Assim como diversos empreendimentos ao redor do mundo, uma empresa brasileira vê a impressão de casas de baixo custo em 3D como uma alternativa interessante para o problema de moradia que afeta diversos países. A startup InovaHouse3D busca viabilizar a manufatura aditiva para a indústria, especialmente a de construção civil.

Atualmente, o desafio da InovaHouse3D é desenvolver uma impressora 3D capaz de imprimir uma parede inteira com microconcreto de manufatura. A expectativa dentro da empresa é de que isso seja possível já em 2019.

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Hoje, a máquina de que a startup dispõe consegue imprimir elementos de decoração e urbanização, podendo atuar na construção civil em elementos arquitetônicos de vedação, como fachadas. “Para construir uma casa inteiramente pelo método de impressão 3D, precisamos aumentar nossa máquina atual, que hoje tem dois metros de altura”, disse Juliana Martinelli, fundadora e CEO da InovaHouse3D, por e-mail.

“Pela complexidade do projeto, sabemos que a máquina que estamos desenvolvendo precisa de testes, não apenas pelo seu funcionamento, mas de material adequado, uma vez que esse material deve ser flexível o suficiente para a impressão e resistente para que possa ser usado em uma residência”, conta Martinelli.

Para o processo de desenvolvimento, a companhia aposta na plataforma Autodesk Inventor, um software que permite criar protótipos virtuais tridimensionais que funcionam como no mundo real. O processo de impressão 3D da companhia usa a tecnologia FDM. A startup faz o projeto que pretende imprimir no software de projetos, “no nosso caso, de engenharia civil, como o Autodesk Revit ou algum outro com que o profissional já tenha familiaridade”, explicou a CEO.

“Passamos esse projeto pelo software da impressora para seu fatiamento, etapa que transforma o objeto 3D em coordenadas e comandos para a máquina. Ao final, mandamos imprimir, e nossa máquina faz a leitura e funciona de forma completamente automatizada para transformar o modelo em algo físico, construindo-o camada a camada”, detalha Juliana Martinelli.

A InovaHouse3D não tem estimativa de quanto custaria a construção de uma unidade dessa casa impressa em 3D e diz que pretende divulgar valor quando a primeira casa tiver sido construída. Entretanto, indica que “a tecnologia já tem potencial para ser 20% mais barata que a construção residencial tradicional em bloco cerâmico, podendo chegar a reduzir 40% no médio prazo”.

Enquanto o objetivo a longo prazo se mantém distante, a InovaHouse3D tem usado a expertise de sua equipe multidisciplinar, com conhecimentos em engenharia elétrica, civil, mecânica e química, para imprimir peças de design e decoração, que é onde está a demanda atual.

A empresa vê como grandes desafios de empresas nesse campo a competitividade financeira e a garantia de segurança dessas construções. Como casas impressas em 3D ainda não foram comercializadas, é possível dizer que, a priori, a corrida está aberta, embora a InovaHouse3D admita que existam projetos semelhantes mais avançados que o deles, mas na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, a startup parece ter boas chances.

Imagem do topo: InovaHouse3D