É de se notar que a reprovação do Pentágono é somente a primeira vez que a agência publicamente comentou a respeito da espionagem de satélite sobre satélite. Provavelmente ele já fez um bocado de espionagem até agora.

Os satélites em questão, chamados micro-satélites MiTEx, são o resultado direto do trabalho feito no projeto da DARPA, cujos métodos de criação de Internet, gadgets e armas não precisam de nenhuma introdução.

E eles não estavam verificando satélites estrangeiros, pelo menos não por enquanto. Neste caso, dois micro-satélites MiTEx estavam avaliando o satélite de rastreamento de mísseis DSP 23, um fracasso dos EUA de 2270kg que foi lançado em novembro de 2007 mas logo que entrou em órbita geoestacionária enguiçou. Desde então a sua órbita vem lentamente se degradando, colocando em risco outros satélites geoestacionários que compartilham do mesmo espaço.

A controvérsia se dá quando você começa a pensar o que exatamente está rolando lá em cima neste momento. Se um satélite pode se deslocar ao alcance de ataque de outro satélite e pode dançar em torno dele sem bater, o que o impede de atacá-lo de fato um dia qualquer?

Nada, na verdade. É por isso que os EUA estão gerando este imbróglio. “Estou certo de que outras nações, em especial a China, verão isso como comportamento suspeito”, disse Theresa Hitchens, futura diretora do Instituto para Pesquisa de Desarmamento da ONU, em Genebra. “E o comportamento dos EUA em relação ao programa é hipócrita, já que Washington está sempre julgando Beijing por sua falta de transparência em relação aos seus programas espaciais e suas intenções”.

Independente disto, continuamos com o fato de que os EUA possuem um micro-satélite em órbita capaz de espionar, rastrear, manobrar ao redor e até destruir outros satélites. Só me deixem os Sirius XM em paz, beleza? [New Scientist]