Um verdadeiro encontro de gerações aconteceu no antigo templo de Chavín de Huántar. Em 2019, um robô que estava explorando o sítio arqueológico no Peru acabou adentrando um túnel desconhecido, que o levou até uma galeria inédita de três mil anos. 

Passaram três anos e o arqueólogo John Rick, da Universidade de Stanford (EUA), resolveu ver o salão com seus próprios olhos. Para chegar até o local em maio deste ano, teve que se arrastar pela passagem de 40 centímetros de diâmetro.

Mas valeu a pena. O pesquisador pôde conferir as duas tigelas de cerâmica que estavam na galeria, que parecem ter sido usadas durante rituais. Uma delas estava no centro da sala e representava a cabeça de um condor e sua cauda. O objeto de 17 quilos levou o espaço a ser nomeado como “Galeria do Condor”.

Galeria Peru
Peças de cerâmica encontradas na Galeria do Condor. Imagem: Antamina/Reprodução

O cientista acredita que a galeria de três mil anos é a mais antiga já revelada até hoje em Chavín de Huántar. Ela não parece ter sido usada com frequência, mas sim em cerimônias religiosas específicas. 

As tigelas, por exemplo, podem ter guardado oferendas após a morte de pessoas importantes da comunidade. O próprio símbolo do Condor indica a hipótese, já que o animal é conhecido por arrancar a carne de animais mortos e voar com o alimento até o céu. 

O templo de Chavín de Huántar, localizado a 434 km ao norte de Lima, foi um importante centro religioso e administrativo do passado. Ao longo dos anos, arqueólogos revelaram cerca de 35 passagens subterrâneas conectadas em seu interior, construídas entre 1.200 e 200 a.C.

O local foi ocupado até cerca de 400 a 500 a.C., época em que a cultura pré-inca Chavín dominava a região. Em 1985, o sítio arqueológico no Peru foi declarado Patrimônio da Humanidade.