O indicador mais claro da crise climática é o calor, e a Terra está pelando de tão quente. De fato, acabamos de encerrar a década mais quente da história. A última década teve oito dos dez anos mais quentes do planeta já registrados. E o ano passado foi particularmente quente.

Na quarta-feira (15), cientistas da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) divulgaram sua avaliação anual das temperaturas globais, mostrando que 2019 foi o segundo ano mais quente desde o início dos registros, perdendo apenas para 2016. Na mesma semana, um novo estudo mostrou que houve um recorde de calor nos oceanos durante o ano passado.

“A década que acabou de terminar é claramente a década mais quente já registrada”, disse Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, em Nova York, em comunicado. “Desde os anos 60, todas as décadas foram claramente mais quentes do que a anterior.”

Essa tendência é inteiramente atribuível aos seres humanos — e não quaisquer humanos, mas aos executivos das grandes corporações. Como um relatório de 2017 mostrou, apenas 100 empresas são responsáveis ​​por 71% das emissões de gases de efeito estufa.

Enquanto a indústria de combustíveis fósseis continua a se expandir, o restante de nós — especialmente minorias étnicas e pobres — está sofrendo.

Durante os últimos dez anos, o mundo viu os efeitos do aumento do calor. A década começou com enormes ondas de calor combinadas com secas e incêndios na Rússia em 2010. Depois houve a Índia e o Paquistão em 2015. E a Argélia no ano passado. Agora a Austrália está pegando fogo.

Além de preparar as florestas para queimarem, o calor também se mostrou mortal para os seres humanos.

“As ondas de calor matam mais pessoas do que quaisquer outros eventos climáticos extremos, mas as mortes por calor geralmente não chegam às manchetes como as de outros eventos, porque muitas vezes as pessoas morrem silenciosamente em suas casas”, disse Renee Salas, professora de medicina de emergência na Harvard Medical School, em uma entrevista coletiva.

Enquanto ninguém está a salvo do aquecimento global, algumas comunidades são mais vulneráveis ​​que outras. “A idade e as condições médicas aumentam os riscos para certas pessoas”, disse Salas. E também a incapacidade de se proteger adequadamente do calor, como não poder pagar pelo ar-condicionado ou não ter como encontrar um local fresco para segurança quando falta energia.”

O aquecimento global também causa outros problemas de saúde pública. Ele torna as infecções bacterianas mais resistentes aos antibióticos, dificulta o aprendizado de alunos, diminui a eficácia de alguns medicamentos e piora os impactos da poluição do ar.

A boa notícia é que sabemos como consertar tudo isso. É preciso parar as empresas de combustível fóssil para que elas não extraiam ou queimem mais carvão, óleo ou gás.

“O planeta está com febre, esse é o sintoma”, disse Salas. “Quero ser tão precisa quanto em meus tratamentos e ter certeza de que estou chegando ao cerne da causa. Por isso, a prevenção final é a redução das emissões de gases de efeito estufa e a combustão de combustíveis fósseis.”

Estamos seguindo na direção errada, mas muitas pessoas estão tentando consertar isso. Você pode ser um deles. Nos anos 2020, precisamos garantir a vitória dessas pessoas.