Normalmente, 22,04% não é exatamente um número que inspira admiração. O que aconteceu com os outros 78%? Onde isso está sendo desperdiçado? Mas para os painéis solares, isto é um salto à frente.

A SolarCity, empresa de energia solar que existe há nove anos e tem Elon Musk – da Tesla e SpaceX – como cofundador e atual presidente, anunciou esta semana que atingiu um novo recorde para a eficiência de painéis solares.



Em potência máxima, o novo design é capaz de usar 22,04% dos raios do Sol. O desempenho médio geralmente oscila entre 15% a 17%. A SolarCity diz que o aumento da eficiência permitirá criar painéis que são iguais em tamanho aos concorrentes, mas geram “de 30 a 40% mais energia”.

Infelizmente, nós não sabemos muito sobre a tecnologia que torna isso possível (“é proprietário”, diz a empresa), mas ela veio da Silevo, fabricante solar que a SolarCity comprou no ano passado por US$ 200 milhões.

A Silevo é especializada na concepção de painéis de alta eficiência que são, basicamente, mais baratos e mais rápidos de se fabricar. Isso é possível graças a detalhes como usar cobre em vez de prata, e reduzir o processo de fabricação a apenas seis etapas. A empresa detalha seu processo simplificado de produção neste vídeo:

O design do painel da SolarCity também é diferente: enquanto a maioria dos painéis são feitos com um silício cristalino de “tipo-p”, a Silevo usa o “tipo-n,” que funciona melhor em temperaturas quentes para aumentar a eficiência do painel.

Alguns especialistas apontam que o silício tipo-n é mais caro de se fazer, mas faz sentido quando você chega a uma escala maior de produção – é exatamente isso o que a SolarCity pretende fazer em sua nova fábrica em Buffalo, NY (EUA).

A SolarCity está interessada em criar um painel solar que é o mais eficiente possível, enquanto ainda os produz para centenas de milhares de consumidores. A empresa também fez questão de mencionar que os painéis em breve serão fabricados a uma velocidade de até 10.000 por dia em sua fábrica em construção em Buffalo, que deve ser concluída e aberta em 2017.

Mas o grande experimento da SolarCity tem seus riscos. Em agosto, uma reportagem de David Rotman, editor do MIT Technology Review, apontou que o futuro da energia solar residencial ainda não está bem definido. Rotman explica que o negócio depende de alguns fatores muito incertos:

Mesmo se tudo correr bem, a enorme fábrica poderia enfrentar um mercado de energia solar dramaticamente diferente. No final de 2016, o crédito fiscal federal para a energia solar deve cair de 30% para 10% para as empresas, e deve desaparecer por completo para os consumidores que compram seus próprios painéis solares.

Ao tornar a energia solar residencial menos acessível, a mudança pode ser devastadora para a indústria. E isto virá justo quando a fábrica em Buffalo aumentar sua capacidade de produção.

A tecnologia de painéis solares está melhorando em um ritmo dramático, mas ela precisa avançar ainda mais para que as empresas solares residenciais sobrevivam no longo prazo. Em outras palavras, a eficiência da SolarCity é impressionante, mas ainda é apenas o começo.

[SolarCity]