Anunciado no final de maio e lançado no Brasil no final de julho, o G3 entra na disputa do topo de linha dos Androids tendo como grande trunfo a tela: são 5,5 polegadas e resolução Quad HD. Mas esta não é a única arma — design e câmera com foco automático a laser também estão lá. E sim, ele se sai muito bem nessa briga de gente grande.

O que é?

O G3 é o novo smartphone de topo de linha da LG. Ele é sucessor do G2, que tinha um ótimo hardware mas patinava quando o assunto era software. O G3 tem como principal chamativo a tela Quad HD com 2560×1440 pixels e 5,5 polegadas.



As outras especificações técnicas o colocam lado a lado com o que há de melhor no mercado: processador Snapdragon 801 com quatro núcleos e 2,5GHz de clock, 2GB de RAM e 16GB de armazenamento interno (expansíveis com cartão microSD), bateria de 3.000mAh com carregamento sem fio, câmera traseira de 13MP com sistema de foco a laser e estabilizador ótico e frontal de 2,1MP. O preço ronda a casa dos R$1.800.

Para quem é?

Para quem quer um smartphone de topo de linha. O G3 vem disputar a faixa de cima dos Android com nomes de peso, como o Samsung Galaxy S5 e o Sony Xperia Z2. Colocando as fichas técnicas lado a lado, você nota que o LG tem uma tela maior e com mais resolução, mas sai atrás no quesito câmera — o sensor de 13MP é o com menor resolução entre estes adversários, mas o sistema de foco com laser é uma carta na manga. Ele também não tem características como proteção à água ou leitor de digitais, que são oferecidas pela Sony e Samsung, respectivamente.

Usando

Design

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A LG fez um belo trabalho ao desenhar o G3. Apesar de ter uma tela grande — em outros tempos, 5,5 polegadas seriam suficientes para colocá-lo na categoria phablet, e bem, o novo iPhone 6 Plus já é desse tamanho —, ele tem dimensões suficientemente reduzidas para que o usuário consiga operá-lo utilizando apenas uma mão.

76,4% da área frontal do aparelho, segundo a LG, correspondem a tela. Isso permite que ele seja praticamente do mesmo tamanho de um Samsung Galaxy S5 ou de um Sony Xperia Z2, mesmo com uma tela 0,3 polegadas maior.

É difícil alcançar os cantos da tela, sim. Mesmo assim, é perfeitamente possível sacar o telefone do bolso e tirar uma foto ou fazer uma ligação sem precisar usar as duas mãos. A traseira curva dá mais conforto na hora de segurar.

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Os botões de volume e bloqueio de tela na parte de trás, para mim, foram uma bela sacada. Eles não são nenhuma novidade —já estavam no G2 e em outros modelos da LG—, mas se revelam bastante práticos no dia a dia. O dedo indicador pode repousar sobre o botão de volume e, quando você precisar acioná-lo, basta segurar os lados do telefone com um pouco mais de firmeza. No começo, não é muito intuitivo, você sabe, todos nós estamos habituados a ter estes botões nas laterais, mas dá para pegar o jeito bem rápido.

O acabamento imitando metal —não se engane, é plástico mesmo— me agradou bastante. Goste você ou não do visual, ele tem uma vantagem: as marcas de dedos não aparecem na parte traseira do aparelho, e, apesar da falta de cuidado que eu tenho com meus smartphones, não percebi nenhum risco na tampa do aparelho. É claro que ao tocar o telefone você percebe rapidamente que se trata de um material barato e que não parece muito resistente, mas ele pelo menos parece ser um pouco mais resistente a riscos e a marcas de dedo — alô, Sony, estamos falando de você.

Tela

A tela é o grande atrativo do G3. Embora não seja o primeiro aparelho lançado no mundo com resolução Quad HD —o Oppo Find 7 e o Vivo Xplay 3s foram lançados antes mas não vieram para o Brasil—, é o primeiro com estes números a estar disponível globalmente. A tela de 5,5 polegadas comporta 2560 x 1440 pixels, o que dá uma densidade de absurdos 538ppi.

No uso cotidiano, porém, você não nota tanta diferença entre o Quad HD e um visor Full HD. A única situação em que eu pude perceber a vantagem de tantos pixels espremidos foi na hora de ver as fotos tiradas na galeria do aparelho, mas, para navegar na internet, checar emails e redes sociais e ler, a tela se sai tão bem quanto os concorrentes com menos pixels.

A fidelidade de cores é excelente, tudo é bem vivo sem ser excessivamente saturado, e a iluminação é também ótima, inclusive em situações de muita luminosidade — dá para usar o G3 no sol sem ter problemas para enxergar o que está na tela.

Sistema operacional

O LG G3 vem de fábrica com o Android 4.4 KitKat, versão mais recente do sistema operacional do Google. A LG ainda alterou bastante coisa no sistema, mas o resultado é consideravelmente melhor que o do G2.

Os ícones dos apps foram quase todos mudados, mas suas linhas simples e cores fortes “combinam” com o visual do KitKat. As cores vivas estão por todos os lados, aliás: nos botões de configurações rápidas da área de notificações, na interface dos apps padrão que foram alterados e em mais um monte de coisa.

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Óbvio que nem tudo ficou lá muito bonito —a capa do disco que você está ouvindo é usada como plano de fundo da tela de bloqueio sem nenhum blur ou escurecimento, o que mais atrapalha do que ajuda, e os ícones das pastas, redondos e com uma borda escura fininha, ficaram… feios, na minha opinião. A soma geral, entretanto, é bem positiva.

