O cerco do governo russo ao Telegram continua pesado. Desta vez, o Roskomnadzor, órgão russo de telecomunicações, solicitou que a Apple removesse o app de mensagem de sua loja de aplicativos.

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A briga entre Rússia e Telegram está rolando há pelo menos dois meses. O governo russo havia solicitado ao app uma forma de poder quebrar a criptografia e observar mensagens de criminosos e terroristas. A plataforma se recusou, e, desde então, as autoridades locais têm feito de tudo para interromper o aplicativo.

Uma das medidas tomadas pelo aplicativo foi transferir servidores para a Amazon e o Google, o que manteve o serviço operante. Notando a estratégia da plataforma, o governo russo, então, começou a bloquear serviços de VPN e milhões de IPs ligados aos serviços na nuvem da Amazon e do Google, o que causou, inclusive, a indisponibilidade de alguns serviços no país. Não adiantou, e o Telegram continua funcionando, com uma indisponibilidade de 15% a 30% dos usuários.

A medida agora é ir direto às plataformas. Segundo o The Verge, o órgão de telecomunicações deu um mês para a Apple tirar do ar o Telegram. A empresa norte-americana é grande apoiadora de tecnologias de criptografia. No entanto, em algumas situações, a companhia já atendeu a pedidos de governos como o solicitado pelo russo.

Na China, por exemplo, a Apple já removeu apps de VPN de sua loja de aplicativos a pedido do governo local.

Na seção de perguntas e respostas do Telegram, o app informa que a Apple tem impedido usuários do iOS de atualizar a aplicação em todo o mundo desde a metade de abril. A BBC especula que isso possa ter relação com o fato de o app não estar em conformidade com a GDPR, o conjunto de regras de privacidade da União Europeia. Em comparação, no Google Play, a última atualização é de 26 de maio, um dia depois de entrar em vigor a legislação.

[BBC e The Verge]

Foto do topo por Pixabay