Na noite desta terça-feira (20), a NASA confirmou que sua sonda OSIRIS-REx conseguiu encostar na superfície do asteroide Bennu, de onde coletou amostras e deve iniciar em breve sua volta para o planeta Terra. Todo o processo, batizado como evento “Touch-and-Go” (TAG) da missão, foi transmitido e agora está disponível no YouTube.

Esta foi a primeira vez que a agência espacial dos Estados Unidos tentou se aproximar de um asteroide em movimento para coletar suas amostras. Em 2006, a sonda Stardust da NASA coletou e retornou amostras da nuvem de poeira de um cometa. Em 2010, o Japão conseguiu recuperar amostras de asteróides com a primeira missão Hayabusa – a segunda sonda da mesma missão está atualmente a caminho da Terra com amostras retiradas do asteróide Ryugu.

Lançada da Terra em setembro de 2016, a OSIRIS-REx chegou a Bennu em dezembro de 2018, e desde então vinha circulando a rocha esperando o momento certo para entrar em ação. A sonda foi construída pela NASA e Lockheed Martin, com a missão sendo liderada pelo cientista planetário Dante Lauretta, da Universidade do Arizona.

Bennu está localizado a 320 milhões de quilômetros da Terra e tem um formato parecido com um pião. O asteroide mede 565 metros em seu ponto mais largo e possui muito material antigo que remonta ao início do nosso Sistema Solar. Com esses componentes, os cientistas poderiam definir melhor como os asteroides entregaram água à Terra e outros elementos necessários para a vida em nosso planeta.

O que dificultou a missão é que Bennu tem uma atmosfera não muito favorável a “intrusos”, por assim dizer. Ao seu redor, Bennu possui centenas de rochas agrupadas, a maioria com 58 metros de diâmetro cada. Não foi fácil para a NASA encontrar um local de pouso adequado, mas uma análise exaustiva feita nos últimos meses levou a equipe a um local amigável que possibilitou a uma quase aterrissagem. Esse ponto em questão foi apelidado de “Nightingale”.

“Escolhemos Nightingale porque, de longe, tem o material mais refinado de todos os quatro candidatos a locais de amostra”, disse Lauretta durante um evento para a imprensa realizado no final de setembro. “Passamos o início de 2020 fazendo passagens de reconhecimento de baixa altitude neste local, coletando imagens a cerca de um oitavo de polegada por pixel. Basicamente, temos fotografias incrivelmente detalhadas cobrindo toda a cratera e contamos todas essas rochas”, completou.

Um computador na sonda fez uma referência cruzada de seu mapa de perigo recém-construído com o que viu na superfície. Tudo precisou ser estipulado com um nível altíssimo de detalhamento, principalmente no que diz respeito ao tempo. Isso porque há um pequeno atraso de pouco mais de 18 minutos na comunicação da sonda com a base aqui na Terra. Por este motivo, os comandos foram enviados horas antes da coleta em si, que foi realizada de forma autônoma pela OSIRIS-REx e levou apenas 16 segundos.

A coleta aconteceu pela ponta de um braço mecânico de 3,3 metros de comprimento na sonda. Quando alcançou a superfície de Bennu, o cabeçote explodiu uma pequena quantidade de gás nitrogênio para espalhar os materiais – algo considerado bastante fácil pela agência espacial, uma vez que a gravidade no asteroide é extremamente baixa. Então, a sonda recolheu material fino de granulação e pedaços de detritos não muito maiores do que 2 cm.

Se correr conforme o planejado, a sonda deve chegar por aqui em 2023, trazendo consigo partículas do asteroide para serem estudadas. Não se sabe a quantidade exata que o aparelho coletou, porém são necessárias no mínimo 60 gramas e no máximo 2 quilos para que elas sejam viáveis em pesquisas e análises. Caso a NASA considere fazer um novo pouso, a sonda, que continua orbitando o asteroide a uma distância segura, realizará o mesmo procedimento em janeiro, só que em outro ponto, chamado “Osprey”.

E para fechar, aqui vai uma curiosidade sobre Bennu: é um dos objetos próximos à Terra mais ameaçadores conhecidos, com uma chance estimada de 1 em 2.700 de colidir com o nosso planeta em algum ponto entre os anos de 2175 e 2196. Se Bennu desafiasse essas pequenas probabilidades e golpeasse nosso planeta, o o asteróide liberaria 1.200 megatons de força explosiva, tornando-o 24 vezes mais poderoso que a Tsar Bomba – a maior arma nuclear já detonada.

Colaborou Caio Carvalho