No lançamento do Galaxy S10, a estrela foi o Galaxy Fold. Após alguns meses, o Fold ainda não foi lançado, mas o Galaxy S10 (somando suas três versões) já vendeu 16 milhões de unidades entre março e maio, segundo dados da consultoria de mercado Counterpoint Research. Na minha cabeça, a versão mais vendida seria a mais barata, o S10e, porém o mais comercializado foi justamente a mais cara, o S10+.

Passado um tempo do lançamento, você pode estar se perguntando, por que isso? Como um aparelho tão caro pode ser a versão mais vendida da série Galaxy S do ano? Fiquei um tempo com o Galaxy S10+ e, de cara, dá para afirmar que é um baita celular: da sua construção até as alterações de software que a Samsung trouxe para esta versão.

Então, abaixo vai um resumão da minha experiência com o aparelho topo de linha da Samsung do primeiro semestre – o do segundo semestre, deve ser o Galaxy Note 10, que deve ser anunciado agora em 7 de agosto. Além disso, devemos ainda considerar que um tempo após o lançamento, o S10 está finalmente em um patamar de preço mais aceitável que em sua estreia. Então, se você tem curiosidade de comprar um, talvez esta seja a hora de ficar de olho nele.

Samsung Galaxy S10+
Smartphone Samsung Galaxy S10+Preto - 128 GB - Dual Chip
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Visual estiloso

O Galaxy S10+ é um sanduíche de vidro e com uma pegada boa — pelo menos nas duas semanas que eu o utilizei, não houve nenhum risco de queda. A unidade testada era na cor branca, o que me deixou um pouco intrigado no início. O último telefone branco que tive foi um iPhone 4s e, confesso, que após um tempo passei a ter bode dele (a Apple foi uma das pioneiras na época, lá pra 2011, quase todo mundo tinha aparelho nessa cor). No caso do S10+, a cor branca tem um diferencial que, dependendo da luz que irradia nela, ele mostra na traseira do aparelho tons em azul ou rosa, o que deixa o corpo do aparelho bem bacana.

Traseira do Galaxy S10 PlusIsso aqui é branco ou azul? Crédito: Alessandro Feitosa Jr./Gizmodo Brasil

Aliás, é impressionante como a cor foi um fator determinante para as pessoas que me viam com o aparelho. Meu primo de 10 anos me viu tirando o smartphone do bolso e já logo falou: “caraca, este é um Galaxy S10”. Será que o marketing da Samsung está funcionando ou é só impressão minha?

Sensor de impressão digital sob a tela do Galaxy S10 Plus

A tela de 6,4 polegadas QuadHD+ ocupa praticamente toda a parte frontal do dispositivo, que não tem bordas. A única intervenção na tela é a dupla de câmeras posicionada na parte superior, como se fosse um par de olhos. Aliás, é na própria tela que a Samsung também colocou seu sensor de impressão digital. Ele é bem preciso para a primeira versão da tecnologia, mas ainda tem espaço para melhoria.

Detalhe da dupla de sensores frontais do Galaxy S10 PlusOs olhos do Galaxy S10 Plus. Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

O grau de acerto é bem alto, mas eventualmente quando meu dedo estava um pouco mais sujo, dava um leve engasgada. Nada demais. Foi só um processo que me lembrou a primeira geração de sensores de digitais em smartphones que eram muito bons, mas não perfeitos.

Dentre as marcas, a Samsung é uma das poucas que ainda mantém o conector de fone de ouvido convencional (o que deve acabar agora com o Galaxy Note 10). Além disso, há a entrada USB-C para carregamento rápido da bateria de 4.100 mAh.

Entrada USB-C e de fone de ouvido do Galaxy S10 Plus

De modo geral, carregá-lo completamente, leva um certo tempo, algo na casa das 1h30 min sem mexer com o carregador de 15W (é bem melhor que o de 5W que vem em aparelhos da Apple, mas bem abaixo do de 40W do Huawei P30 Pro). Já quanto à autonomia, nos testes do Gizmodo US, ele aguentou 15,5 horas – na minha experiência, isso deu o equivalente a um dia e meio, considerando, obviamente, umas 7 horas de sono. Nesse tempo, usei Spotify via 4G nos meus trajetos, vi muitas historinhas no Instagram, atualizei bastante a timeline do Twitter e eventualmente assisti a algum vídeo no YouTube usando 4G. Lógico, passei a maior parte do tempo em redes Wi-Fi.

Por último e não menos importante, o PowerShare sem fio é um recurso bem bacana. É necessário ativá-lo para, então, posicionar algum aparelho na traseira do dispositivo para carregá-lo. Óbvio que este processo é só para dar uma carga no outro aparelho e ele não deixa compartilhar carga se o próprio Galaxy S10+ estiver menos de 30%. De qualquer jeito, imagino, para a Samsung é algo significativo, pois é possível carregar, inclusive, aparelhos Apple compatíveis com carregamento sem fio Qi, portanto os últimos iPhones desde o iPhone 8. Inclusive, o carregamento é em 5W, que é o mesmo do carregador que acompanha os aparelhos da Apple.

