Se você é um fã de jogos de corrida, um volante é um acessório obrigatório, mas também é possível gastar uma boa grana em um simulador de movimento para a “experiência completa”.

Um simulador de direção típico geralmente conta com um assento similar aos automotivos com volante, pedais, câmbio e um monte de telas gigantes preenchendo a visão do motorista. Tudo isso suspenso em uma plataforma conectada a pistões pneumáticos que movem a cabine em um espaço 3D para, de certa forma, corresponder ao movimento de um veículo na tela.

O equipamento permite um nível convincente de realismo em jogos de corrida, mas todo esse hardware custa aproximadamente US$ 50 mil (R$ 265 mil).

Solução adaptada

E se o corpo humano pudesse ser convencido a recriar todos esses movimentos por conta própria, sem o hardware caro?

Para ter o mesmo nível de experiência sem gastar uma fortuna, o canal Mean Gene Hacks, do YouTube, investiu apenas US$ 50 (R$ 265) em um simulador que reproduz os movimentos de um veículo do jogo. Entretanto, o equipamento faz isso usando uma estimulação elétrica assustadora nos nervos, o que permite ao jogador manter o equilíbrio e ter a sensação de “chacoalho” do carro.

Um processo chamado estimulação vestibular galvânica — também conhecido como GVS, em inglês — pode ser usado para alterar o senso de equilíbrio de um ser humano estimulando eletricamente um nervo do ouvido interno através de eletrodos.

Os pesquisadores ainda não descobriram os melhores usos da tecnologia — empresas médicas, militares e de entretenimento estão investigando — mas, quando usada corretamente, pode convencer uma pessoa de que precisa mover seu corpo para determinada direção, sem perder o equilíbrio.

Como resultado, a GVS pode ser usada para controlar parcialmente os movimentos de um ser humano, quase que remotamente.

Isso é exatamente o que a Mean Gene Hacks está fazendo. Com apenas R$ 256, eles criaram o “BeamNG drive”, um simulador de direção baseado em física altamente realista — interface com hardware GVS. O código personalizado traduz os movimentos de um veículo no jogo em sinais elétricos que alteram o equilíbrio do jogador, que são transmitidos às terminações nervosas através de um par de eletrodos presos ao pescoço dele.

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Efeitos colaterais

Como a tecnologia não é amplamente utilizada, ainda não se sabe se ela é ou não segura, mas estudos preliminares parecem indicar que até agora não houve efeitos colaterais indesejados observados em pacientes que usam a tecnologia para auxiliar na recuperação de AVC (Acidente Vascular Cerebral).

No entanto, vai demorar um pouco antes de vermos empresas como a Nintendo lançando acessórios GVS para seus consoles. Se o sensor de monitoramento de frequência cardíaca Vitality do Wii é considerado controverso nos dias de hoje, que chance teria uma tecnologia que manipula o equilíbrio humano?