Rastreadores de atividade física podem perder a graça muito rápido, especialmente se você for um iniciante tentando entender um monte de números que não fazem sentido. A Polar, em particular, é conhecida por captar métricas detalhadas, o que deu a ela a reputação de criar wearables destinados apenas a atletas sérios. Mas o seu mais recente smartwatch, o Ignite, parece destinado ao entusiasta mais casual, o guerreiro de fim de semana que é leigo nessas coisas.

Para começar, o Ignite muda a estética tradicionalmente esportiva da Polar para algo mais discreto. (Quero dizer, olha o Polar M430. Ele não é nada sutil.) De relance, o Ignite definitivamente poderia passar como um relógio normal, especialmente se você optar pelas versões branca ou preta. Tem também uma versão amarela, mas mesmo nela a tela redonda faz com que o relógio seja mais descolado do que um negócio berrante que você quer esconder.

O Ignite também tem controles mais simples: o aparelho optou por uma tela colorida sensível ao toque e apenas um botão. Esta é uma mudança bem-vinda, já que os relógios anteriores da Polar dependiam de botões, e leva um tempo até entender o que você precisa apertar para fazer cada coisa.

Relógio de pulso Polar Ignite. A pulseira é amarela e o corpo é preto. Na tela, há instruções para um exercício físico de subir e descer de caixas.Eu não odeio o amarelo. Além disso, você pode ver o novo recurso FitSpark. Imagem: Polar

Isso não quer dizer que o Ignite tem poucos recursos. Afinal de contas, estamos falando de um relógio de R$ 1.500. A Polar diz que ele tem como novidades a medição da frequência cardíaca durante a noite, melhor acompanhamento do sono, exercícios de respiração guiada e instruções de treinamento personalizados.

Em termos de hardware, ele traz os mesmos sensores ópticos de frequência cardíaca usados ​​em outros rastreadores Polar. Dá para rastrear até 100 esportes diferentes, incluindo natação.

O treinamento inteligente da Polar também traz as funções Running Index e Running Program. A primeira é uma pontuação que classifica seu desempenho de corrida com base no VO2 máximo e nas corridas anteriores, enquanto a última é um guia de treinamento gratuito adaptável para executar qualquer coisa, desde uma corrida de 5 km até uma maratona.

O que é mais interessante é como o Polar Ignite exibirá dados para os usuários. Para o rastreamento do sono, a Polar criou um sistema de pontuação do sono. Isso significa que você receberá uma pontuação numérica da noite anterior, que tem como base quanto tempo você dormiu e vários dados de frequência cardíaca obtidos durante a noite.

Ele também tem uma métrica chamada Nightly Recharge, que combina sua pontuação de sono e o status do seu sistema nervoso autônomo (SNA). Um representante da Polar descreveu o SNA como uma mistura de frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca e frequência respiratória para determinar o quão bem o seu corpo está se recuperando do treinamento. A ideia por trás do Nightly Recharge é ter uma visão mais holística do sono e do estado físico do seu corpo.

Dependendo da sua pontuação de sono e da recarga noturna, o relógio Ignite recomendará se você deve fazer exercícios aeróbicos, treinamento de força ou outra atividade “de apoio”. A Polar chama este recurso de orientação adaptativa de FitSpark, e ele supostamente será exclusivo do Ignite.

Nenhum desses recursos é inovador por si só. Toneladas de rastreadores de fitness e smartwatches oferecem variações em pontuações de sono, insights e recomendações personalizadas. É só que nenhum deles realmente liga tudo isso para dar uma visão geral melhor de como um aspecto da sua saúde pode afetar o outro, e como você deve ajustar seu treinamento de acordo com esses fatores. O Ignite parece tentar interpretar a relação entre sono e condicionamento físico em tempo real, mas teremos que testar para ver se isso é realmente útil.

Ainda assim, é bom ver uma opção mais acessível da Polar, em um design que não é desnecessariamente complicado ou simplesmente feio. É encorajador ver as métricas de fitness apresentadas em um formato mais compreensível.

Quanto mais dados os rastreadores coletarem, mais difícil será captar tendências relevantes, mesmo para atletas experientes. Contextualizar seus dados em um formato fácil de entender é uma coisa boa, e tira muito do trabalho de tentar adivinhar ao construir seu próprio plano de treinamento.

A boa notícia é que os fabricantes de wearables parecem ter percebido que os dados sem contexto são bastante inúteis. Apple e Fitbit, por exemplo, estão renovando seus aplicativos para apresentar dados de forma mais intuitiva.

Neste momento, o Polar Vantage M é o nosso smartwatch fitness preferido, em parte porque os recentes esforços da Polar para limpar a sua plataforma facilitam o acompanhamento do seu progresso ao longo do tempo e durante os treinos. Os Fitbits são opções excelentes e acessíveis para simplificar as coisas, mas não oferecem muita orientação quando se trata de treinamento.

Da mesma forma, o Apple Watch Series 4 oferece alguns recursos de fitness aprimorados, mas os insights são limitados, e o acompanhamento do sono ainda não é suportado nativamente.

Veremos como o Ignite se compara à concorrência. Ele estará disponível no Brasil em setembro, com preço de R$ 1.499.