Recurso PowerShare do Galaxy S10 Plus carregando outro smartphone

Smartphone novo, interface nova

Pessoalmente, eu nunca gostei da interface gráfica da Samsung, porém é necessário reconhecer o bom trabalho da companhia sul-coreana com a One UI, presente no Galaxy S10+ e em outros smartphones da empresa. Para começar, o usuário tem a opção de usar os botões clássicos do Android ou usar gestos, como os do iPhone X para navegar. Optando por gestos, você ganha um pouco mais de tela abaixo e, confesso, não foi muito difícil me acostumar.

A Samsung demonstra que estudou minimamente o usuário e passou a facilitar o acesso a botões e menus ao utilizar o smartphone com apenas uma mão. As opções do menu Configurações, por exemplo, são bem espalhadas pela tela, de modo que não é necessário fazer malabarismos para alcançar algum item. Além disso, a companhia priorizou ícones grandes na tela inicial. No meu Pixel 3 XL, a tela inicial suporta cinco apps em linha, enquanto no sistema da Samsung apenas três. No fim das contas, achei bem bom, pois costumo manter um monte de apps e isso me forçou a colocar os que mais uso mesmo.

Frente do smartphone Galaxy S10 PlusPor padrão, poucos apps. Isso ajuda a alcançar mais facilmente os ícones. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Outro detalhe da personalização da Samsung são as notificações. Ao receber mensagens no WhatsApp e ao dispensar a notificação, ele já marca como lida. Isso pra mim é uma melhoria significativa comparado com o Android puro do Pixel 3 XL, pois mesmo dispensando, ao receber uma nova mensagem, aparece a anterior e a atual nas notificações.

O Galaxy S10+ também vem com um modo noturno, que ajuda a causar menos incômodo nos olhos e economizar um pouco de bateria. Ele funciona apenas em apps nativos da Samsung, então se você quiser acessar um site pelo Chrome, ele vai mostrar, por exemplo, o Gizmodo com fundo branco. Para ter o fundo escuro, tem que usar o navegador da Samsung. E, olha, até que ele não faz um trabalho ruim. Eventualmente, alguns itens ficam perdidos, mas a experiência é satisfatória — veja, não é todo mundo que tem o modo habilitado, então o navegador força o modo noturno. Então, nada mal para um mundo em que muitos fundos são brancos.

Captura de tela de páginas web no modo noturno no Galaxy S10 PlusO modo noturno do navegador sobrepõe o logotipo das páginas. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Algo que me incomodou no sistema foi uma certa insistência ao querer ler notificações. Em tempo, usei na maior parte do tempo o fone de ouvido USB-C do Pixel 3XL (o fone AKG que acompanha o Galaxy S10+ é bem bom, mas acabei usando o meu na maior parte do tempo). Então, enquanto ouvia música e ia aumentando o volume, em alguns momentos, ele entendia que eu queria que ele lesse as notificações para mim.

Câmeras para dar e vender

Em 2019, não tem jeito: quase todo mundo entrou na onda do pós-processamento de imagem. Então, os conjuntos de câmeras contam com bons sensores e muito software por trás para melhorar as imagens. A Samsung apostou nesses dois fatores. Falando apenas da traseira, são três os sensores:

– Teleobjetiva de 12 megapixels (f/2.4) com estabilização óptica;
– Grande angular de 16 megapixels (f/1.5 – f/2.4) com estabilização óptica;
– Ultra grande angular de 16 megapixels (f/2.2) com zoom óptico com campo de visão de 123 graus

Traseira do Galaxy S10 PlusCrédito: Alessandro Feitosa Jr./Gizmodo Brasil

A ultra grande angular é aquela beleza, né? A ideia é captar maior espaço sem precisar tomar tanta distância do objeto. Funciona bem na maioria das vezes — em algumas vezes, ele dá uma distorcida em formas geométricas, mas que deixam a imagem interessante. Em outras, não fica tão legal. De qualquer jeito, faz toda a diferença quando não se tem muito espaço para fotografar.

A outra dupla de sensores é a que você deve usar mais vezes, pois são usadas em cenas mais convencionais, como retratos ou paisagens que você não precisar dar um passo para trás.

O que mais me impressionou no conjunto de câmeras foi o modo noturno. A primeira foto que tirei já fiquei bem impressionado, pois era 19h, estava escuro e o S10+ capturou bons detalhes das árvores, além de estilizar os automóveis em movimento em segundo plano. Tudo isso no modo automático.

Enquanto usava o aparelho, a Samsung liberou uma atualização para o modo noturno. No início, ele só aparecia quando a cena estava bem escura. Com o tempo, passou a ser uma função que o usuário poderia selecionar.

