer root, instalar ROMs alternativas, fuçar em tudo, você deve saber a resposta – saia já daqui e vá esperar o próximo Nexus. Se você quer ter a melhor câmera de todos os smartphones do mundo, fique com seu Lumia.

Mas você, como eu, está simplesmente procurando um smartphone que faça tudo direito e não seja enorme? Então compre o iPhone 6. Só não vá gastar três mil reais em um smartphone.

Especificações técnicas

  • Sistema operacional: iOS 8
  • CPU: A8, M8
  • Tela: LCD, 4,7 polegadas, 1334×750 pixels
  • RAM: 1GB
  • Armazenamento: 16GB, 64GB, 128GB
  • Câmera: 8MP traseira / 1,2MP frontal
  • Bateria: 1810 mAh Li-ion
  • Dimensões: 138,1 x 67 x 6,9 mm
  • Peso: 129g
  • Preço: a partir de R$3.199, desbloqueado e sem contrato