O lançamento bem-sucedido de 60 novos satélites Starlink significa que a SpaceX agora opera mais satélites comerciais do que qualquer outra empresa no mundo. É um marco importante para a empresa liderada por Elon Musk, que ainda precisa mostrar que é capaz de gerenciar de forma responsável sua crescente megaconstelação.

A implantação dos 60 satélites Starlink foi confirmada na terça-feira (7) em um tuíte da SpaceX. Os satélites foram enviados a uma órbita de 290 quilômetros por um foguete Falcon 9, que partiu da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, às 21h19 ET na segunda-feira, 6 de janeiro.

Isso marca a terceira implantação em massa de satélites Starlink, as duas anteriores ocorrendo em maio e novembro do ano passado. Uma vez operacional, a constelação de satélites fornecerá internet em banda larga para clientes pagantes em todo o mundo.

Os satélites agora serão avaliados para garantir que todos estejam funcionando corretamente. Depois que a SpaceX concluir esse check-out, os mini-satélites envolverão seus propulsores de íons a bordo e se moverão para as órbitas pretendidas a cerca de 550 quilômetros acima da superfície da Terra – um processo que leva de um a quatro meses. Durante os estágios iniciais desse lançamento, os satélites estão agrupados, tornando-os visíveis da superfície da Terra.

Menos de 15 minutos após o lançamento, a primeira etapa do foguete Falcon 9 pousou com sucesso na aeronave Of Course I Still Love You, posicionada no oceano Atlântico. A embarcação de recuperação da carenagem, Ms. Tree, falhou em recuperá-la, de acordo com a Space.

Este lançamento mais recente eleva o número total de satélites Starlink para 182, embora o número real possa estar mais próximo de 172, como relata a SpaceNews:

Não está claro se todos os 182 satélites Starlink farão parte da constelação que a SpaceX espera começar a operar ainda este ano. Cerca de 10 satélites do lançamento da Starlink em maio de 2019 da SpaceX nunca atingiram sua órbita operacional final, de acordo com um relatório de 2 de janeiro de Jonathan McDowell, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics que rastreia os movimentos dos satélites.

A SpaceX disse em julho que três satélites Starlink haviam falhado logo após o lançamento, e que outros dois satélites saudáveis ​​seriam intencionalmente desorbitados. A empresa não respondeu a uma investigação da SpaceNews em 6 de janeiro sobre por que 10 satélites não atingiram sua órbita-alvo em vez de cinco.

Problemas à parte, a SpaceX agora pode ser considerada a maior operadora comercial de satélites do mundo, superando a Planet Labs, com sede na Califórnia, e sua frota de 150 satélites para pesquisa na Terra.

Isso representa a ponta do iceberg, no entanto, à medida que a SpaceX está tentando criar uma megaconstelação de 42.000 satélites individuais. A empresa privada espera implantar cerca de 1.440 novos satélites Starlink até o final de 2020, o que exigirá pelo menos dois lançamentos por mês. Esse ritmo de lançamento rápido é possível graças à capacidade da SpaceX de alavancar seus lançamentos comerciais normalmente programados, preenchendo o espaço extra de carga com os satélites Starlink.

Esses lançamentos de satélites provocaram controvérsia entre os astrônomos, que reclamam que os lançamentos do Starlink e os trens de satélite subsequentes estão interferindo nas observações astronômicas. Em novembro do ano passado, por exemplo, astrônomos em um observatório chileno divulgaram uma foto do trem de satélites passando.

A SpaceX subestimou essas preocupações, dizendo que o efeito é apenas temporário e que quando os satélites atingem a órbita pretendida, “os satélites se tornam significativamente menos visíveis do solo”, como observou a empresa no press kit da Starlink.

Pode ser esse o caso, mas, considerando a taxa esperada de dois a três lançamentos por mês no futuro próximo e o tempo necessário para que esses satélites cheguem às suas órbitas de serviço, parece que essas implantações devem se tornar um elemento regular no céu noturno.

Devido a essas reclamações, a SpaceX está tentando reduzir ativamente o albedo, ou refletividade, de seus satélites Starlink. Para esse fim, um dos satélites lançados ontem foi pintado de preto com um “tratamento experimental de escurecimento”, de acordo com a SpaceX. A empresa agora monitorará esse satélite escuro para ver como a ideia funciona. Ainda não se sabe se esses satélites de baixo albedo aliviarão as perturbações astronômicas.

Há também a ameaça de acumular lixo espacial a considerar. Os satélites Starlink estão sendo colocados ao longo de órbitas que os verão cair naturalmente na atmosfera em cerca de 25 anos, o que obedece às diretrizes propostas – mas não impostas – pela NASA e outras agências espaciais.

À medida que mais objetos são lançados na baixa órbita terrestre, no entanto, o risco de colisões geradoras de detritos aumenta. A SpaceX quer construir uma megaconstelação que consiste em dezenas de milhares de satélites, e empresas rivais, incluindo OneWeb, Telsat e Amazon, têm aspirações semelhantes para criar megaconstelações em larga escala. O gerenciamento desses ativos espaciais – que podem chegar a centenas de milhares – ficará cada vez mais difícil (para referência, existem mais de 5.000 satélites atualmente em órbita ao redor da Terra, o que inclui o último lote de satélites Starlink).

A construção de infraestruturas espaciais parece inevitável, mas isso não significa que esse desenvolvimento futurista deva se desenrolar sem previsão, regulamentação e segurança. Chegou a hora de governos, agências espaciais, cientistas e outras partes interessadas estabelecerem regras sensatas e aplicáveis, enquanto responsabilizam essas empresas privadas por suas ações.