Importante lembrar que além dos múltiplos sensores, o software de câmera da Samsung ajuda bastante no processamento computacional das imagens. Ainda que os algoritmos melhorem bem as fotos, não dá para fazer milagre: tem que haver algum tipo de luz para ter uma boa foto. O S10+ se saiu bem na maioria das vezes. Em uma foto noturna no Masp, a imagem teve um bom balanço de iluminação e cor. Nesse caso, havia tanto a iluminação da avenida Paulista como a dos faróis dos carros, mesmo assim, nenhuma luz ficou super estourada.

Em fotos de paisagens noturnas, o céu em alguns momentos ficou roxo, o que não correspondia com a cena original. No entanto, o nível de definição das fotos é bem aceitável.

A título de curiosidade, quis comparar uma imagem tirada com o meu Pixel 3XL, com apenas uma câmera na traseira no modo noturno, e a do Galaxy S10+ no mesmo modo.

Foto tirada com o Galaxy S10 Plus
Foto tirada com o Galaxy S10 Plus no modo noturno
Foto tirada com o Pixel 3 XL no modo noturno
Foto tirada com o Pixel 3 XL no modo noturno

A do Pixel 3XL ficou um pouco mais clara, enquanto a do S10+ um pouco mais escura. Além disso, o sensor do smartphone da Samsung parece ter por padrão um pouco mais de zoom. Se você me perguntasse qual é a mais próxima da realidade, a resposta seria a do S10+. Agora, qual delas é mais bonita, eu acho que o Pixel 3XL ganha por um triz, pelas cores e detalhes dos objetos.

Durante o dia, não tem nem o que falar. Se smartphones de gama intermediária já tiram fotos boas nessas condições, o S10+ nada de braçada. O nível de detalhamento é bom e o software acaba ressaltando cores quentes, aumentando consideravelmente o contraste. É bonito de se ver, mas puristas poderão dizer que não corresponde à realidade. Outro recurso interessante da câmera é o best shot, que sugere a melhor cena baseado em regras da fotografia.

O recurso sugestão de quadros oferece orientação profissional para fotos impressionantes.
A partir das regras da fotografia utilizadas pelos profissionais, o aprendizado de máquina avançado guia você para uma composição fotográfica ideal baseada na análise de mais de 100 milhões de fotos de alta qualidade.

Se seu negócio é tirar fotos no modo retrato, o S10+ manda muito que bem, sobretudo nas imagens tiradas durante o dia. O software conseguiu “recortar” com perfeição a maior parte do objeto de cena — no caso, eu. O único problema foi na região do meu ombro direito, em que houve um pequeno borrão. Enfim, um detalhe, mas que é possível reparar só dando um zoom na foto.

E as selfies? As selfies com o sistema de câmera dupla manda bem. Um sensor é para captar informações de profundidade na cena, enquanto o outro é o sensor principal. Em retratos, é possível aplicar diferentes efeitos, como desfoque, spin e pontos de cor. Pessoalmente, não sou muito de selfie, então fui de desfoque, que é o mais tradicional.

Detalhe dos sensores para selfie do Galaxy S10 Plus

As fotos saem com bastante nível de detalhamento de imperfeições no rosto — é possível, por exemplo, ver detalhes de pelos de barba mal-feita. No entanto, é possível minimizar isso com o modo suavizar. Mesmo à noite, as selfies saem boas, inclusive desfocando o fundo com bastante fidelidade.

Vale ou não?

O Galaxy S10+ é o melhor smartphone já feito pela Samsung até o momento e, com as novas atualizações de software, ele se torna uma das melhores opções disponíveis no mercado local, sobretudo pela queda acentuada do preço.

Na estreia, o Galaxy S10+ de 128 GB, o mesmo modelo que testei, era vendido por R$ 5.499. Este mesmo aparelho agora pode ser achado em varejistas por cerca de R$ 3.400 — isso mesmo, quase R$ 2.000 a menos.

Pelo menos na minha cabeça, a escolha entre ele e o Huawei P30 Pro ocorre por uma questão de detalhe. Com os dois aparelhos na mão, acho o S10+ mais elegante e uma experiência mais amigável para o consumidor já acostumado com a Samsung, porém o P30 Pro tem recursos de câmera únicos (como um zoom potente, capaz até de fotografar a Lua sem um tripé), além de opções de cores interessantes e um carregador superpotente.

A escolha entre os dois smartphones tops de linha do mercado brasileiro vai totalmente do gosto do freguês.

Galaxy S10+
Tela: 6,4’’ (19:9/438 ppi).
Sistema Android 9.0 (Pie) com interface OneUI.
Câmeras: dois sensores 12 megapixels e um de 16 megapixels (traseira) e um sensor para selfie de 10 megapixels.
Memórias:  6GB/8 GB de RAM/12 GB de RAM e opções de 128 GB/512 GB/1 TB de armazenamento.
Sensores: acelerômetro, barômetro, leitor ultrassônico de impressão digital, sensor de giroscópio, sensor geomagnético, sensor hall, sensor de frequência cardíaca, sensor de proximidade, sensor de luz RGB.
Rede: Wi-Fi 6, Bluetooth 5.0 e LTE Cat 20.
Bateria: 4.100 mAh.
Dimensões: 74,1 x 157,6 x 7,8mm, 175g