No fim de abril, a Amazon começou a vender no Brasil o novo modelo da sua versão mais básica do leitor de livros digitais Kindle, agora em sua décima geração. Eu, que já estava há muito tempo namorando um e-Reader por estar cansada de carregar peso extra na mochila, resolvi pegar essa belezinha para ver como ele funciona na prática.

Não tem nem como começar esse review de outro jeito: realmente, o grande diferencial do modelo é que ele conta com uma iluminação de 4 LEDs. Antes, o aparelho de entrada dos leitores de e-books da Amazon sempre veio com uma tela de e-ink sem retroiluminação. Agora, o Kindle basicão também possui luz embutida semelhante aos seus irmãos mais caros. E isso é uma baita novidade mesmo, principalmente para quem faz questão de ler no dispositivo sem se preocupar se está claro ou escuro, como é o meu caso, e sem desbancar uma grana (muito) alta. O novo Kindle tem como preço sugerido R$ 349,00 e está disponível nas cores preta e branca.

Em relação ao design do aparelho, dá para notar que essa geração possui os cantos mais arredondados e um visual mais limpo. De resto, as outras especificações seguem a mesma linha da geração anterior. O display e-ink conta com tela de 6 polegadas, antirreflexo, com resolução de 167 pixels por polegada. A memória é de 4 GB (o que é o suficiente para armazenar centenas de eBooks) e no Brasil só temos a versão com Wi-Fi. Como sempre, a mudança de página é feita por meio de um toque na tela touch, que não possui um tempo de resposta como a do seu smartphone. Sim, ainda é necessário um pouco mais de paciência, mas nada que comprometa a usabilidade do aparelho. Tudo isso pesando 174 g, aproximadamente 15 g a mais que a versão antiga. Mas, mesmo assim: leve, bem leve.

Colocando para funcionar

O botão de ligar/desligar continua embaixo do aparelho. Apertando pela primeira vez, aparece a opção para você configurar o Wi-Fi. Feito isso, é preciso se conectar a uma conta na Amazon. Se você não possui, o que eu duvido, pode criar uma no próprio dispositivo de forma bem simples. Depois, basta ajustar o horário do seu Kindle.

Detalhe do botão de ligar do KindlePorta micro-USB e botão de liga/desliga continua na parte inferior do aparelho.Crédito: Sam Rutherford/Gizmodo

Com isso feito, chegam os recursos opcionais. Estes você pode recusar clicando em “Agora Não”, “Não, obrigado” ou simplesmente avançando. São eles: baixar o aplicativo Kindle no seu celular, dicas de navegação e recomendações de livros. Essa última, dividida em três partes: escolha de gênero, classificação de livros e recebimento de amostras para possível download.

Todo esse trâmite, claro, é feito uma única vez. Nas outras, basta apertar o botão de ligar/desligar e você será levado à última página visitada, seja ela a de um livro, a loja ou a tela inicial. Basicamente, continua tudo igual.

Lendo (e no escuro)

Passada a fase do reconhecimento do aparelho, vamos ao que interessa – e ao que ele se propõe: ser um leitor de livros. Baixei a recomendação da autobiografia da Rita Lee e comecei a ler em um ambiente controlado, meu quarto e à luz do dia.

A primeira impressão foi: como é bom ler com uma mão só, vai bastar eu afastar um pouquinho o polegar e já vai mudar de página. Lindo! Na prática, nem tanto. Por ser pequeno (160x113x8.7), boa parte do aparelho é ocupado pela tela. Ou seja, sobra pouco espaço para você segurar o Kindle. Isso me exigiu uma certa adaptação, até mudei de página sem querer umas duas/três vezes. Porém, em pouco tempo, é possível se acostumar com o tamanho e o formato, aí tudo isso deixa de acontecer. E, então, sim: é lindo mesmo ler com uma mão só.

A segunda impressão também foi em relação ao tamanho, não do aparelho em si, mas sim da quantidade de texto que cabe na tela. Achei que precisaria “virar a página” muito mais vezes, em comparação a um livro físico, e isso seria chato. Bom, me surpreendi. Não me incomodei nem um pouco com isso. Vale ressaltar que li sempre com o tamanho da fonte no “Padrão”. Caso você coloque no “Grande”, talvez possa passar a ser uma questão. De qualquer maneira, é tão simples ir para próxima página que acredito que não seja um problema mesmo.

Detalhe da fonte do KindleCrédito: Sam Rutherford/Gizmodo

Já sobre a resolução da tela (167 ppi), ela dá conta do recado. Passa longe de ser excepcional, mas é nítida o suficiente para você ler por bastante tempo e não se incomodar. A não ser que a fonte seja pequena, como em uma nota de rodapé, ou em uma análise de gráfico, por exemplo. Aí, sim, a legibilidade fica um pouco afetada. Nitidez a parte, a tela é realmente sem reflexo, como se fosse um papel. E isso é tanto no meu ambiente controlado, como sob a luz do sol.

Por falar em sol, isso nos leva à estrela do aparelho: a luz embutida de 4 LEDs. É esse o diferencial desse Kindle. É isso o que, de fato, o faz ser a evolução do modelo básico anterior. De modo geral, a luz ilumina bem o texto, não irrita e não impede que você leia por períodos longos. Em alguns momentos, achei que a luminosidade poderia ser um pouco melhor distribuída. Talvez, os 5 LEDs do Paperwhite, modelo da categoria acima, seja o ideal. Mesmo assim, a luz embutida do Kindle básico foi bem implementada, não há dúvidas.

Além disso, a luz basicamente só ilumina o próprio eReader e, no máximo, o próprio leitor. Com isso, ela não atrapalha, por exemplo, quem está do seu lado se você, assim como eu, costuma ler antes de dormir, já na cama.

