Um novo estudo divulgado na segunda-feira (8) é o mais recente a sugerir que as mudanças climáticas já estão piorando a vida das pessoas, desta vez para os alérgicos ao pólen. As descobertas indicam que a estação do pólen na América do Norte ficou consideravelmente mais longa e que a substância se tornou mais abundante nas últimas três décadas, em parte devido a um clima mais quente.

Existem diferentes tipos de pólen de plantas e árvores que prevalecem em diferentes épocas do ano. Mas, normalmente, a estação do pólenm na América do Norte, começa no início da primavera e vai até o verão e início do outono. Esses meses estão associados a um aumento nas alergias sazonais, também conhecidas como febre do feno ou rinite alérgica. Os pacientes apresentam sintomas semelhantes aos do resfriado, como nariz entupido ou escorrendo, olhos lacrimejantes e coceira no nariz e no céu da boca.

Os pesquisadores do estudo analisaram dados de estações de contagem de pólen nos Estados Unidos e Canadá, cobrindo o período entre 1990 e 2018. Durante esses anos, eles descobriram que a estação do pólen mudou significativamente. Em comparação a 1990, a época de pólen em uma área agora começa cerca de 20 dias antes, dura 10 dias a mais e bombeia 21% mais pólen. Embora essa mudança tenha sido observada em todos os lugares, áreas como o Texas e o centro-oeste dos EUA viram os maiores aumentos no pólen total ao longo desses anos.

Alguns estudos encontraram evidências em laboratório de que temperaturas mais altas devem levar a estações de pólen piores. Outros previram que certas plantas causadoras de alergia, como a tasneira, se espalharão mais nas próximas décadas. Mas as novas descobertas, publicadas nos Proceedings of the National Academy of Sciences, são algumas das primeiras pesquisas a vincular explicitamente as mudanças climáticas a estações de pólen piores e a sugerir que ela já está piorando as coisas.

“Nossos resultados indicam que as mudanças climáticas causadas pelo homem já pioraram as estações do pólen na América do Norte”, escreveram os autores.

Esse não é o único fator que está tornando a estação do pólen um pesadelo para quem sofre de alergia nos últimos anos, eles observaram. Porém, de acordo com seu modelo, é provável que as mudanças climáticas sejam a principal responsável por cerca da metade dos dias adicionais vistos ao longo desse tempo, junto com 8% das contagens de pólen mais pesadas. Eles também descobriram que as mudanças climáticas tiveram uma contribuição maior na estação do pólen com o passar dos anos, o que não é exatamente um bom presságio para o que está por vir.

“É provável que as mudanças climáticas tenham um impacto ainda maior nas estações do pólen e na saúde respiratória em um futuro próximo”, disse o autor do estudo William Anderegg, biólogo da Universidade de Utah, ao Gizmodo por e-mail. “Vimos em nosso estudo que os impactos das mudanças climáticas foram mais pronunciados no período de 2003-2018 em comparação com todo o período de 1990-2018. Portanto, pelo menos nas próximas duas décadas, a expectativa é que essa tendência e os impactos na saúde continuem”.

É claro que um excesso anual de pólen não é a única coisa que as mudanças climáticas ameaçam trazer quando se trata da saúde humana. Nos Estados Unidos, especialistas temem que temporadas mais longas e mais quentes aumentem o risco de inúmeros problemas de saúde, desde doenças transmitidas por carrapatos, como a doença de Lyme, a ataques cardíacos e insolação, à disseminação de doenças tropicais, já que o aquecimento permite que elas se espalhem pelos pólos.