A Nikkei reporta que dificuldades na produção dos sensores 3D, que fazem o reconhecimento facial do esperado iPhone X, podem acarretar em atrasos na fabricação do aparelho. Inclusive, isto pode causar uma escassez na disponibilidade do produto quando sua pré-venda iniciar em 27 de outubro. Se parece que você já ouviu esta história antes, é porque você, de fato, já ouviu esta história antes

O Wall Street Journal relatou quase que exatamente a mesma notícia no final de setembro. E estas não são as únicas matérias que denunciam atrasos na produção do smartphone. Desde quando rumores do iPhone X começaram a surgir — anteriormente chamado de Anniversary iPhone ou iPhone 8 — já se noticiava que a Apple teria problemas para disponibilizar o aparelho para os consumidores.

No início de outubro, as coisas começaram a soar um tanto apocalípticas se você é uma das pessoas que está ansiosamente esperando pelo “melhor” iPhone do ano. Em 15 de setembro, três dias antes da Apple anunciá-lo, o Apple Insider divulgou uma anotação de pesquisa do analista Ming-Chi Kuo que dizia que a Apple não conseguiria manter a demanda do iPhone X até a primeira metade de 2018. Kuo, da KGI Securities, é um notório analista quando o assunto é a Apple, e ele está frequentemente certo. Ele corretamente previu, por exemplo, que a Apple abandonaria o Touch ID no iPhone X, e até antecipou a integração celular no Apple Watch Series 3. Se ele diz que existem razões para acreditar que os iPhones demorarão para chegar aos consumidores, há uma grande chance dele estar certo.

A Apple se recusou a comentar sobre os persistentes rumores que indicam atrasos na produção e expedição do iPhone X.

Os primeiros rumores de atrasos são do Mac Rumors em abril deste ano. O blog obteve notas de pesquisa de um analista na Cowen and Company que sugeria que integrar o Touch ID ao display do iPhone X era o maior problema da produção. Menos de uma semana depois disso, o blog conseguiu mais anotações, desta vez de um analista da Pacific Crest Studies, que sugeriu que a produção atrasaria ou a Apple seria forçada a abandonar o Touch ID por completo e apenas usar o reconhecimento facial.

E é exatamente o que parece ter acontecido: o iPhone X não tem Touch ID e usa o novo sistema de reconhecimento facial. Apesar da Apple não confirmar que o Touch ID fazia parte dos planos iniciais do aparelho, nós reportamos mês passado as dificuldades para implementar esta tecnologia diretamente na tela de toque, então é possível que a ideia foi de fato abandonado.

Mais rumores de atrasos surgiram em maio, quando o Deutsche Bank divulgou uma nova nota de pesquisa que, de acordo com a Business Insider, citava atrasos relacionados a escassez de importantes componentes e desafios técnicos”. Estes problemas poderiam estar relacionados ao problema do Touch ID, mas também podem fazer referência ao abastecimento de displays OLED, que surgiram posteriormente.

O iPhone X tem uma tela OLED — a primeira em um iPhone. Elas são mais difíceis de produzir que as tradicionais LCDs encontradas nos demais iPhones, e são poucos os fabricantes que podem produzi-las na qualidade e quantidades exigidas pela Apple. Isso obrigou a companhia a comprar do seu maior competidor no mercado de celulares, a Samsung, mas os displays que ela precisa não são os mesmos encontrados em celulares da rival. Eles têm o entalhe na parte superior esculpido para receber as câmeras do reconhecimento facial.

Os rumores das telas OLED persistiram. Em junho, um rumor originado na Digitimes sugeriu mais problemas relacionados a isso. A Economic Daily News repercutiu o rumor com uma nova matéria em julho, apontando as telas OLED como o principal problema de produção.

Por volta do mesmo período, a Fast Company divulgou um relatório sobre potenciais atrasos, que alertavam que um “senso de pânico” havia tomado a Apple. Estas preocupações colocaram mais lenha na fogueira, com os problemas do Touch ID, o novo sistema Face ID, e a potencial falta de displays OLED. Além disso, havia também alguma inquietação em fazer os carregadores sem fio funcionarem corretamente.

Por fim, o smartphone foi apresentado em setembro, e não mostrou sinais que a companhia encontrou problemas durante a sua produção. Claro, o Touch ID já era, mas o celular tinha um incrível design, uma tela OLED, carregamento sem fio e um novo sistema de reconhecimento facial. O único problema é que ele estaria disponível apenas em novembro, em vez de setembro junto do iPhone 8 e 8 Plus. Isso, naturalmente, parece confirmar muitos das questões citadas acima — a implementação da tecnologia e a falta de estoque teriam levado a um lançamento tardio do celular.

E agora, os rumores da Nikkei e do Wall Street Journal indicam que a produção ainda encontra problemas com os sensores 3D no entalhe superior da tela. O que podemos concluir disso? Relatos de atrasos de dispositivos são muito comuns, e não apenas com o iPhone X. Como vimos no ano passado com os AirPods e até mesmo com o primeiro iPhone dourado, escassez de produtos durante o lançamento absolutamente acontecem. No entanto, raramente são tantos os relatos e por todo este tempo como o que aconteceu com o iPhone X. Além disso, as razões são muito bem fundamentadas. Este é, sem dúvida, um dos celulares mais avançados já feito — ele tem design e tecnologia de ponta extraordinários encaixados em um pequeno pacote. E tudo isso vem com um custo, e o deste ano talvez não seja apenas o preço sugerido de U$ 1.000. Enquanto ainda não sabemos dizer com certeza quão rápidos os iPhones do dia de lançamento vão vender, parece sensato dizer, ou até provável, que os rumores sobre as complicações de produção são reais. Então, caso esteja nos seus planos comprar um iPhone X, saiba que talvez será necessário esperar.