Por sinal, foi por este costume que comecei a ler no escuro. Com os livros físicos, sempre precisava levantar da cama para apagar a luz – e isso não era nada bacana, ainda mais no inverno. Com este Kindle, eu simplesmente terminava de ler, colocava ele do lado e já estava pronta para dormir. Esse fato, por si só, já faz a iluminação embutida ser uma grande vantagem, mas não para por aí. Como já descrito acima, a luz não cansa a vista. E é essa a melhor parte.

Funcionalidades

Entre as funcionalidades de praxe disponíveis, temos a opção de marcar trechos nos livros, procurar o significado das palavras no dicionário, buscar resultados na Wikipédia e traduzir o conteúdo no tradutor. Para consultar a Wikipedia, é necessário estar conectado; já no caso do dicionário, existe a opção de baixá-lo. Para ativar esses recursos, basta segurar a palavra desejada por alguns poucos segundos e depois soltar. Logo em seguida, aparecerá o menu e uma régua para você acrescentar ou cortar elementos. Nenhuma novidade também.

Confesso que não usei muito essas funções, mas entendo o porquê delas estarem ali – menos a Wikipedia, talvez. Como sou acostumada com a leitura de livros físicos e preciosista o suficiente para não ter coragem de marcá-los, para mim não é natural grifar um parágrafo ou uma frase que seja. No entanto, acho algo bacana e bem útil, principalmente se você está lendo para uma pesquisa, curso ou qualquer coisa do gênero. Talvez, com mais tempo de e-reader, eu passe a ser adepta.

A função de dicionário é mais ou menos a mesma lógica: para mim não foi necessária nos livros que li, mas em outros pode ser. Ou seja, é importante ela estar à disposição. Já a Wikipedia, é menos usual, sem sombra de dúvidas. Eu, por exemplo, não me imagino usando. Não em condições normais de temperatura e pressão.

De todas, a que eu acho mais interessante de comentar é a de tradução. Para quem lê em outro idioma isso é uma mão na roda. Bom, pelo menos para mim foi enquanto eu arriscava ler um livro em espanhol. Ah, que fique claro: eu não domino o espanhol, só acho que sei me virar como uma boa brasileira. Então, sempre que tinha uma dúvida, selecionava a palavra, via a tradução e voltava a ler. Tudo bem rápido e, claro, sem precisar sair do livro.

Bateria

Quando peguei este Kindle e o liguei pela primeira vez, ele estava com 10% de bateria. Resolvi configurá-lo e depois já colocar para carregar. Conectei o cabo USB ao meu notebook e foram (quase) cinco longas horas para atingir o nível de 100%. Como eu estava trabalhando pelo computador, não foi um grande problema, mas senti que demorou. Se você quiser que seja mais rápido, a minha dica é realmente usar um adaptador de tomada – lembrando que esse acessório não acompanha o e-reader. Ou você compra a parte (R$79,00 na Amazon) ou utiliza um que já possua em casa.

Traseira do Kindle continua emborrachadaA traseira do Kindle continua emborrachada. Crédito: Sam Rutherford/Gizmodo

Com a bateria a 100%, comecei a ler pelo dispositivo. Foram duas semanas com ele, lendo em média uma hora por dia, quase sempre com o Wi-Fi desligado e a iluminação em geral no nível 15. Quando chegou o dia de devolver o aparelho, ainda restava bateria (22%). Realmente, dá para usar (bem) e esquecer que precisa carregar.

Inclusive, logo em seguida a essa percepção, fui comparar com a informação disponível no próprio site da Amazon: “uma única recarga dura até 6 semanas, baseando-se em uma leitura diária de meia hora com o Wi-Fi desligado e iluminação no nível 13.”. Olha, não sei se chega a seis semanas, mas a autonomia continua sendo boa.

Mas e aí, vale?

A décima geração da versão mais básica do Kindle entrega bem o que ela se propõe a entregar. De modo geral, foi uma experiência positiva. A evolução, em comparação ao modelo mais antigo, acontece pela iluminação embutida de 4 LEDs mesmo. E, apesar de ter sentido que ela poderia ser mais uniforme em alguns momentos, é um bom incremento ao aparelho mais barato da linha e dá conta do recado.

Se você não se incomoda com a definição da tela, acredita que 4 GB sejam suficientes (o que eu também acho) e não tem planos de ler enquanto relaxa na piscina, talvez valha a pena optar por esse basicão mesmo ao invés de desembolsar uma grana a mais no modelo acima da categoria, o Paperwhite.

Agora, se você quer um e-reader mais robusto (e aqui falando da maioria das especificações, inclusive a iluminação), o Paperwhite pode ser uma boa opção. Principalmente porque a disparidade de preço entre os dois modelos caiu um pouco, e a Amazon sempre faz promoções bem interessantes.

Se você já tem um Kindle e ele funciona razoavelmente bem, talvez não valha a pena trocar — a não ser que você faça muita questão da iluminação. De certa forma, isso é proposital, até por uma estratégia da Amazon. A ideia da empresa não é necessariamente ganhar vendendo dispositivos, mas livros eletrônicos.

Seja qual for a escolha, estará em boas mãos. Eu mesma me rendi: daqui em diante, para o vai e vem diário, vou trocar os quilos extras dos livros físicos por alguns poucos gramas de um Kindle. A coluna agradece.

Novo Kindle 10a. geração com iluminação embutida

Novo Kindle Paperwhite  à prova d’água

O Gizmodo Brasil pode ganhar comissão sobre as vendas. Os preços são obtidos automaticamente por meio de uma API e podem estar defasados em relação à Amazon.