Ciência

Sapo brasileiro pode ser primeiro anfíbio polinizador do mundo

Xenohyla truncata é uma espécie de sapo nativa do Brasil; em 2023, cientistas registraram o hábito da espécie de comer néctar e espalhar pólen
Imagem: Carlos Henrique de-Oliveira-Nogueira/ Reprodução

Em noites quentes, representantes de Xenohyla truncata sobem às árvores em massa, se empurrando para ter a chance de beliscar os frutos e beber o néctar das flores. No processo, eles ficam cobertos de grãos de pólen.

Você pode pensar que se trata de uma espécie de pássaro ou inseto, mas não — o Xenohyla truncata é um sapo nativo do Brasil, o primeiro anfíbio polinizador descoberto pela ciência. 

“Observamos indivíduos entrando em flores grandes e saindo cobertos de pólen sem destruir as estruturas da flor. Esta foi a primeira vez que esse comportamento foi visto e documentado”, explicou Carlos Henrique de-Oliveira-Nogueira, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, ao Live Science.

Ele e outros pesquisadores publicaram a análise dessa observação em um artigo na revista Food Webs em meados de 2023.

Sobre o sapo polinizador

Geralmente, os sapos são carnívoros em sua fase adulta, de forma que se alimentam de mariposas e insetos. Mas não é o caso do Xenohyla truncata

Os representantes da espécie comem tanto insetos quanto plantas. Aparentemente, eles se alimentam de qualquer coisa que esteja disponível. Embora existam outras espécies de sapo que se alimentam de partes de plantas mundo afora, essa é a única que faz isso no Brasil.

Consequentemente, eles acabam transferindo pólen enquanto se movem de flor em flor. Dessa forma, o que antes era pensado como um papel de insetos e pássaros, agora também é visto como uma possibilidade de outros animais.

“A espécie atende a alguns dos requisitos para ser um polinizador, mas ainda precisamos de mais estudos para realmente provar isso”, afirmou de Oliveira-Nogueira.

Ainda assim, os pesquisadores destacam a necessidade de mais estudos antes de bater o martelo de que o sapo Xenohyla truncata é um agente polinizador. De qualquer forma, os cientistas destacam que a ciência tem muito a aprender com a revelação desse novo tipo de interação.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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