O que eu mais gostei nas alterações feitas pela LG é que ela abre muitas possibilidades de personalização. Quer mudar os botões da barra de navegação? Dá. Trocar a cor de fundo desta barra? Também dá. Colocar um botãozinho ali para puxar as notificações? Pode por, sim senhor! Trocar a cor do ícone de uma pasta na tela inicial? Também dá para fazer. Não gostou da alteração na tela multitarefas, que agora mostra nove janelas numa grade 3×3? Você pode voltar ao padrão do Android facilmente. Até o (ótimo) teclado, normalmente um ponto fraco das personalizações do Android feitas pelos fabricantes, permite que você troque botões e ajuste livremente a altura.

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Alguns acréscimos feitos pela fabricante foram bem úteis. O KnockOn permite que você acorde o aparelho com um toque duplo na tela desligada. Às vezes ele falha –e acho que isso é intencional, já que o LED piscava em vermelho depois dos dois toques, enquanto ele acendia azul quando o procedimento funcionava corretamente– mas no geral é bem útil. Também tem o Knock Code, que cria uma senha de toques nos quatro quadrantes da tela, o que é bem mais prático que PINs ou padrões de arrastar o dedo.

Os miniaplicativos (calculadora, mininavegador e anotações, entre outros) quebram bem o galho, mas o acesso a eles –pela área de notificações ou colocando um botão extra na barra de navegação— não é tão simples. O modo multijanela, que divide a tela do G3 em duas, pode ter sua utilidade, mas fiquei desapontado quando percebi que só alguns apps pré-selecionados podiam rodar desse jeito.

Já o Smart Notice, uma espécie de Google Now da LG, com lembretes de chamadas perdidas e alertas de bateria baixa, é bem dispensável — felizmente, você pode desativá-lo e ficar só com o widget de relógio e clima.

Aliás, isto é um ponto importante: todos estes acréscimos podem ser ignorados facilmente. Eles não atrapalham sua experiência com o Android, mas ficam lá como utilidades extras. Nenhum truque é tão prático quanto os do Moto X, que continua sendo o melhor exemplo de Android com extras incrivelmente úteis, mas são adicionais interessantes.

Performance e bateria

O desempenho do LG G3 é exatamente o que você poderia esperar de um smartphone topo de linha dos dias de hoje. O Snapdragon 801 quad-core e os 2GB de RAM deixam o uso bastante fluido, sem travar nem engasgar em nenhum momento. Alternar entre apps ou rodar muita coisa ao mesmo tempo é bem fácil.

A bateria está na média dos smartphones mais recentes: aguenta com facilidade um dia conectado. Na minha rotina, que consiste em usar o smartphone sempre conectado a Wi-Fi ou 3G, com uso frequente de redes sociais e entre uma e duas horas de música, o G3 ainda estava com 30% de carga quando eu chegava em casa. Porém, os pixels extras da tela Quad HD pareceram esgotar a bateria rapidamente quando o aparelho era usado com mais frequência — como para acompanhar o Twitter durante um jogo de futebol, por exemplo.

Câmera

Bem, começando do que você vê primeiro: a interface do app. Ela é bem reduzida e tem dois modos: um simples, em que basta tocar em qualquer lugar da tela para focar naquele ponto e disparar; e outro, mais completo (mas nem tanto), com algumas poucas opções adicionais, como ver ou não grades, ligar/desligar o HDR e o flash e acessar os modos panorama e foco mágico (que permite mudar a região em foco de uma imagem depois da captura).

Por outro lado, essa simplicidade não permite explorar direito a câmera. Você não tem como trocar o modo de medição do equilíbrio de branco, o ISO ou a compensação de exposição.

Nos dois modos, há um bom truque: basta deslizar o dedo pela tela para passar da câmera frontal para a traseira e vice-versa. A câmera frontal, aliás, é muito boa, contando com correção automática de imagens para ajudar você a ficar mais bonitinho nas suas selfies e um truque de gestos —abre e fecha a mão— para ligar o timer e tirar um auto-retrato.

As imagens feitas pela câmera do G3 são muito boas, mas a câmera ainda fica um pouquinho atrás dos concorrentes. O software parece ser calibrado para remover o ruído a todo custo, então alguns detalhes acabam se perdendo no meio do caminho, deixando algumas imagens um pouco desbotadas. Mas esta é a única crítica e você só nota ampliando as fotos: as imagens são realmente boas, mesmo em condições de iluminação adversas.

O principal destaque da câmera é mesmo o foco automático com sensor a laser. Ele ajuda o foco a estar sempre correto, o que permite tirar fotos numa ótima velocidade. Dá para tirar o aparelho do bolso, abrir a câmera (segure o botão de abaixar o volume) e capturar uma imagem com uma ótima velocidade. E, graças ao sistema de estabilização OIS+, as fotos não saem tremidas.

Gostamos

Gostei muito do design, que tornou agradável o uso do aparelho mesmo com a tela de 5,5 polegadas, e da câmera, rápida, com imagens de boa qualidade e um foco bastante preciso. No mais, é um ótimo aparelho, com excelente desempenho e um conjunto bem acertado.

Não gostamos

Detalhes, detalhes, nada além disso. O app da câmera é um pouco simplório; a LG poderia ter mantido as configurações numa página separada da área de notificações; o Smart Notice e o Smart Voice não são lá muito úteis. Nada, porém, que afete a experiência com o aparelho.

Vale a pena?

Sem mais delongas: sim. O G3 sai por volta de R$ 1.800, preço um pouco menor do que a concorrência, e já vem com carregador sem fio e um dos melhores fones de ouvido que eu já vi acompanhar um celular. A LG acertou em cheio no design, fazendo um produto com tela grande e ainda assim razoavelmente confortável para se usar, e no Android, superando problemas antigos da empresa com as personalizações do sistema. O G3 oferece muito mais do que apenas uma tela cheia de pixels.

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