Apesar de não mencionarmos downloads costumeiramente junto a transportes, aquecimento e eletricidade, eles também consomem energia. Cada dia mais pessoas dependem da internet para tarefas que consomem enormes quantidades de dados, e cientistas da computação britânicos da Universidade de Bristol decidiram colocar tudo na ponta do lápis e projetar o impacto resultante disso no meio ambiente. Os resultados são impressionantes. 

Os pesquisadores partiram do pressuposto de que as pessoas dos países desenvolvidos manteriam o mesmo nível de consumo de dados, mas moveriam este consumo todo para a nuvem, e que a "classe média" da internet eventualmente alcançaria um nível parecido de utilização de dados. Partindo daí, os pesquisadores concluíram que cada pessoa irá usar, em média, mais de 3 gigabytes de dados por dia. Isso culminaria em 2.570 exabytes por ano para a população mundial em 2030. (Um exabyte é um bilhão de gigabytes.) A energia média necessária para sustentar tal consumo será 1.175 gigawatts. É necessária uma usina de carvão grande inteira para produzir um gigawatt de energia, então imagine 1.175 delas produzindo energia somente para alimentar a fome do mundo por dados. 

São números grandes – como qualquer tipo de número em escala global –, e eles levaram os pesquisadores Chris Preist e Paul Shabajee, que apresentaram as suas descobertas hoje na IEEE CloudCom 2010, a propor estratégias inovadoras para conter o consumo. Preist e Shabajee falaram sobre computação em nuvem como se estivessem falando em termos de programas de reciclagem: eles querem que nós mudemos os nossos hábitos para reduzir "resíduos digitais". Tomando alguns conceitos emprestados de economia comportamental e dos autores do popular livro Nudge: O Empurrão Para a Escolha Certa, eles incentivam um webdesign "persuasivo", que incentive os usuários a escolherem opções que usem menos dados – optar por visualizar uma imagem em definição média, mesmo que uma alta esteja disponível, se não fizer diferença para o usuários. 

"Uma das principais mensagens do meu trabalho é que a principal solução para isso é continuar produzindo servidores mais poderosos e eficientes", diz Preist à Fast Company, adicionando que é importante que aqueles que estão na "TI verde" continuem promovendo melhorias na eficiência. "Os impressionantes ganhos de eficiência que já foram alcançados têm sido eclipsados pela crescente demanda por serviços de banda larga". 

A maioria dos relatórios que analisam o futuro de qualquer tipo de consumo tem tons apocalípticos. Mas Priest, no fim, é relativamente otimista. Como declarou recentemente em um release: "Esta pesquisa sugere que, em um futuro cada vez mais ambientalmente constringido, há ainda boas chances de que a conectividade banda larga seja fornecida de maneira igualitária à maior parte do mundo." Mas não tanto sobre outros assuntos: "Isso contrasta significativamente com outros aspectos do estilo de vida ocidental, como a aviação, que poderá se tornar cada vez mais um privilégio dos ricos". 

Os pés-atrás costumeiros no que se refere a pesquisas se aplicam. Principalmente: é preciso mais. Apesar dos acadêmicos terem tentado levar todas as variáveis em conta — prevendo uma era em que streaming de vídeo em alta definição é a norma, por exemplo – é necessária uma maior investigação sobre o papel que os dispositivos móveis representam no consumo de energia de redes, e também sobre as emissões causadas pela fabricação da tecnologia que possibilita o acesso à Web em primeiro lugar. 

[Imagem: batintherain @ Flickr]

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