A Rússia é normalmente considerada sinônimo de frio. Mas o país acabou de experimentar seu inverno mais quente desde que os registros começaram há 130 anos. E o motivo são as mudanças climáticas.

Extensas regiões da Rússia apresentaram temperaturas entre 6 e 8 graus Celsius mais quentes que o normal, de acordo com dados mantidos pelo serviço meteorológico russo. Isso quebra o recorde anterior estabelecido no inverno de 2015-16 em 1,3 graus Celsius. Em meio ao calor generalizado, houve grandes recordes em lugares como Moscou, que mal tiveram inverno este ano.

Todo esse calor fora de estação afetou a flora e fauna da região. Como relatou o Washington Post, as flores começaram a florescer no início do inverno, e alguns ursos chegaram a acordar da hibernação no zoológico Bolsherechensky. Esse é o tipo de coisa estranha que acontece quando o aumento de temperatura é tão extremo. Este é o resultado de um calor que não é sentido desde 1891.

“As condições naturais na Rússia estão mudando rapidamente em grandes territórios, incluindo a zona do Ártico, onde mudanças climáticas particularmente fortes estão ocorrendo”, escreveu Alexander Rodin, chefe do programa de ciências ambientais e planetárias do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou, em comunicado ao Gizmodo.

Não é de admirar que a Sibéria possa se tornar um lugar popular para se viver até o final do século.

O intenso calor do inverno na Rússia foi um dos principais contribuintes para as altas temperaturas globais neste inverno. Os dados da NASA divulgados na quarta-feira (11) mostram que este foi o segundo inverno mais quente, atrás apenas de 2015-16. Naquele inverno, o mundo estava no meio de um Super El Niño, um padrão climático natural que aumenta ainda mais as temperaturas globais.

Neste inverno, não há El Niño à vista, muito menos um com super potência. Grande parte do leste da América do Norte também ficou sem inverno, e as temperaturas subiram até 4 graus Celsius acima da média de 1951-1980 que os dados da NASA usam. A Austrália também teve uma temporada mortal e destrutiva de incêndios, alimentada pelas mudanças climáticas.

Tudo isso acontece depois que o mundo experimentou seu segundo ano mais quente já registrado em 2019 e a década mais quente já registrada nos anos 2010.