Seja por causa de um controle ruim, de um computador sobrecarregado ou de problemas com uma conexão de rede, o lag — também conhecido como latência — é um problema que aflige os gamers há décadas. Controles responsivos são cruciais para vencer em qualquer tipo de jogo que exige reflexos rápidos. Por isso, os pesquisadores criaram uma nova maneira de eliminar esses atrasos. Em vez de ter que ficar fuçando em uma lista infinita de configurações ou atualizar seu hardware, o jogo se ajusta automaticamente para dar aos jogadores chances justas como forma de compensar o lag.

A nova abordagem foi criada por pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia e da Universidade Aalto da Finlândia. Ela ainda está em seus estágios iniciais. Em vez de aplicá-la em jogos de tiro on-line complexos como Fortnite ou Overwatch, ela foi estudada em um jogo muito mais simples: Flappy Bird.

Mesmo sendo um dos jogos mais grosseiros dos últimos anos, Flappy Bird se tornou popular e viciante porque era muito desafiador. O jogo exigia reflexos rápidos e timing preciso ​​para fazer o pássaro voar entre canos.

Hardware não era um problema quando o Flappy Bird foi lançado e, de lá para cá, os smartphones só evoluíram. Assim, os pesquisadores introduziram artificialmente algum atraso entre o momento em que um jogador toca na tela e quando o pássaro reage e sobe novamente. Isso permitiu que os pesquisadores estudassem como o lag afetava o sucesso de um jogador e desenvolvessem um modelo que poderia ser usado para prever seu sucesso, considerando o nível de latência.

Essas previsões foram então usadas para alterar os obstáculos em Flappy Bird em tempo real, encolhendo os canos e aumentando a distância entre eles para compensar a resposta reduzida nos controles. Assim, cresciam as chances de sucesso do jogador.

Parece uma trapaça adaptativa, mas leve em consideração a maioria dos jogos é desenvolvida partindo do princípio de que os frame rates e a capacidade de resposta dos controles sempre serão ideais, enquanto, no mundo real, os jogadores precisam diminuir as configurações gráficas ou ajustar o clock do jogo para compensar, o que acaba piorando a experiência.

Há uma grande diferença entre ajustar a distância entre um par de obstáculos 2D e recalcular todo um ambiente 3D inteiro em tempo real. Por isso, embora essa nova abordagem seja promissora para lidar com o lag, será preciso muito mais pesquisas e bastante comprometimento de desenvolvedores de jogos para que isso seja adotado como uma solução.

Com cada vez mais empresas embarcando no movimento do streaming de jogos, a latência se tornará um problema ainda maior no setor, e limitar a disponibilidade desses serviços aos usuários que têm conexões rápidas não é o suficiente — e também não é nem um pouco interessante para as próprias companhias.