Mais uma vez, a SpaceX tentou audaciosamente aterrissar um foguete no meio do oceano. E, mais uma vez, algo deu terrivelmente errado. Ao contrário das duas outras tentativas neste ano, o foguete nem mesmo voltou para o chão. Esses tipos de acidente continuarão acontecendo, e a SpaceX afirma que isso não é motivo para desistir.

Neste domingo (28), o foguete explodiu espetacularmente bem no meio do ar, 2 minutos e 19 segundos após a decolagem. Após dezoito missões de sucesso, este é o primeiro Falcon 9 a ter falhado na subida.

Infelizmente, isso significa que a cápsula Dragon, que deveria transportar cerca de 2 toneladas de suprimentos, 30 projetos de estudantes e dois dispositivos Microsoft HoloLens para a Estação Espacial Internacional, também se perderam.

O astronauta Scott Kelly capturou esta vista da ISS:

Em entrevista à imprensa, os oficiais da NASA e da SpaceX afirmaram que a investigação sobre a falha está em andamento. Eles acreditam que a explosão provavelmente teve a ver com um excesso de pressão no segundo tanque de oxigênio.

As consequências

A perda da cápsula Dragon é triste. No entanto, a NASA reitera que os astronautas a bordo da ISS ainda têm bastante comida e água para mantê-los até a próxima missão de reabastecimento.

E em um post excelente e detalhado no blog da SpaceX, a empresa expõe alguns dos desafios enfrentados na tentativa de construir um sistema de lançamento reutilizável.

A SpaceX explica que um Falcon 9 custa quase o mesmo que um avião jumbo a jato, “mas as companhias aéreas não o jogam fora depois de uma viagem de Los Angeles para Nova York”. Dado o custo, os foguetes também deveriam ser reutilizados.

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Os ônibus espaciais do programa Space Shuttle tinham um formato semelhante ao de um avião e, portanto, eram mais fáceis de pousar. A SpaceX, por outro lado, quer recuperar o impulsionador principal de seus foguetes, usando o motor para desacelerar em queda livre e, em seguida, pousar verticalmente.

Isso já foi descrito como “equilibrar um cabo de vassoura de borracha na sua mão em uma tempestade de vento”. Para gerenciar esse ato de equilíbrio bastante delicado, o foguete Falcon 9 é cheio de elementos extras:

Nosso foguete tem asas pequenas, dobráveis e resistentes ao calor: essas aletas são necessárias para guiar a primeira fase, enquanto o foguete cai da borda do espaço na atmosfera da Terra. Também há propulsores de gás frio na parte superior da primeira fase, que são usados para inverter o foguete enquanto ele começa sua jornada de volta à Terra; e pernas de aterrissagem fortes, mas leves, de fibra de carbono que são ativadas à medida que se aproximam do solo.

Uma aterrissagem bem-sucedida seria uma conquista histórica para a tecnologia autônoma. Cada parte do sistema, incluindo a barca de aterrissagem, as aletas e o propulsor, é controlado de forma autônoma por um computador de bordo.

É uma decisão nascida da necessidade, já que tudo acontece tão rápido que um controle remoto seria completamente impraticável. Mas como demonstra uma recente competição da DARPA, robôs autônomos têm um longo caminho a percorrer.

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A primeira tentativa da SpaceX para aterrissar um Falcon 9 foi em janeiro, mas não deu certo devido a erros de cálculo:

A primeira tentativa de pousar em um navio no Atlântico foi em janeiro: nós chegamos perto, mas o primeiro estágio ficou prematuramente sem fluido hidráulico, que é usado para orientar as pequenas aletas que ajudam a controlar a descida do foguete. O veículo agora é equipado com muito mais desse fluido, crítico para fins de direção.

A segunda tentativa foi em abril, e chegou muito mais perto:

Cerca de 10 segundos antes de pousar, uma válvula que controla a potência do motor do foguete (impulso) parou temporariamente de responder aos comandos tão rapidamente quanto deveria. Como resultado, ele reduziu a velocidade alguns segundos depois do comando. Dados que o foguete pesa cerca de 30 toneladas e viajava a 300 km/h, alguns segundos podem ser tempo demais.

Com o acelerador basicamente preso na posição “alto” e o motor funcionando por mais tempo do que deveria, o veículo perdeu temporariamente o controle e foi incapaz de se recuperar a tempo para o pouso, e tombou na barca.

Esta é a espetacular bola de fogo no pouso que falhou:

Neste domingo, as coisas também não deram certo, mas a SpaceX é humilde: “as chances de sucesso na nossa terceira tentativa de pousar em um navio zangão… são incertas”, mas esse processo de tentativa e erro vale a pena para criar um foguete reutilizável.

“Esta é uma grande perda”, disse Mike Suffredini, gerente do programa internacional da NASA. “Eu não quero subestimar isso. Mas como um programa, conseguimos gerenciar isso de uma forma que nos mantém saudáveis, e nós vamos nos reerguer e seguir em frente para o próximo voo.”

Você poderia imaginar que a SpaceX ainda tem um longo caminho a percorrer, mas dá para ver que a empresa alcançou muito em um curto espaço de tempo, apesar dos acidentes.

Primeira imagem: NASA via Wired