Você provavelmente ouviu falar sobre o ambicioso projeto de fazer uma volta ao mundo a bordo de um avião que só usa energia solar, sem usar qualquer outro tipo de combustível. Mas agora, um ano depois de o trabalho ter começado, podemos dar a primeira olhada no avião que fará a aventura e ele é bem diferente das aeronaves comuns.

Este é o Solar Impulse 2. Ele tem uma envergadura de asas de quase 72 metros, maior do que a de Boeing 747, mas sua cabine só tem espaço para uma pessoa. As asas são totalmente recobertas por 17.248 células de energia solar, tão finais quanto um fio de cabelo. Os componentes da fuselagem, por sua vez, foram feitos usando uma nova técnica que gera folhas de fibra de carbono três vezes mais leves do que papel. O avião é movido por quatro motores elétricos ultra-leves que são 90% mais eficientes do que os motores térmicos convencionais.

No total, o Solar Impulse pesa quase três toneladas. Para fins de comparação, um 747 pesa quase 400 toneladas. Obviamente que o Boeing pode levar muito mais carga, mas esse não é o ponto. O intuito do Solar Impulse 2 é oferecer o máximo de eficiência energética.

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No próximo ano, o avião vai decolar do Golfo Pérsico e voar sobre a Índia e a China antes de começar sua jornada pelo oceano Pacífico. Ele voará a 28.000 pés de altura (cerca de 8.500 metros) durante o dia, quando o Sol estiver alimentando as células, mas descerá para 16.000 pés (quase 5.000 metros) à noite para conservar energia. Embora o avião vá pousar para fazer algumas trocas de pilotos, ele deve fazer seu caminho pelos oceanos Pacífico e Atlântico sem paradas. Para o piloto, isso significa algo entre cinco e seis dias no ar – o Solar Impulse 2 só consegue viajar a 64 quilômetros por hora – praticamente sem dormir. Não vai ser fácil, mas diferentes técnicas estão sendo testadas para garantir que os pilotos, Bertrand Piccard e André Borschberg, possam suportar a viagem.

A cabine foi concebida pensando em longas viagens, mas a fim de reduzir o peso, alguns sacrifícios tiveram de ser feitos. Por exemplo: não há calefação ou ar-condicionado, uma coisa complicada já que a temperatura fora do avião vai variar bastante. Haverá uma espuma rígida e altamente isolante que deve ajudar a proteger os pilotos do frio, mas as coisas ficarão inevitavelmente desconfortáveis em algum momento. Os pilotos vão comer uma alimentos desenvolvidos especialmente para a experiência e beber através de um canudinho. O banheiro ficará na própria cadeira da cabine.

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O maior desafio serão os dias em que o avião voará sobre o oceano. Os pilotos vão precisar tirar pequenas sonecas a cada poucas horas, mas estão sendo treinados para acordar completamente alertas a qualquer sinal de problema. Por conta das restrições de peso, o piloto automático não trabalha o tempo inteiro, então cada vez que as asas mergulharem mais do que 5 graus, a manga do traje de voo vai vibrar para que os pilotos acordem a corrijam o curso.

O projeto Solar Impulse já está sendo desenvolvido há alguns anos e une os recursos de  várias proeminentes empresas europeias, como a Omega e a Schindler. Até o Google deu uma ajudinha, oferecendo o Hangouts para ser usado durante a viagem. Agora resta esperar até março do ano que vem parar ver se o projeto será bem-sucedido. [Solar Impulse]